Sem qualquer esperança de te encontrar aqui,voltei a este sítio. Mesmo sem saber o caminho, este sítio guiou-me de volta, onde fui feliz contigo.
Cheguei aqui porque isto é tudo o que eu preciso para poder parar de pensar, para poder deixar os pensamentos em (forma de) turbilhão repousar nesta areia por pisar.
Porque aqui há espaço para deixar de ser eu, e ser outra pessoa qualquer. Outra pessoa que não tenha de sentir uma dor no coração quando te imagino a contares-me todos os pormenores que eu adorava ouvir, noutro contexto. Que nao sinta arrepios de tristeza a percorrem-me quando imagino o que lhe querias poder contar a ela (deve haver uma ela, por esta altura).
Outro ser humano que soubesse o que é estabilidade, que soubesse o que é, por um dia, não se sentir culpado e impotente...
Sei que, inconscientemente, a minha mente decorou todas as curvas, todos os muros de pedra e todas as árvores sombrias para que um dia, conseguisse trazer-me aqui de volta. Porque só aqui encontrei o alívio que procurava.
Foi nesta água gelada, nestas rochas cortantes, nesta chuva quente...Foi neste sítio que a minha memória partilha com a tua, foi aqui que vivemos os momentos que me mantêm viva, por agora.
Foi aqui que te vi, abstraído do mundo, completamente etéreo e distante. Foi aqui que vi a tua essência, aquela pela qual me apaixonei tão perdida, irreflectida e desastrosamente.
Gostava que estivesses aqui comigo, para poderes apreciar este teu tempo de eleição: as nuvens estão escuras, mesmo à espera de rebentar num pranto divino e o mar está revoltado com o seu próprio deus. Como vês, tudo está à tua espera, até eu. Por favor, se me puderes ouvir, volta a este sítio que eu guardei no coração. Volta até mim, onde quer que estejas.
Regressa a este lugar que só nós conhecemos. Tráz contigo o ténue raio de sol que já não habita na minha vida desde que partiste.
Tráz contigo o teu sorriso, as tuas palavras, o teu cheiro que eu tento em vão reencontrar em todos os sítios, em todos os espaços em branco que agora parecem preencher o meu quotidiano.
Onde estavas tu, não restou nada. Só as lembranças. Mas infelizmente, elas não servem para manter a tua memória viva. Para isso, preciso de ti aqui, agora, a meu lado. Para viveres a tempestade que estalará em breve.
Regressa a casa, por favor. Regressa num sussurro inaudível, mas regressa.
Sempre tua, Konstantine.
To be continued...
Parte I -
Parte II -
Parte III -
Parte IV -
Parte V -
1 comentário:
Como sempre,aqui vai um pouco do mesmo: gostei muito :)
desde o 1º texto até este, e para os que se seguem irei sempre seguir :)
J's
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