30 março, 2014

Radioactive

Não sei que sentimento é este, que sensação me corrói por dentro.
Não sei que amor tóxico, que amor destrutivo é este que me motiva.
É algo que sinto a correr-me nas veias, a escorrer por mim...
Não me dá sossego de maneira nenhuma, por muito que tentasse. Mas não tento.
Nem sequer tento escapar a esta radiação que põe fim ao meu ser,
Nem vacilo se a vir, se ela chamar por mim. Corro, voo para ela.
Quando me atrevo a sonhar, quando ouso desejar por mais,
Ela desvanece...E talvez nem seja por entre os meus trémulos dedos.
Chego a pensar que será uma visão, que todo este cenário surreal não existe.
Neste pequeno mundo apocalíptico, onde só surge o que já não é, o que nunca foi,
A desolação, creio encontrar a minha paz. O sítio onde pertenço.
Mas de repente, ela chega com a sua luz que irradia, com a sua imperiosidade,
Com o seu misticismo, com o seu orgulho e o seu coração de pedra. E eu.
Eu volto de novo ao princípio, à inferioridade, a tudo o que desejo esquecer,
A onde eu desejo fugir.
É como aquela estranha dor sobre a qual não sabemos o que sentir - é má ou boa?
Queremos que passe ou que fique? É como aquela ferida no nosso lábio, na
Qual não conseguimos impedir a nossa língua de tocar.
 É algo que me impele a chegar mais perto, outra e outra vez.
É como aquela melodia que fica presa na nossa cabeça durante dias seguidos, a qual
Não conseguimos esquecer, aquela na qual pensamos assim que fechamos os olhos.
Acho que por esta altura, já devia ter percebido que não vou conseguir decifrá-la,
Nunca vou saber o que pensa, o que sente, o que sou para ela. Mas se tento ir,
Acabo sempre por ficar.
Nem sequer faz sentido, porque sou infeliz quando estou sem ela, mas com ela,
Sou simplesmente miserável. Mas a vida faz sentido. De alguma forma...
É uma espiral de loucura, mas se pudesse escolher, não hesitaria em decidir
Que a escolho a ela. Estou preso nela e não desejo mover-me.
Só desejo desenterrar o portão que esconde o que ela tanto deseja esconder:
O seu coração. Eu sei que ele bate, algures dentro dela. E quero-o para mim.