Um manto de folhas castanhas na calçada.
Leve brisa que leva este calor para longe de mim.
O sol está a pôr-se e o momento não podia ser mais mágico.
Fecho os olhos com força, e embora deseje estar bem longe,
Sinto-me feliz por estar aqui, agora mesmo.
Dentro de mim cresce uma onda cristalina de tristeza
Que rebenta, deixando uma orla de esperança pura.
Há a exaltação de um sonho antigo e eu acredito,
Neste preciso segundo de que um dia, o vou concretizar.
Sei que sim, com todo o meu coração.
A esperança dá lugar à felicidade que me enche.
Só por ser outono já me sinto realizada.
Só por ser fim de tarde, esse acontecimento lindo,
Sinto que tudo vai ficar bem.
Sorrio levemente. A vida é confusa.
O mundo dá muitas voltas e quando
Pareço mais perdida, tudo volta a fazer sentido.
O mundo volta a girar no sítio certo.
Fico aqui com a lembrança do que já passou,
Com o sentimento do presente e com a vontade
Do que virá, a ouvir este silêncio tão cheio de sentido.
Foi hoje que prometi a mim mesma que,
Dependendo da minha pessoa, nunca mais irei
Fugir ao inevitável, nunca mais vou fugir da felicidade
E dos meus sonhos, mesmo os mais impossíveis.
E foi nesta tarde de outono que percebi que já estou no meu caminho para acreditar.
24 outubro, 2010
12 outubro, 2010
How to save a life?
Ao ouvir o que já me trouxe uma espécie de conforto misturado com dúvida sinto um turbilhão de emoções.
Vejo mil imagens, sinto cheiros, algo se apodera de mim. Algo superior a mim.
Os meus olhos encheram-se de água e subitamente só consegui pensar em tudo o que ficou por dizer, em tudo o que ficou por fazer.
Em tudo o que podia ter feito. Nos caminhos cruzados onde fiz uma escolha que não deveria ter feito.
Porquê? Porque é que esta é a pergunta que mais custa? A que mais dor trás, a pergunta que eternamente não vai ter resposta...
Sei que na altura, naquele segundo senti um baque no coração, senti o meu mundo parar de girar. Deixei de respirar simplesmente. Os mesmos olhos que agora choram por ti, inundaram-se de dor e tristeza. Incerteza, e uma ponta de revolta.
Porquê? Dêem-me o porquê que eu quero. Pelo qual eu ansiei, e passei a fundo momentos e conversas, vezes e vezes sem conta na minha cabeça.
Hoje sinto falta do que houve, mas sobretudo do que podia ter havido.
E sinto pena de muita coisa, sinto revolta, sim ainda sinto. Pouca, mas sinto. Sinto rancor de quem não te ajudou, sinto raiva de mim própria. Sinto tudo isto quando fecho os olhos e te vejo lá, à minha espera, todos os dias.
Sinto esse turbilhão, essa espiral de sentimentos quando ouço estas notas musicais que me levam a esses dias negros que levaram um pedaço de mim. Sinto isso quando os vejo, devastados, unidos como nunca, para sempre.
Sinto isso, quando te recordo, quando penso em como tudo mudou a partir daí.
Nunca te esquecerei, adoro-te!
Vejo mil imagens, sinto cheiros, algo se apodera de mim. Algo superior a mim.
Os meus olhos encheram-se de água e subitamente só consegui pensar em tudo o que ficou por dizer, em tudo o que ficou por fazer.
Em tudo o que podia ter feito. Nos caminhos cruzados onde fiz uma escolha que não deveria ter feito.
Porquê? Porque é que esta é a pergunta que mais custa? A que mais dor trás, a pergunta que eternamente não vai ter resposta...
Sei que na altura, naquele segundo senti um baque no coração, senti o meu mundo parar de girar. Deixei de respirar simplesmente. Os mesmos olhos que agora choram por ti, inundaram-se de dor e tristeza. Incerteza, e uma ponta de revolta.
Porquê? Dêem-me o porquê que eu quero. Pelo qual eu ansiei, e passei a fundo momentos e conversas, vezes e vezes sem conta na minha cabeça.
Hoje sinto falta do que houve, mas sobretudo do que podia ter havido.
E sinto pena de muita coisa, sinto revolta, sim ainda sinto. Pouca, mas sinto. Sinto rancor de quem não te ajudou, sinto raiva de mim própria. Sinto tudo isto quando fecho os olhos e te vejo lá, à minha espera, todos os dias.
Sinto esse turbilhão, essa espiral de sentimentos quando ouço estas notas musicais que me levam a esses dias negros que levaram um pedaço de mim. Sinto isso quando os vejo, devastados, unidos como nunca, para sempre.
Sinto isso, quando te recordo, quando penso em como tudo mudou a partir daí.
Nunca te esquecerei, adoro-te!
08 outubro, 2010
Inanimada
Como algo morto, inanimado, volto a respirar.
Volto a abrir os olhos, volto a viver.
Voltei à vida, e agora? Viver será difícil?
Ou seremos nós que tornamos tudo complicado?
Nem sei onde estou. Alguém me pode ajudar?
Não estou habituada a estar aqui, já não me lembro de como eu era.
O que faço aqui parada, a olhar à minha volta, para estas paredes de vidro que me encurralam?
Os grilhões foram-me abertos mas encontro-me noutro tipo de prisão. Uma de onde não consigo escapar.
Voltei a viver. Voltei a ser eu. Deixei de estar amarrada, asfixiada até o último sopro de vento ser afastado de mim à força.
Voltei a mim! Voltei! Mas e agora? Voltarei a ser a mesma? Conseguirei ignorar que tudo isto aconteceu? Não levou um pedaço de mim?
Eles tinham razão, quando me avisaram. Disseram que estava a brincar com o fogo. E como sempre, quem brinca com o fogo, queima-se.
Mas a minha queimadura não se vê. É bem pior que isso, é demasiado má para ser visível ao olho humano.
A minha está cá dentro e sempre que me esqueço dela, ela faz-me o favor de arder para me lembrar de que ainda lá está. Ainda lá está...
Tento encontrar uma saída possível daqui para fora mas estas paredes são as mais sólidas que alguma vez vi. Estão no meu caminho para ser livre, estão a impedir-me de continuar.
Não deviam estar todos aqui para mim? Não deviam estar prontos, do outro lado da porta para me abraçar, para me felicitar por ter voltado ao mundo dos vivos? Eu voltei a viver!
Será que enquanto fui morta à vossa frente não repararam? Será que não viram o que os olhos não podiam ver?
Os tambores começam a bater dentro da minha cabeça. A chuva começa a cair abundantemente. Sei que o momento chegou.
Chegou a hora da chuva levar todo o mal que habitou em mim, chegou a hora da minha purificação, da minha alma ser transformada em algo novo.
Aquele tempo acabou. Aquela que não era eu morreu e hoje nasci outra vez.
Abro os braços, fecho os olhos e sinto a chuva à medida que os tambores soam cada vez mais alto, na minha cabeça anunciando o fim próximo da minha ressurreição.
Que sítio era aquele de onde vim? Como fui lá parar?
Num dia era eu, e no outro deixei de ser. Fui-me deixando para trás, até me ter perdido por completo.
Esse tempo acabou. Agora não há mais fingimento, agora não há mais agonia, agora já não existe essa parte de mim que me dava vómitos.
Agora sou só eu, mais lavada de mim do que nunca. Aqui, nesta jaula de vidro, enquanto pessoas que não conheço me observam pacificamente.
Eu olho-as mas não me mexo, não ouso respirar, não tento pestanejar. Fico só aqui à chuva a vê-las, a tentar esquecer-me do mundo, para voltar a ser eu.
Esta água nunca mais acaba e o nível começa a subir.
Os tambores soam, ensurdecedores, alto, mais alto, cada vez mais alto. E a água sobe, e vai subindo até encher a sala, até chegar ao tecto.
E os tambores sobem de tom até já não terem mais espaço para aumentar e a água enche tudo o que existe aqui dentro.
A água sobe e eu continuo aqui, feliz por estar viva finalmente.
Feliz por ter voltado.
Fechos os olhos, e sorrio.
Volto a abrir os olhos, volto a viver.
Voltei à vida, e agora? Viver será difícil?
Ou seremos nós que tornamos tudo complicado?
Nem sei onde estou. Alguém me pode ajudar?
Não estou habituada a estar aqui, já não me lembro de como eu era.
O que faço aqui parada, a olhar à minha volta, para estas paredes de vidro que me encurralam?
Os grilhões foram-me abertos mas encontro-me noutro tipo de prisão. Uma de onde não consigo escapar.
Voltei a viver. Voltei a ser eu. Deixei de estar amarrada, asfixiada até o último sopro de vento ser afastado de mim à força.
Voltei a mim! Voltei! Mas e agora? Voltarei a ser a mesma? Conseguirei ignorar que tudo isto aconteceu? Não levou um pedaço de mim?
Eles tinham razão, quando me avisaram. Disseram que estava a brincar com o fogo. E como sempre, quem brinca com o fogo, queima-se.
Mas a minha queimadura não se vê. É bem pior que isso, é demasiado má para ser visível ao olho humano.
A minha está cá dentro e sempre que me esqueço dela, ela faz-me o favor de arder para me lembrar de que ainda lá está. Ainda lá está...
Tento encontrar uma saída possível daqui para fora mas estas paredes são as mais sólidas que alguma vez vi. Estão no meu caminho para ser livre, estão a impedir-me de continuar.
Não deviam estar todos aqui para mim? Não deviam estar prontos, do outro lado da porta para me abraçar, para me felicitar por ter voltado ao mundo dos vivos? Eu voltei a viver!
Será que enquanto fui morta à vossa frente não repararam? Será que não viram o que os olhos não podiam ver?
Os tambores começam a bater dentro da minha cabeça. A chuva começa a cair abundantemente. Sei que o momento chegou.
Chegou a hora da chuva levar todo o mal que habitou em mim, chegou a hora da minha purificação, da minha alma ser transformada em algo novo.
Aquele tempo acabou. Aquela que não era eu morreu e hoje nasci outra vez.
Abro os braços, fecho os olhos e sinto a chuva à medida que os tambores soam cada vez mais alto, na minha cabeça anunciando o fim próximo da minha ressurreição.
Que sítio era aquele de onde vim? Como fui lá parar?
Num dia era eu, e no outro deixei de ser. Fui-me deixando para trás, até me ter perdido por completo.
Esse tempo acabou. Agora não há mais fingimento, agora não há mais agonia, agora já não existe essa parte de mim que me dava vómitos.
Agora sou só eu, mais lavada de mim do que nunca. Aqui, nesta jaula de vidro, enquanto pessoas que não conheço me observam pacificamente.
Eu olho-as mas não me mexo, não ouso respirar, não tento pestanejar. Fico só aqui à chuva a vê-las, a tentar esquecer-me do mundo, para voltar a ser eu.
Esta água nunca mais acaba e o nível começa a subir.
Os tambores soam, ensurdecedores, alto, mais alto, cada vez mais alto. E a água sobe, e vai subindo até encher a sala, até chegar ao tecto.
E os tambores sobem de tom até já não terem mais espaço para aumentar e a água enche tudo o que existe aqui dentro.
A água sobe e eu continuo aqui, feliz por estar viva finalmente.
Feliz por ter voltado.
Fechos os olhos, e sorrio.
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