22 julho, 2011
Puzzle
Dizem-me para deixar isto para trás...Dizem-me que devo prosseguir com a minha vida, tendo a mera esperança de esquecer que um dia esta foi a minha vida.
Dizem que devo partir sem olhar para o que restou, dizem que devo ir imediatamente, amanhã após o amanhecer. Para quê...?
Agora passado tanto tempo, passados tantos dias a esperar o que nunca irá acontecer, nunca, sinto que algo passou por mim e eu não dei conta. Apesar de achar que já tinha percebido, apesar de pensar que já tinha aprendido essa dolorosa lição que me obrigava a relembrar-me dela todos os dias, ainda não cheguei lá. Ainda não consegui percebê-lo; e mesmo com todo o sangue derramado por o ter tentado cravar no coração, ainda não consegui entender o porquê. Ainda não consegui deixar tudo isso ir...
Contudo, mesmo após um momento negro em que vemos todas as peças possíveis espalhadas pelo chão à nossa frente (desesperadamente), vemos que aos poucos elas voltam ao sítio. Por muito que custe, por muito que doa, por muito que pareça não haver saída, talvez haja no fim vontade de recomeçar.
Parto amanhã, para esquecer. Para deixar o que magoa no passado e começar de novo.
20 julho, 2011
Take it back
«Change is hard, I should know...I should know»
Será que não te deixei respirar? Será que finalmente percebi que por muito que caias, se calhar não queres mesmo que te apanhe?
Só o fiz por seres a excepção. A única excepção, aliás...E sempre o serás, tenho a certeza disso.
Apesar disso só me arrependo de metade, possivelmente um pouco mais.
O cenário não muda; nada aparenta fazê-lo, e no entanto, nada está como antes. Nada se mantém, sendo que vês o mundo a ruir mesmo à tua frente e nada que faças para o consertar parece funcionar.
Sim, a mudança é sempre difícil e na maior parte das vezes necessária, mas ninguém disse o contrário. Ninguém te iludiu, ninguém por ventura decidiu dizer-te que o caminho que se atravessou na tua vida, neste momento, era fácil. Ninguém disse que não ia ser solitário, ninguém disse que não ia doer e parecer absolutamente impensável, por vezes, continuar. Que não ia ser completamente desesperante tentar, apesar das forças terem acabado há algum tempo...
Talvez tudo tenha acabado. Talvez não. Mas não posso é continuar neste não saber, neste balanço contínuo que só me faz questionar o que já passou, o que se passa e o que se irá passar num futuro não muito distante.
Mas se continuar a questionar tudo, se continuar a ignorar os meus instintos e a duvidar tudo o que o coração me diz, em breve levar-me-ei à loucura. Em breve acabarei.
[A todas as pessoas a quem me refiro neste texto, obrigada por, de uma maneira negativa, continuarem a mostrar-me o caminho.]
Será que não te deixei respirar? Será que finalmente percebi que por muito que caias, se calhar não queres mesmo que te apanhe?
Só o fiz por seres a excepção. A única excepção, aliás...E sempre o serás, tenho a certeza disso.
Apesar disso só me arrependo de metade, possivelmente um pouco mais.
O cenário não muda; nada aparenta fazê-lo, e no entanto, nada está como antes. Nada se mantém, sendo que vês o mundo a ruir mesmo à tua frente e nada que faças para o consertar parece funcionar.
Sim, a mudança é sempre difícil e na maior parte das vezes necessária, mas ninguém disse o contrário. Ninguém te iludiu, ninguém por ventura decidiu dizer-te que o caminho que se atravessou na tua vida, neste momento, era fácil. Ninguém disse que não ia ser solitário, ninguém disse que não ia doer e parecer absolutamente impensável, por vezes, continuar. Que não ia ser completamente desesperante tentar, apesar das forças terem acabado há algum tempo...
Talvez tudo tenha acabado. Talvez não. Mas não posso é continuar neste não saber, neste balanço contínuo que só me faz questionar o que já passou, o que se passa e o que se irá passar num futuro não muito distante.
Mas se continuar a questionar tudo, se continuar a ignorar os meus instintos e a duvidar tudo o que o coração me diz, em breve levar-me-ei à loucura. Em breve acabarei.
[A todas as pessoas a quem me refiro neste texto, obrigada por, de uma maneira negativa, continuarem a mostrar-me o caminho.]
18 julho, 2011
Troca o ressentimento e a dor pela alegria de teres o poder de ajudar outros; a vida não te traz chuva por agora, mas em breve ela virá.
Esse fardo que carregas é demasiado pesado, mas se não o partilhares, em breve ele levar-te-á à miséria, ao desespero. Em breve ele irá afogar-te, sem hipótese de retorno.
Troca o ódio pelo amor, mesmo que ele seja vão e absolutamente ridículo. E quem sabe...Sorri ao sol, a ver se ele te traz a lua mais cedo.
Esse fardo que carregas é demasiado pesado, mas se não o partilhares, em breve ele levar-te-á à miséria, ao desespero. Em breve ele irá afogar-te, sem hipótese de retorno.
Troca o ódio pelo amor, mesmo que ele seja vão e absolutamente ridículo. E quem sabe...Sorri ao sol, a ver se ele te traz a lua mais cedo.
«Don't look back in anger, I heard you say!»
11 julho, 2011
Inside Out - III
Os solavancos não me entorpecem. Só me embalam nesta velha cantiga que o tempo e a distância criaram juntos.
Para trás deixo a poeira agora assente depois da tempestade, deixo as lágrimas que foram derramadas até aqui. Deixo a frustração e a infelicidade que me vinham a perseguir por algum tempo. Deixo o que não é preciso.
Fecho os olhos temporariamente e finjo que sou outra pessoa qualquer, apesar de eu própria. Por meros momentos, eu encaro o mundo com uma perspectiva diferente, sendo quem eu quiser.
Curva atrás de curva, estrada por estrada eu vou-me perdendo lentamente, num labirinto de pensamentos, de risos, de notas musicais...Num misto de azul com verde até perder de vista; num misto de pureza e alegria com o sentimento mais verdadeiro de todos: aquele que nasce do nada, só porque o coração manda.
Cheguei ao ventre do que é belo, do que é real - a minha verdadeira casa. O meu refúgio, o meu tipo de solidão e liberdade. O meu local sagrado que me impede de acabar ou implodir com todo o veneno que corre por nós e à nossa volta.
Aqui a realidade sou eu que a invento ou ela inventa-se por mim. Não interessa. Ela é o que eu desejo, ela molda-se para mim, dando-me espaço para ser novamente feliz.
Inalo este odor que me traz mais recordações do que sentimentos, mas sinto-me quente. Sinto-me acolhedoramente rodeada de amor, protegida dos males do mundo.
Aqui sinto que nada me pode magoar, mesmo que por vezes o perigo espreite nalgumas esquinas ou atalhos; aqui nada me pode magoar porque isto é o sonho que criei, embora não o seja. Este é o local que me permite ter a calma e a paz do universo dentro de mim, brindando-me com a capacidade de imaginar muito claramente um céu azul, um sol brilhante e aconchegante que me faz sorrir sem fim ou o pulmão verdejante que possibilita toda a vida.
Se tiver de partir, levo pelo menos a certeza de que aqui estive; levo pelo menos a certeza de que valeu a pena voltar às minhas raízes quase abandonadas, às minhas raízes autênticas.
Sei que valeu a pena o esforço de me encontrar, nem que primeiro me tenha que perder. Valeu a pena percorrer montes e vales, rios e serras e dezenas de minutos para chegar ao meu lar.
Se tiver de partir, levo pelo menos uma leveza no coração: sei de onde vim, sei onde estive e sei, sobretudo, que irei voltar.
Obrigada Fundo do Lugar, mais uma vez foste a minha casa!
Para trás deixo a poeira agora assente depois da tempestade, deixo as lágrimas que foram derramadas até aqui. Deixo a frustração e a infelicidade que me vinham a perseguir por algum tempo. Deixo o que não é preciso.
Fecho os olhos temporariamente e finjo que sou outra pessoa qualquer, apesar de eu própria. Por meros momentos, eu encaro o mundo com uma perspectiva diferente, sendo quem eu quiser.
Curva atrás de curva, estrada por estrada eu vou-me perdendo lentamente, num labirinto de pensamentos, de risos, de notas musicais...Num misto de azul com verde até perder de vista; num misto de pureza e alegria com o sentimento mais verdadeiro de todos: aquele que nasce do nada, só porque o coração manda.
Cheguei ao ventre do que é belo, do que é real - a minha verdadeira casa. O meu refúgio, o meu tipo de solidão e liberdade. O meu local sagrado que me impede de acabar ou implodir com todo o veneno que corre por nós e à nossa volta.
Aqui a realidade sou eu que a invento ou ela inventa-se por mim. Não interessa. Ela é o que eu desejo, ela molda-se para mim, dando-me espaço para ser novamente feliz.
Inalo este odor que me traz mais recordações do que sentimentos, mas sinto-me quente. Sinto-me acolhedoramente rodeada de amor, protegida dos males do mundo.
Aqui sinto que nada me pode magoar, mesmo que por vezes o perigo espreite nalgumas esquinas ou atalhos; aqui nada me pode magoar porque isto é o sonho que criei, embora não o seja. Este é o local que me permite ter a calma e a paz do universo dentro de mim, brindando-me com a capacidade de imaginar muito claramente um céu azul, um sol brilhante e aconchegante que me faz sorrir sem fim ou o pulmão verdejante que possibilita toda a vida.
Se tiver de partir, levo pelo menos a certeza de que aqui estive; levo pelo menos a certeza de que valeu a pena voltar às minhas raízes quase abandonadas, às minhas raízes autênticas.
Sei que valeu a pena o esforço de me encontrar, nem que primeiro me tenha que perder. Valeu a pena percorrer montes e vales, rios e serras e dezenas de minutos para chegar ao meu lar.
Se tiver de partir, levo pelo menos uma leveza no coração: sei de onde vim, sei onde estive e sei, sobretudo, que irei voltar.
Obrigada Fundo do Lugar, mais uma vez foste a minha casa!
07 julho, 2011
Quinto Elemento
Sorrio enquanto ando. Sorrio enquanto pairo no ar.
À minha passagem cresce o vento. Ele sussurra-me o que tenho de saber.
Eu faço parte do rio que ouço correr; eu faço parte dos montes que vejo em meu redor.
Eu caminho e sinto a passagem do tempo. Ele muda consoante a minha vontade.
Sou uma força da natureza, nada me pode parar ultimamente.
Temida por muitos, considerada uma maldição, outros pensam em mim como uma benção, algo a que recorrem em tempos de miséria.
Rezam para que eu chova, rezam para que eu vos apareça com a minha passagem que só traz caos e destruição. Nem tudo é mau...
O fogo que cresceu no meu coração perdeu todo o controlo, espalhou-se rapidamente, sem o meu consentimento. A tempestade que cresceu a seguir teve simplesmente o intuito de o apagar. Falhou.
O fogo que tu começaste no meu coração foi-me matando aos poucos. É capaz de te matar a ti...Não fazes a menor ideia do que iniciaste a partir daquela altura, não podes compreender como é para mim.
É impossível perceberes como é um coração magoado, um coração partido. A fúria é impensável, a necessidade de encontrar conforto é demasiada. É perigoso.
O furacão cresceu e tu não notaste. Ele foi crescendo lenta e impiedosamente e só quando eu passar de novo por ti é que vais finalmente perceber.
Se eu te tentasse explicar com todas as palavras existentes, tu não conseguirias, ainda assim, compreender. Vais ter de sentir, vais ter de ler nos meus olhos côr de fogo o ódio e mágoa esquecidas. Já nada vai importar aí. Vingança já não terá a mínima lógica, já não vai trazer-me paz à noite, quando não consigo dormir. Quando não consigo fechar os olhos porque a imagem da tua realidade me arde, cravada na pele. Inesquecível.
O sol que brilha em mim diz-me que tenho de esquecer isto. Diz-me que já chega de esperar, que já chega de sofrer, de imaginar, de ficar em extrema expectativa. Basta de viver como tenho dito que vivo. Basta disto a que chamo viver. Sinto-me vazia, às vezes. Todos nós sentimos o vazio que parece infinito, em alguma altura.
Sinto que nem respiro, por vezes. Sinto que nem consigo já ouvir o meu ténue bater do coração. Obrigo-me a senti-lo, obrigo-me a ouvi-lo. A aceitar. A fechar os olhos e seguir em frente.
Sei que até aqui caminhei confiante, caminhei tendo o mundo todo na minha mão. Percorri este trilho, esta passagem de pedra esbatida como quem controla o destino. Como quem controla o tempo e a vida. No entanto, de vez em quando, olho para trás. Olho por cima do meu ombro, para me certificar de algo. Como se não tivesse todas as certezas na palma da minha mão. Como se precisasse de apoio, de confirmação. Como se sentisse uma presença, um olhar em mim.
Deixei-me arder e depois, calmamente, deixei o fogo ser extinto. O rio parou de correr, estancou. O sol escondeu-se atrás da lua; o vento morreu queimado. A chuva perdeu-se no céu e eu deixei-me ir.
À minha passagem cresce o vento. Ele sussurra-me o que tenho de saber.
Eu faço parte do rio que ouço correr; eu faço parte dos montes que vejo em meu redor.
Eu caminho e sinto a passagem do tempo. Ele muda consoante a minha vontade.
Sou uma força da natureza, nada me pode parar ultimamente.
Temida por muitos, considerada uma maldição, outros pensam em mim como uma benção, algo a que recorrem em tempos de miséria.
Rezam para que eu chova, rezam para que eu vos apareça com a minha passagem que só traz caos e destruição. Nem tudo é mau...
O fogo que cresceu no meu coração perdeu todo o controlo, espalhou-se rapidamente, sem o meu consentimento. A tempestade que cresceu a seguir teve simplesmente o intuito de o apagar. Falhou.
O fogo que tu começaste no meu coração foi-me matando aos poucos. É capaz de te matar a ti...Não fazes a menor ideia do que iniciaste a partir daquela altura, não podes compreender como é para mim.
É impossível perceberes como é um coração magoado, um coração partido. A fúria é impensável, a necessidade de encontrar conforto é demasiada. É perigoso.
O furacão cresceu e tu não notaste. Ele foi crescendo lenta e impiedosamente e só quando eu passar de novo por ti é que vais finalmente perceber.
Se eu te tentasse explicar com todas as palavras existentes, tu não conseguirias, ainda assim, compreender. Vais ter de sentir, vais ter de ler nos meus olhos côr de fogo o ódio e mágoa esquecidas. Já nada vai importar aí. Vingança já não terá a mínima lógica, já não vai trazer-me paz à noite, quando não consigo dormir. Quando não consigo fechar os olhos porque a imagem da tua realidade me arde, cravada na pele. Inesquecível.
O sol que brilha em mim diz-me que tenho de esquecer isto. Diz-me que já chega de esperar, que já chega de sofrer, de imaginar, de ficar em extrema expectativa. Basta de viver como tenho dito que vivo. Basta disto a que chamo viver. Sinto-me vazia, às vezes. Todos nós sentimos o vazio que parece infinito, em alguma altura.
Sinto que nem respiro, por vezes. Sinto que nem consigo já ouvir o meu ténue bater do coração. Obrigo-me a senti-lo, obrigo-me a ouvi-lo. A aceitar. A fechar os olhos e seguir em frente.
Sei que até aqui caminhei confiante, caminhei tendo o mundo todo na minha mão. Percorri este trilho, esta passagem de pedra esbatida como quem controla o destino. Como quem controla o tempo e a vida. No entanto, de vez em quando, olho para trás. Olho por cima do meu ombro, para me certificar de algo. Como se não tivesse todas as certezas na palma da minha mão. Como se precisasse de apoio, de confirmação. Como se sentisse uma presença, um olhar em mim.
Deixei-me arder e depois, calmamente, deixei o fogo ser extinto. O rio parou de correr, estancou. O sol escondeu-se atrás da lua; o vento morreu queimado. A chuva perdeu-se no céu e eu deixei-me ir.
06 julho, 2011
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