[Continuação de O Início]
Estou noutra dimensão.
Estou longe do sítio de onde vim.
Muito longe.
Embora não tenha a certeza de onde vim.
Onde era aquela sala que continha a minha essência, a minha vida?
Já não interessa.
Dou um passo em frente que consolida a minha decisão.
O ar é muito abafado e quase consigo sentir chamas abrasadoras
A tocarem-me superficialmente.
O chão é árido e seco e nem com toda a água do meu mundo ele ficaria saudável.
Não se vê ninguém à volta e o ar é tão pesado que tenho de parar para respirar.
De repente começa a chover fogo e tenho de me abrigar num alpendre de uma casa abandonada e bastante velha.
Este sítio será habitável? Porque não parece habitado.
Entro da casa que tem tábuas a tapar as janelas.
O rádio está ligado e pergunto-me se estará alguém em casa.
Deve estar.
Ouço barulhos vindos de outra divisão e dirijo-me para lá.
Vejo o que poderia ser um jantar normal de família.
Simplesmente não é porque cada um está ocupado com as suas coisas, sem reparar nas outras pessoas. Porque se dão ao trabalho de estar na mesma mesa?
Há gente a falar ao telefone, outros a ler revistas ou a enviar mensagens.
Já todos pararam de fingir, de criar o ambiente que no meu planeta ainda é mantido por uma questão de segurança.
Já abraçaram o seu lado egoísta e podem finalmente ser eles próprios.
Pigarreio e aceno, mas quando eles olham para mim vejo as suas expressões a mudar.
Não de falso choque ou embaraço, mas sim de pura descrença e quase inveja.
Olho para baixo e constato que estou nua aos olhos de todos.
Evito um grito de vergonha e saio a correr.
A chuva já abrandou e atrevo-me a caminhar debaixo dela. Estranhamente é libertador.
Olho à volta, e embora tudo pareça abandonado, não há sinais de destruição.
Agora há mais gente na rua que me olha com assombro, com admiração. Não há reprovação nos seus olhares.
Porque eu sou transparente, e apesar de vir de um planeta poluído, eu sou sã.
Sou transparente das coisas que eles gostariam de poder esquecer. Porque já se entregaram à luxúria, à dúvida, à inveja, ao egoísmo, ao fútil. E agora já não conseguem pensar sequer noutras coisas senão o próprio ser.
Pela primeira vez questiono se de facto este era o meu caminho certo para mim.
Estou sozinha, perdida, nua e por mais roupas que vista, continuo destapada.
Claro que este é o caminho. De outra forma, não me faria questioná-lo.
E então percebo.
Este é o meu mundo, se lhe tirarmos toda a beleza, tabus, hipocrisia, engano, aparências...
Aqui já não é preciso fingir que nos importamos.
Aqui já não é necessário darmos uso à falsidade, mentira e etiqueta.
Isto é o inimaginável mundo que eu sempre vi.
Aqui é onde eu realmente pertenço porque sempre consegui conviver à parte de um universo corrupto.
Porque fui eu que o construí, e embora não o saiba, foi feito à imagem da minha utopia. Se temos um mundo degradado, ao menos que se acabem com as farsas!
Isto é o meu inimaginável mundo e faz parte do não-imaginado, que há em mim.
30 março, 2010
27 março, 2010
O Ínicio
Uma infinidade de caminhos a seguir.
Mas qual escolher?
Parecem todos razoáveis, talvez prováveis.
Sei que cada um é possível, inevitável,
Mas só um é o certo, o escolhido.
Sei que qualquer um que eu escolha me
Fará feliz e miserável, mas só um me
Fará sentir que é o local onde eu pertenço.
Só um...
Aproximo-me de uma sala enorme, com
Uma vastidão de vidros que deixam passar
Imensa luz solar.
Nessa sala está a minha sina, o meu destino.
Nessa pequena divisão reside o passado, o
Futuro, mas sobretudo, o presente.
Estão aqui muitas portas, só tenho de escolher uma.
Tenho de escolher tudo agora, para mais
Tarde não ficar só com nada.
Olho à volta e sinto uma inquietação de
Sentir este momento.
É agora! Tudo tem de ser decidido.
Fixo uma porta e sei (não sei como) que
É aquela.
Há uma certeza quase assustadora dentro
De mim.
Rodo a maçaneta e respiro fundo, preparando-me
Para encarar o que se vai seguir.
To Be Continued...
Mas qual escolher?
Parecem todos razoáveis, talvez prováveis.
Sei que cada um é possível, inevitável,
Mas só um é o certo, o escolhido.
Sei que qualquer um que eu escolha me
Fará feliz e miserável, mas só um me
Fará sentir que é o local onde eu pertenço.
Só um...
Aproximo-me de uma sala enorme, com
Uma vastidão de vidros que deixam passar
Imensa luz solar.
Nessa sala está a minha sina, o meu destino.
Nessa pequena divisão reside o passado, o
Futuro, mas sobretudo, o presente.
Estão aqui muitas portas, só tenho de escolher uma.
Tenho de escolher tudo agora, para mais
Tarde não ficar só com nada.
Olho à volta e sinto uma inquietação de
Sentir este momento.
É agora! Tudo tem de ser decidido.
Fixo uma porta e sei (não sei como) que
É aquela.
Há uma certeza quase assustadora dentro
De mim.
Rodo a maçaneta e respiro fundo, preparando-me
Para encarar o que se vai seguir.
To Be Continued...
24 março, 2010
Engano
Este texto não era para ser para ti.
Não era mesmo.
Era suposto ser sobre mim, sobre qualquer coisa.
Mas a maneira melancólica como o meu dia começou
Levou os meus pensamentos cansados e ti a pensar
Outra vez em tudo.
É que foi tanto que se perdeu, não?
Talvez não. Mas só o facto de ter acabado traz-me
Arrepios cortantes e uma dor que trago no coração
Demasiado farto de mim, por acreditar que estou bem.
Que estou bem, sem ti. Que não sinto a tua falta.
Porque até em sonhos sinto.
Aliás, só em sonhos é que me atrevo a admiti-lo.
Este texto não era para ser sobre ti.
Sei perfeitamente que ele é um erro, mas é um
Que tenho de cometer.
Podia pensar que tudo o que fizeste foi para te protegeres,
Mas não posso. Já soube que não posso e continuo a sabe-lo.
É que se precisavas de te proteger, porque é que tiveste
De me magoar para fazê-lo?
Estou farta de falar de ti, de pensar em ti, mas sobretudo
De sentir a tua falta.
De ouvir toda a gente a dizer que já devia ter seguido
Com a minha vida. A verdade é que segui, mas uma
Parte de mim ficou para trás.
Uma que nunca vai voltar, uma que nunca será igual.
E recrimino-me por alguma vez ter acreditado em ti,
Por ter esperado mais de ti.
Por ter duvidado de mim, por ter tido pena de ti, mas
Sobretudo de mim.
Tu causaste tudo isto! És tu que me causas esta raiva,
Esta tristeza e um torpor letárgico enquanto durmo
E quando estou acordada.
Na maior parte dos dias limito-me a esquecer-te, mas
Há vezes em que isso é simplesmente impossível.
Não vou prolongar-me muito mais, porque as palavras
Que já gastei contigo foram demasiadas, e isso é algo
Que me revolta.
Este texto não era para ser sobre ti.
Espero que saibas isso...
Não era mesmo.
Era suposto ser sobre mim, sobre qualquer coisa.
Mas a maneira melancólica como o meu dia começou
Levou os meus pensamentos cansados e ti a pensar
Outra vez em tudo.
É que foi tanto que se perdeu, não?
Talvez não. Mas só o facto de ter acabado traz-me
Arrepios cortantes e uma dor que trago no coração
Demasiado farto de mim, por acreditar que estou bem.
Que estou bem, sem ti. Que não sinto a tua falta.
Porque até em sonhos sinto.
Aliás, só em sonhos é que me atrevo a admiti-lo.
Este texto não era para ser sobre ti.
Sei perfeitamente que ele é um erro, mas é um
Que tenho de cometer.
Podia pensar que tudo o que fizeste foi para te protegeres,
Mas não posso. Já soube que não posso e continuo a sabe-lo.
É que se precisavas de te proteger, porque é que tiveste
De me magoar para fazê-lo?
Estou farta de falar de ti, de pensar em ti, mas sobretudo
De sentir a tua falta.
De ouvir toda a gente a dizer que já devia ter seguido
Com a minha vida. A verdade é que segui, mas uma
Parte de mim ficou para trás.
Uma que nunca vai voltar, uma que nunca será igual.
E recrimino-me por alguma vez ter acreditado em ti,
Por ter esperado mais de ti.
Por ter duvidado de mim, por ter tido pena de ti, mas
Sobretudo de mim.
Tu causaste tudo isto! És tu que me causas esta raiva,
Esta tristeza e um torpor letárgico enquanto durmo
E quando estou acordada.
Na maior parte dos dias limito-me a esquecer-te, mas
Há vezes em que isso é simplesmente impossível.
Não vou prolongar-me muito mais, porque as palavras
Que já gastei contigo foram demasiadas, e isso é algo
Que me revolta.
Este texto não era para ser sobre ti.
Espero que saibas isso...
20 março, 2010
Sexta-Feira
Hoje quase morri. É verdade, sem exagero.
Estive a milímetros, a segundos de distância
De abandonar este mundo.
Só uma passadeira depois é que me apercebi disso.
Eu quase morri!
Os meus joelhos perderam instantaneamente a força
E o meu coração bateu mais forte.
Fiquei perplexa, chocada e parada a pensar nos minutos
Anteriores, sem saber o que dizer ou sentir.
É engraçado como nada da minha vida passou à frente
Dos meus olhos. Nenhum episódio marcante, nenhum
Gesto importante, nada.
Eu simplesmente olhei em frente, de boca aberta, a pensar
Que se não tivesse olhado para aquele lado, naquele instante,
Podia estar morta. Eu podia estar morta!
Aquilo que tanto me assustou durante muito tempo,
Quase aconteceu, e no entanto eu estava calma. Sem medo.
Podia ter acontecido sem eu ter dado conta, num dia normal
Como todos os outros, num sítio mais que comum da
Minha rotina diária.
Por momentos breves, escapei impune do sono eterno
Que na altura pensei chamar-me ali, naquela rua.
Para usar um lugar comum, depois disso, as árvores ficaram
Mais verdes, a água ficou mais límpida e o céu ficou ainda
Mais azul.
Os risos soaram mais alto, os cheiros ficaram mais intensos
E vi a vida à minha volta em câmara lenta.
É verdade, eu hoje quase morri. Sei-o agora melhor que nunca.
Sei que cada passo tem mais peso porque podia não estar a dá-lo.
Felicito-me por continuar a respirar e sinto uma alegria imensa.
A alegria de viver.
Hoje renasci. Dei mais valor ao que não dava e passei a ver tudo
De outra forma.
Descobri que não dava assim tanto valor à vida, mas agora dou.
Embora ainda não seja o suficiente.
Nunca pensei ficar tão feliz ao alcançar o outro lado da rua e
Encaminhar-me para um sítio vulgar que visito todos os dias,
Para as pessoas que não compreendo.
Devo dizer que nada me pareceu mais belo, nem o vento mais forte,
Nem a chuva mais fria.
Terá sido um sinal? Terá sido um aviso ou terá sido um ensinamento?
Não sei, não faço ideia.
Sei apenas que estou viva, mais viva que nunca e não vou desperdiçar
Essa vida que há em mim.
Estive a milímetros, a segundos de distância
De abandonar este mundo.
Só uma passadeira depois é que me apercebi disso.
Eu quase morri!
Os meus joelhos perderam instantaneamente a força
E o meu coração bateu mais forte.
Fiquei perplexa, chocada e parada a pensar nos minutos
Anteriores, sem saber o que dizer ou sentir.
É engraçado como nada da minha vida passou à frente
Dos meus olhos. Nenhum episódio marcante, nenhum
Gesto importante, nada.
Eu simplesmente olhei em frente, de boca aberta, a pensar
Que se não tivesse olhado para aquele lado, naquele instante,
Podia estar morta. Eu podia estar morta!
Aquilo que tanto me assustou durante muito tempo,
Quase aconteceu, e no entanto eu estava calma. Sem medo.
Podia ter acontecido sem eu ter dado conta, num dia normal
Como todos os outros, num sítio mais que comum da
Minha rotina diária.
Por momentos breves, escapei impune do sono eterno
Que na altura pensei chamar-me ali, naquela rua.
Para usar um lugar comum, depois disso, as árvores ficaram
Mais verdes, a água ficou mais límpida e o céu ficou ainda
Mais azul.
Os risos soaram mais alto, os cheiros ficaram mais intensos
E vi a vida à minha volta em câmara lenta.
É verdade, eu hoje quase morri. Sei-o agora melhor que nunca.
Sei que cada passo tem mais peso porque podia não estar a dá-lo.
Felicito-me por continuar a respirar e sinto uma alegria imensa.
A alegria de viver.
Hoje renasci. Dei mais valor ao que não dava e passei a ver tudo
De outra forma.
Descobri que não dava assim tanto valor à vida, mas agora dou.
Embora ainda não seja o suficiente.
Nunca pensei ficar tão feliz ao alcançar o outro lado da rua e
Encaminhar-me para um sítio vulgar que visito todos os dias,
Para as pessoas que não compreendo.
Devo dizer que nada me pareceu mais belo, nem o vento mais forte,
Nem a chuva mais fria.
Terá sido um sinal? Terá sido um aviso ou terá sido um ensinamento?
Não sei, não faço ideia.
Sei apenas que estou viva, mais viva que nunca e não vou desperdiçar
Essa vida que há em mim.
15 março, 2010
Miragem
Nunca sentiste aquela sensação de felicidade tal
Que o teu coração se enche com ela e consegues
Senti-lo a transbordar?
Felicidade tamanha que é palpável dentro das tuas veias!
Nunca? Eu já. Muitas vezes.
E também já senti a tristeza assim. Ondas tão
Fortes que inundam o meu coração, e por momentos,
Fico parada, sem saber o que me atingiu.
É normal sentir sensações tão esmagadoras?
É, para quem vive.
Para quem leva a vida a vê-la passar, não.
Eu considero essas sensações um dom,
Eles achariam uma maldição.
Mas não é deles que quero falar. É de ti.
Como estás? Como és?
Estas são só duas das perguntas que te sonho
Fazer quando estás ao pé de mim.
Sim, parece que se dantes já sonhava, agora
Não faço outra coisa senão sonhar.
Acordada, a dormir, num intermédio desses dois...
A muitas horas do dia isto está vivo dentro de mim.
E sei que às vezes é tortura, mas foi talvez a única
Tortura que já desejei sentir.
E realmente gosto que me controle. Que tome conta de mim.
Nos momentos em que me sinto radiante por te ver, e nos
Momentos em que me sinto triste por isso não acontecer.
É assim. Tanto posso sentir o mel mais doce da vida, como
O seu pior veneno e não há nada que mude isso.
Quem manda é o meu coração, mas ele está desorientado.
Perdido, sem saber o que sentir.
É como eu.
De um momento para o outro passo de alegre a nostálgica.
Sem me dar conta.
Ainda não conseguir chegar foi à questão crucial: amar é
Doce ou amargo?
Quando os teus olhos encontram os meus sinto-me capaz
De flutuar, mas quando estou no meu quarto a pensar
Em ti (sempre em ti!) dou-me conta de que isto nem é
Possível. Que talvez não passe de um devaneio louco.
Que talvez nem existas.
Fui eu que te inventei? Espero que não.
Sonhei-te? Sei que sim, mas és mais do que isso.
Imaginei-te? De muitas maneiras, já. Várias vezes.
Mas isso não significa que não sejas bem real.
Porque és, para mim.
Que o teu coração se enche com ela e consegues
Senti-lo a transbordar?
Felicidade tamanha que é palpável dentro das tuas veias!
Nunca? Eu já. Muitas vezes.
E também já senti a tristeza assim. Ondas tão
Fortes que inundam o meu coração, e por momentos,
Fico parada, sem saber o que me atingiu.
É normal sentir sensações tão esmagadoras?
É, para quem vive.
Para quem leva a vida a vê-la passar, não.
Eu considero essas sensações um dom,
Eles achariam uma maldição.
Mas não é deles que quero falar. É de ti.
Como estás? Como és?
Estas são só duas das perguntas que te sonho
Fazer quando estás ao pé de mim.
Sim, parece que se dantes já sonhava, agora
Não faço outra coisa senão sonhar.
Acordada, a dormir, num intermédio desses dois...
A muitas horas do dia isto está vivo dentro de mim.
E sei que às vezes é tortura, mas foi talvez a única
Tortura que já desejei sentir.
E realmente gosto que me controle. Que tome conta de mim.
Nos momentos em que me sinto radiante por te ver, e nos
Momentos em que me sinto triste por isso não acontecer.
É assim. Tanto posso sentir o mel mais doce da vida, como
O seu pior veneno e não há nada que mude isso.
Quem manda é o meu coração, mas ele está desorientado.
Perdido, sem saber o que sentir.
É como eu.
De um momento para o outro passo de alegre a nostálgica.
Sem me dar conta.
Ainda não conseguir chegar foi à questão crucial: amar é
Doce ou amargo?
Quando os teus olhos encontram os meus sinto-me capaz
De flutuar, mas quando estou no meu quarto a pensar
Em ti (sempre em ti!) dou-me conta de que isto nem é
Possível. Que talvez não passe de um devaneio louco.
Que talvez nem existas.
Fui eu que te inventei? Espero que não.
Sonhei-te? Sei que sim, mas és mais do que isso.
Imaginei-te? De muitas maneiras, já. Várias vezes.
Mas isso não significa que não sejas bem real.
Porque és, para mim.
10 março, 2010
Adormecida
Ser ou não ser, eis a questão?
Mas ser o quê, exactamente?
Não sei bem, acho que não decidi. Ainda.
Sei que respiro. Sei que o meu coração ainda bate.
Mas isso faz com que eu esteja viva?
Só posso concluir que não, porque a única coisa que me
Prende à "vida" é nada.
Vivo para nada, porque sim.
Cada segundo demora alguns séculos e cada hora é passada
A desejar que passe mais depressa.
Ser ou não ser, eis a questão?
Eu posso ser o que escolher, o problema é que não sei que escolha tomar.
Será que posso mesmo mudar assim, repentinamente?
Podia fazer alguns esforços, melhorar nos aspectos que preciso
E assim dedicava-me a construir uma pessoa melhor para mim.
Podia fazer sacrifícios para ajudar os que me rodeiam,
Para lhes ser útil e para facilitar a sua vida, que não é nada fácil.
Podia trazer algo de bom ao mundo.
Algo novo, útil.
Ou algo sem lógica.
Caramba, podia até ser algo mau, devastador!
Mas ao menos era alguma coisa.
Qualquer coisa.
Em vez disso, prefiro ficar a olhar para esta parede branca,
O dia inteiro, a pensar sabe se lá o quê.
O dia todo, neste transe. Entorpecimento.
Ser ou não ser, eis a questão?
Então o quê?
Diz-me! Porque eu não sei o que ser mais.
Isto é tudo o que posso ter reservado para mim, não é?
Os nossos actos são controlados por uma força superior
A nós, e por isso não podemos ser espontâneos.
Somos previsíveis como gotas de água a deslizar pela
Montanha abaixo, não é assim?
Já se sabe onde vão acabar, e não interessa o seu trajecto.
Foi isto que nos foi sempre dito, toda a nossa vida, e em
Consequência, agora é isto que eu sou.
Um meio termo, um ser e não ser.
Qualquer coisa, que não é coisa nenhuma.
Olho para as paredes e no entanto não encontro resposta
Para o meu dilema: ser ou não ser? Eis a questão...
Mas ser o quê, exactamente?
Não sei bem, acho que não decidi. Ainda.
Sei que respiro. Sei que o meu coração ainda bate.
Mas isso faz com que eu esteja viva?
Só posso concluir que não, porque a única coisa que me
Prende à "vida" é nada.
Vivo para nada, porque sim.
Cada segundo demora alguns séculos e cada hora é passada
A desejar que passe mais depressa.
Ser ou não ser, eis a questão?
Eu posso ser o que escolher, o problema é que não sei que escolha tomar.
Será que posso mesmo mudar assim, repentinamente?
Podia fazer alguns esforços, melhorar nos aspectos que preciso
E assim dedicava-me a construir uma pessoa melhor para mim.
Podia fazer sacrifícios para ajudar os que me rodeiam,
Para lhes ser útil e para facilitar a sua vida, que não é nada fácil.
Podia trazer algo de bom ao mundo.
Algo novo, útil.
Ou algo sem lógica.
Caramba, podia até ser algo mau, devastador!
Mas ao menos era alguma coisa.
Qualquer coisa.
Em vez disso, prefiro ficar a olhar para esta parede branca,
O dia inteiro, a pensar sabe se lá o quê.
O dia todo, neste transe. Entorpecimento.
Ser ou não ser, eis a questão?
Então o quê?
Diz-me! Porque eu não sei o que ser mais.
Isto é tudo o que posso ter reservado para mim, não é?
Os nossos actos são controlados por uma força superior
A nós, e por isso não podemos ser espontâneos.
Somos previsíveis como gotas de água a deslizar pela
Montanha abaixo, não é assim?
Já se sabe onde vão acabar, e não interessa o seu trajecto.
Foi isto que nos foi sempre dito, toda a nossa vida, e em
Consequência, agora é isto que eu sou.
Um meio termo, um ser e não ser.
Qualquer coisa, que não é coisa nenhuma.
Olho para as paredes e no entanto não encontro resposta
Para o meu dilema: ser ou não ser? Eis a questão...
08 março, 2010
Vicarious
Abrigo-me do peso gigante que a chuva coloca em cima dos meus ombros.
Deixo-a lá fora e subo as escadas, completamente encharcada.
Rodo a chave na fechadura, e após alguns segundos entro em casa, para a encontrar vazia e escura.
Vejo a chuva a cair, agora pelo vidro do quarto.
O dia está miserável e cinzento, o que não podia condizer mais com o meu espírito.
Estou com a vontade de destruição a corroer-me as veias e tu atreves-te a fingir, à minha frente.
Atreves-te a fingir para mim! Tudo, por tua causa!
O vento fustiga os vidros e eu só peço que chova, como nunca choveu!
Que um dilúvio te afogue e leve para longe de mim!
Rezo para que um sismo te destrua e abale, como tu abalaste a minha vida!
Deixando-me ser um monstro, com uma armadura gasta no tempo
Mas solidificada na sua resistência. Não espero que a desgraça te consuma
Apenas que se torne parte de ti, pela profundezas do teu ser,
Até te ajoelhares arrependido, em juras sinceras de verdadeiro perdão.
Que sintas em ti toda a humilhação, a força dos sete ventos,
Toda a tragédia na sua total manifestação...
E sentirei-me vivo, por mim próprio compreendido, observando de uma distância segura
Toda a tua degradação...
Abri os poros do meu corpo ao ódio, num abraço eterno,
Filho de almas destruidoras, que raramente criam,
Que raramente amam sem medo, que veneram destruição
Com o todo o seu louvor...
Porque não admitimos?
Porque fingimos...actuamos, iludimos, somos outros,
Sempre outros, nunca nos deixamos ser...e quando deixamos por vezes o pior
Acontece.
É aí que se resume todo um erro histórico:
Quando um Homem mau tenta fazer algo de bom.
Tudo piora ou nada se altera.
Porque não admitimos?
Porque é que não conseguimos admitir que é disto que precisamos para sobreviver?
Ver a miséria à nossa volta, só para vermos que estamos melhor que eles.
Porquê? Porque não admitimos que gostamos da destruição? Da ruína...
Do sabor do ódio na nossa boca. Porque apesar de nunca o queremos sentir, acabamos por voltar a ele, uma, e outra, e outra vez.
Eu sei que é assim.
Enquanto canto ao vento as minhas palavras de revolta e raiva, a chuva parece compreender.
E começa a cair mais forte, com mais velocidade. Com mais vontade, capaz de realizar o meu desejo.
E agora? Sei que possivelmente se tu acabasses, o meu mundo não iria ficar melhor. Mas iria ajudar a minha alma completamente em ruínas a sarar.
Será que não percebes? Preferes fingir que nada aconteceu?
Eu não consigo fazer isso. Lamento. Mas sei que prefiro odiar cada coisa tua, a fingir um sorriso, só para aliviar a tua consciência, não a minha. Não dizer um “olá” falso só para tu pensares que está tudo bem.
Que podes adormecer em paz, enquanto eu debato a noite toda com a tua presença a estragar todos os meus sonhos!
Sim, eu admito! Eu gosto de ver as coisas destruídas! Especialmente quando essas coisas são tuas. Quando elas são, tu.
Sim eu admito!
Aquele dia chegou. Aquele dia que um dia temi, mas que hoje agradeço. Celebro.
Aquele em que só a simples menção do teu nome me causa repulsa.
Esse dia chegou, finalmente. E estou aliviada com a sua chegada.
Como se fosse o inicio do fim, um acontecimento sem lugar na história,
Mas com o significado mais importante de sempre.
Somos seres incríveis, monstros terríveis
Que actuam num palco de ilusão disfarçados de vários papéis.
Por último, quando um suspiro final fica preso nos lábios
Percebes que nunca te deixaste ser, que foste
Sempre um mendigo que aguarda mais depressa a morte
Que a ajuda de outrem...
Que não saltaste na hora de saltar, e que negaste o amor
E a felicidade, viraste as costas e como um cobarde choraste
Por teres medo de amar e ser feliz.
Somos imperfeitos...mas isso não é razão para prolongar o erro.
Errar é o humano mas não deve ser nossa vontade errar para
Prolongar a imperfeição.
Sou escrito, sou melancolia, numa força pequena, quase rouca,
Voz que se mantém viva até morrer,
Sou questão louca, sou atrevimento
Num mundo que se mascara de preto quando na verdade é cinzento.
E somos poucos e somos loucos, mas com vontade forte de nunca parar,
E estamos junto por um mundo melhor
Preparados para fazer romper pessoas que como tu
Vieram para ficar...
[Colaboração com o grande Diogo Garcia: http://versologista.blogspot.com/]
Deixo-a lá fora e subo as escadas, completamente encharcada.
Rodo a chave na fechadura, e após alguns segundos entro em casa, para a encontrar vazia e escura.
Vejo a chuva a cair, agora pelo vidro do quarto.
O dia está miserável e cinzento, o que não podia condizer mais com o meu espírito.
Estou com a vontade de destruição a corroer-me as veias e tu atreves-te a fingir, à minha frente.
Atreves-te a fingir para mim! Tudo, por tua causa!
O vento fustiga os vidros e eu só peço que chova, como nunca choveu!
Que um dilúvio te afogue e leve para longe de mim!
Rezo para que um sismo te destrua e abale, como tu abalaste a minha vida!
Deixando-me ser um monstro, com uma armadura gasta no tempo
Mas solidificada na sua resistência. Não espero que a desgraça te consuma
Apenas que se torne parte de ti, pela profundezas do teu ser,
Até te ajoelhares arrependido, em juras sinceras de verdadeiro perdão.
Que sintas em ti toda a humilhação, a força dos sete ventos,
Toda a tragédia na sua total manifestação...
E sentirei-me vivo, por mim próprio compreendido, observando de uma distância segura
Toda a tua degradação...
Abri os poros do meu corpo ao ódio, num abraço eterno,
Filho de almas destruidoras, que raramente criam,
Que raramente amam sem medo, que veneram destruição
Com o todo o seu louvor...
Porque não admitimos?
Porque fingimos...actuamos, iludimos, somos outros,
Sempre outros, nunca nos deixamos ser...e quando deixamos por vezes o pior
Acontece.
É aí que se resume todo um erro histórico:
Quando um Homem mau tenta fazer algo de bom.
Tudo piora ou nada se altera.
Porque não admitimos?
Porque é que não conseguimos admitir que é disto que precisamos para sobreviver?
Ver a miséria à nossa volta, só para vermos que estamos melhor que eles.
Porquê? Porque não admitimos que gostamos da destruição? Da ruína...
Do sabor do ódio na nossa boca. Porque apesar de nunca o queremos sentir, acabamos por voltar a ele, uma, e outra, e outra vez.
Eu sei que é assim.
Enquanto canto ao vento as minhas palavras de revolta e raiva, a chuva parece compreender.
E começa a cair mais forte, com mais velocidade. Com mais vontade, capaz de realizar o meu desejo.
E agora? Sei que possivelmente se tu acabasses, o meu mundo não iria ficar melhor. Mas iria ajudar a minha alma completamente em ruínas a sarar.
Será que não percebes? Preferes fingir que nada aconteceu?
Eu não consigo fazer isso. Lamento. Mas sei que prefiro odiar cada coisa tua, a fingir um sorriso, só para aliviar a tua consciência, não a minha. Não dizer um “olá” falso só para tu pensares que está tudo bem.
Que podes adormecer em paz, enquanto eu debato a noite toda com a tua presença a estragar todos os meus sonhos!
Sim, eu admito! Eu gosto de ver as coisas destruídas! Especialmente quando essas coisas são tuas. Quando elas são, tu.
Sim eu admito!
Aquele dia chegou. Aquele dia que um dia temi, mas que hoje agradeço. Celebro.
Aquele em que só a simples menção do teu nome me causa repulsa.
Esse dia chegou, finalmente. E estou aliviada com a sua chegada.
Como se fosse o inicio do fim, um acontecimento sem lugar na história,
Mas com o significado mais importante de sempre.
Somos seres incríveis, monstros terríveis
Que actuam num palco de ilusão disfarçados de vários papéis.
Por último, quando um suspiro final fica preso nos lábios
Percebes que nunca te deixaste ser, que foste
Sempre um mendigo que aguarda mais depressa a morte
Que a ajuda de outrem...
Que não saltaste na hora de saltar, e que negaste o amor
E a felicidade, viraste as costas e como um cobarde choraste
Por teres medo de amar e ser feliz.
Somos imperfeitos...mas isso não é razão para prolongar o erro.
Errar é o humano mas não deve ser nossa vontade errar para
Prolongar a imperfeição.
Sou escrito, sou melancolia, numa força pequena, quase rouca,
Voz que se mantém viva até morrer,
Sou questão louca, sou atrevimento
Num mundo que se mascara de preto quando na verdade é cinzento.
E somos poucos e somos loucos, mas com vontade forte de nunca parar,
E estamos junto por um mundo melhor
Preparados para fazer romper pessoas que como tu
Vieram para ficar...
[Colaboração com o grande Diogo Garcia: http://versologista.blogspot.com/]
01 março, 2010
Palavras Trá-las o Vento
Grito aos sete ventos.
Grito o que mais ninguém ouve.
Grito o que sinto. Solto-o cá para fora.
Sou olhada, mas não vista.
Sou ouvida, mas não escutada.
Mexo-me, mas não sou notada.
Aí está a chave.
Não perguntes, lê nas entrelinhas!
Está lá tudo o que precisas.
Está lá o que o uma voz me sussurra ao ouvido,
Todos os dias.
Uma voz que vem de dentro.
Voz que tento combater, que tento esmorecer, mas não consigo.
Porque se alimenta das minhas fraquezas, das minhas incertezas.
Ninguém me consegue ler, e no entanto, eu escrevo-me
Várias vezes, tantas vezes...
Percebe, por favor, percebe-me!
Eu não sou assim tão indefinida.
Eu não sou assim tão complexa.
Só peço que leias o que lá está, o que eu não te posso dizer.
Tens de descobrir por ti próprio.
Já aprendi finalmente a comunicar.
Ou melhor, reaprendi esse instrumento que me tem ajudado
A ajudar. E a ser ajudada.
Não sei porque é que o esqueci ou pus de parte,
Mas agora que o tenho de volta, tenho de o praticar.
Ajudas-me? Preciso mesmo que me descodifiques.
Já te dei todas as pistas possíveis, agora és tu que tens de perceber o resultado.
Mas nem há possibilidades infinitas...É básico.
Se somares dois com dois, onde quer que estejas, será sempre quatro.
Eu sou como essa soma.
Quanto mais dás, mais recebes. E eu não sou complicada, como vês.
Estou só à espera que alguém venha, e por milagre, me compreenda.
Me leia e diga que está tudo bem. Que é normal sentir-me assim.
Eu grito aos sete ventos.
Grito porque eles ouvem o que eu digo.
Grito porque eles me respondem com o que lhes disse,
E isso faz-me sentir menos sozinha, menos deslocada do contexto.
É verdade que sempre gostei de cruzar os limites e de ir mais além.
Passar as barreiras impostas. Mas tirando isso, sou fácil de entender.
Consegues ler-me, finalmente?
Basta perguntares ao vento, e ele dirá o que precisas de saber.
Grito o que mais ninguém ouve.
Grito o que sinto. Solto-o cá para fora.
Sou olhada, mas não vista.
Sou ouvida, mas não escutada.
Mexo-me, mas não sou notada.
Aí está a chave.
Não perguntes, lê nas entrelinhas!
Está lá tudo o que precisas.
Está lá o que o uma voz me sussurra ao ouvido,
Todos os dias.
Uma voz que vem de dentro.
Voz que tento combater, que tento esmorecer, mas não consigo.
Porque se alimenta das minhas fraquezas, das minhas incertezas.
Ninguém me consegue ler, e no entanto, eu escrevo-me
Várias vezes, tantas vezes...
Percebe, por favor, percebe-me!
Eu não sou assim tão indefinida.
Eu não sou assim tão complexa.
Só peço que leias o que lá está, o que eu não te posso dizer.
Tens de descobrir por ti próprio.
Já aprendi finalmente a comunicar.
Ou melhor, reaprendi esse instrumento que me tem ajudado
A ajudar. E a ser ajudada.
Não sei porque é que o esqueci ou pus de parte,
Mas agora que o tenho de volta, tenho de o praticar.
Ajudas-me? Preciso mesmo que me descodifiques.
Já te dei todas as pistas possíveis, agora és tu que tens de perceber o resultado.
Mas nem há possibilidades infinitas...É básico.
Se somares dois com dois, onde quer que estejas, será sempre quatro.
Eu sou como essa soma.
Quanto mais dás, mais recebes. E eu não sou complicada, como vês.
Estou só à espera que alguém venha, e por milagre, me compreenda.
Me leia e diga que está tudo bem. Que é normal sentir-me assim.
Eu grito aos sete ventos.
Grito porque eles ouvem o que eu digo.
Grito porque eles me respondem com o que lhes disse,
E isso faz-me sentir menos sozinha, menos deslocada do contexto.
É verdade que sempre gostei de cruzar os limites e de ir mais além.
Passar as barreiras impostas. Mas tirando isso, sou fácil de entender.
Consegues ler-me, finalmente?
Basta perguntares ao vento, e ele dirá o que precisas de saber.
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