Não posso! Não posso olhar à minha volta.
Sei que não posso, mas estou sempre a fazê-lo.
Continuamente, sempre o mesmo erro.
Sei que não devo. Sei que não quero! Mas olho.
Olho para quê? Para ver o que não quero. Olho para descobrir coisas que não queria saber.
Olho e nada vejo. Vejo tudo, tanta coisa! Mas nada me interessa. Nem devia interessar.
Como posso não olhar? Tento convencer-me de que não quero, que é melhor não, que já não me interessa, mas na verdade lá bem no fundo de verdade, quero olhar. Quero saber.
Quero respostas, tantas respostas que procuro! E no entanto, ao olhar, não as encontro. Apenas gero mais perguntas. Fico neste ciclo sem fim, a questionar.
Esta constante sensação de que já ouvi isso, já vi isso persegue-me. E mesmo que corra, que serpenteie por caminhos estreitos, ela encontra-me sempre e começamos onde tínhamos acabado.
O olhar. Para todos os lados, à hora completamente errada. Ouvir sem querer, tudo o que não me convém.
No teu olhar, é onde me perco. E já lá vi imensas coisas. Quero ver ainda mais.
Nos teus olhos, doces olhos que me sorriem!
Que me fazem olhar, mesmo quando não quero.
Gesto involuntário, prisioneira da tua vontade. Do teu olhar que me encaminha para sítios que nunca pensei existirem. E perco-me lá, às vezes.
Tento encontrar o caminho de volta a ti, mas não consigo.
Então deixo-te ir. E penso que nunca mais verei os teus olhos, lindos olhos que sorriam para mim.
Tento esquecê-los, apagá-los da minha memória.
Tento não lembrar o teu doce olhar.
E quando penso que já esqueci, quando penso que já não me interessam, voltas a aparecer no meu campo de visão. A testar o meu auto-controlo de te olhar.
E eu não olho. Tenho de olhar sempre em frente, para não haver tentações. Custa, como custa! Mas tem de ser.
Foste tu que me expulsaste dos teus olhos, e desta vez deixarei de cometer o mesmo erro.
Deixarei de te ver, deixarei de te olhar.
Para sempre.
30 outubro, 2009
29 outubro, 2009
Recado
Trespasso o pórtico e entro.
Acho que seria extremamente hipócrita se me benzesse.
Os meus passos ecoam, algumas pessoas viram-se e olham-me com desaprovação no rosto.
Eu ignoro-as e olho à volta.
Está escuro, mas assim que os meus olhos se habituam, consigo observar com nitidez as estátuas e personagens que me olham das paredes. Cobertas com o seu véu de mentiras.
E ao centro, oh claro!, está Ele, na cruz. O Seu sofrimento e os Seus sacríficios salvaram-nos, não foi?
De quem? Não penso que estejamos a salvo do que quer que seja.
Pelo contrário, nunca estivemos mais perdidos.
Nunca soubemos tanto como agora, sobre tecnologia, ciência, medicina, mas nunca soubemos tão pouco...
Algumas pessoas rezam baixo, muito baixo. Rezam tão fervorosamente que parecem genuínos. Parece que realmente acreditam nessas tretas todas que os rodeiam!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Só quero gritar-vos a verdade, para ver se vos perturbo, para ver se consigo atingir essa camada tão serena que aparentam ter.
Subo ao púlpito. Olho para todas as caras que me observam atentamente, atónitas.
Pigarreio. Vou dizer aquilo que tenho a certeza que vai chegar para vos atingir.
-Eu sei a verdade! E espero ver a vossa reacção.
Expressões de choque tomam lugar. Indignação. O caos total! O burburinho aumenta.
O que hão de fazer? Continuar a farsa no vosso dia-a-dia? Vestir o mesmo fato de hipócrisia e de mentira?
Eu não vos vou ilibar dos vossos erros, dos vosso crimes.
Vão ter de contar a verdade aos milhares de milhões de peregrinos, católicos, ignorantes ou o nome que lhes quiserem dar.
Eu vou fazer-vos contar a verdade. Já a esconderam durante muito tempo.
Desço do púlpito e saio da igreja. Estranhamente, ninguém tentou impedir-me. Sabem que não podem. Sabem que sem mim não eram nada, nada têm contra mim.
Eu sou o vosso anjo, o que caiu do céu e ao aterrar na terra, viu a realidade, bem lúcida. Bem sóbria. E virei-vos as costas. Tive essa coragem.
Eu sou o vosso Judas. Eu traí-vos. Eu não guardarei mais os vossos segredos obscuros.
Rezo baixo, muito baixo, a pedir perdão pelos meus pecados.
A pedir perdão porque ao tentar tanto, que sei que acredito.
Acho que seria extremamente hipócrita se me benzesse.
Os meus passos ecoam, algumas pessoas viram-se e olham-me com desaprovação no rosto.
Eu ignoro-as e olho à volta.
Está escuro, mas assim que os meus olhos se habituam, consigo observar com nitidez as estátuas e personagens que me olham das paredes. Cobertas com o seu véu de mentiras.
E ao centro, oh claro!, está Ele, na cruz. O Seu sofrimento e os Seus sacríficios salvaram-nos, não foi?
De quem? Não penso que estejamos a salvo do que quer que seja.
Pelo contrário, nunca estivemos mais perdidos.
Nunca soubemos tanto como agora, sobre tecnologia, ciência, medicina, mas nunca soubemos tão pouco...
Algumas pessoas rezam baixo, muito baixo. Rezam tão fervorosamente que parecem genuínos. Parece que realmente acreditam nessas tretas todas que os rodeiam!
Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
Só quero gritar-vos a verdade, para ver se vos perturbo, para ver se consigo atingir essa camada tão serena que aparentam ter.
Subo ao púlpito. Olho para todas as caras que me observam atentamente, atónitas.
Pigarreio. Vou dizer aquilo que tenho a certeza que vai chegar para vos atingir.
-Eu sei a verdade! E espero ver a vossa reacção.
Expressões de choque tomam lugar. Indignação. O caos total! O burburinho aumenta.
O que hão de fazer? Continuar a farsa no vosso dia-a-dia? Vestir o mesmo fato de hipócrisia e de mentira?
Eu não vos vou ilibar dos vossos erros, dos vosso crimes.
Vão ter de contar a verdade aos milhares de milhões de peregrinos, católicos, ignorantes ou o nome que lhes quiserem dar.
Eu vou fazer-vos contar a verdade. Já a esconderam durante muito tempo.
Desço do púlpito e saio da igreja. Estranhamente, ninguém tentou impedir-me. Sabem que não podem. Sabem que sem mim não eram nada, nada têm contra mim.
Eu sou o vosso anjo, o que caiu do céu e ao aterrar na terra, viu a realidade, bem lúcida. Bem sóbria. E virei-vos as costas. Tive essa coragem.
Eu sou o vosso Judas. Eu traí-vos. Eu não guardarei mais os vossos segredos obscuros.
Rezo baixo, muito baixo, a pedir perdão pelos meus pecados.
A pedir perdão porque ao tentar tanto, que sei que acredito.
28 outubro, 2009
Pesadelo
Não sei se é sonho ou pesadelo.
Realidade ou ilusão.
Só sei que acordei do que quer que fosse.
Estava tão feliz, estava tão bem. E de repente, tudo se foi embora.
O que aconteceu, não aconteceu mesmo. O que se disse, o que se fez?
Não aconteceu realmente. Não aconteceu!...
E tenho esta sombra a pairar sobre mim. A tua sombra!
A perseguir-me, a relembrar-me de que aquilo foi um sonho.
E isto é a realidade.
Talvez aquilo fosse a realidade e isto um mero sonho. Mas se assim for, é um sonho impossível de acabar.
A cada passo que dou, a minha raiva aumenta.
A cada inspiração, a minha revolta ferve e brota dos meus poros.
Eu já me deixei de sonhos. Agora só tenho pesadelos. Que não o são, para mim. E sonho então com a tua mágoa, o teu sofrimento, a tua impotência. Não vou ser hipócrita, nem vou dizer que te desejo felicidade.
Eu posso não ter muito valor, mas no fim vais ficar sem nada. Vou deixar-te por terra, desfeito, sem nada. Nada!
Eu vou estudar-te. Vou encontrar o teu centro, o teu ponto fraco e vou finalmente sentir o prazer que a tua desgraça origina.
Imagina o caos, o teu caos!
O que eu quero é que te sintas inútil, sem valor, sem esperança. Sem descanso. Sem sonhos.
Eu quero deixar-te sem nada, a lamentar tudo.
Quando sentires na pele, aí vais perceber. O quão dói. O que custa.
Pedaço a pedaço, tu vais cair e só irei descansar quando te levar ao fundo comigo.
Quero deixar-te miserável, impotente, infeliz e angustiado.
Eu posso não ter muito valor, mas confia em mim, vais arrepender-te.
Deves arrepender-te. E poderás suplicar por perdão. Finalmente ele vai ser sentido, mas já não vais significar nada.
Já não, pelo menos.
Esta sombra persegue-me, ajuda-me a prosseguir. Tornou-se uma parte de mim.
Ela já não me permite sonhar.
Agora já só vejo a realidade. E vejo também o teu olhar de súplica.
O teu ar inocente que desmente o que fazes. O que dizes.
Porque isso é real. Isso aconteceu. Isso é o meu pesadelo que se tornou realidade.
E a minha vingança, também é o sonho que se vai tornar real.
O meu sonho. O teu pesadelo.
É o que eu quero! É o que eu preciso, é o que eu quero!
Por isso, dorme bem, mas tem cuidado.
Eu estarei à espera. E eu vou acontecer. Como tu me aconteceste, um dia.
Realidade ou ilusão.
Só sei que acordei do que quer que fosse.
Estava tão feliz, estava tão bem. E de repente, tudo se foi embora.
O que aconteceu, não aconteceu mesmo. O que se disse, o que se fez?
Não aconteceu realmente. Não aconteceu!...
E tenho esta sombra a pairar sobre mim. A tua sombra!
A perseguir-me, a relembrar-me de que aquilo foi um sonho.
E isto é a realidade.
Talvez aquilo fosse a realidade e isto um mero sonho. Mas se assim for, é um sonho impossível de acabar.
A cada passo que dou, a minha raiva aumenta.
A cada inspiração, a minha revolta ferve e brota dos meus poros.
Eu já me deixei de sonhos. Agora só tenho pesadelos. Que não o são, para mim. E sonho então com a tua mágoa, o teu sofrimento, a tua impotência. Não vou ser hipócrita, nem vou dizer que te desejo felicidade.
Eu posso não ter muito valor, mas no fim vais ficar sem nada. Vou deixar-te por terra, desfeito, sem nada. Nada!
Eu vou estudar-te. Vou encontrar o teu centro, o teu ponto fraco e vou finalmente sentir o prazer que a tua desgraça origina.
Imagina o caos, o teu caos!
O que eu quero é que te sintas inútil, sem valor, sem esperança. Sem descanso. Sem sonhos.
Eu quero deixar-te sem nada, a lamentar tudo.
Quando sentires na pele, aí vais perceber. O quão dói. O que custa.
Pedaço a pedaço, tu vais cair e só irei descansar quando te levar ao fundo comigo.
Quero deixar-te miserável, impotente, infeliz e angustiado.
Eu posso não ter muito valor, mas confia em mim, vais arrepender-te.
Deves arrepender-te. E poderás suplicar por perdão. Finalmente ele vai ser sentido, mas já não vais significar nada.
Já não, pelo menos.
Esta sombra persegue-me, ajuda-me a prosseguir. Tornou-se uma parte de mim.
Ela já não me permite sonhar.
Agora já só vejo a realidade. E vejo também o teu olhar de súplica.
O teu ar inocente que desmente o que fazes. O que dizes.
Porque isso é real. Isso aconteceu. Isso é o meu pesadelo que se tornou realidade.
E a minha vingança, também é o sonho que se vai tornar real.
O meu sonho. O teu pesadelo.
É o que eu quero! É o que eu preciso, é o que eu quero!
Por isso, dorme bem, mas tem cuidado.
Eu estarei à espera. E eu vou acontecer. Como tu me aconteceste, um dia.
25 outubro, 2009
Apanha-me...
Sento-me.
Procuro por ti mas ainda não chegaste.
Ainda não me conseguiste alcançar.
O tédio é algo que detesto, e tu fazes me esperar por ti.
Apanha-me, se puderes.
Estás perto, muito perto mais vais ter de te esforçar mais um bocado.
Queres que atrase o passo?
Posso ir mais devagar ou escolher caminhos mais longos, se preferires.
Subo montanhas, desço vales e passo falésias, só para me encontrares.
Apanha-me, se puderes.
Aqui estou eu, pronta a ser apanhada.
Eu não corro, eu não tenho pressa, e no entanto tu nunca mais chegas.
Se eu pudesse, ficava parada num sítio qualquer. Mas não posso.
Temos de passar por esta provação. Só esta, prometo.
Vá lá, apressa-te! Estás perto, tão perto! E tão distante...
Eu sei que me consegues apanhar, portanto porque é que ainda não chegaste aqui?
Odeio esta maldição! Ter de correr sempre contra o tempo!
Estou farta de andar em círculos, às voltas a tentar encontrar-te.
Mas és tu que tens de me encontrar!
És tu que tens de correr, mover mundos e galáxias para me alcançares. És tu!
E eu sei que as peças encaixam. Têm de encaixar.
Porque não podemos continuar sempre nesta espiral sem fim.
Talvez ela vá dar a algum sítio. Um sítio onde nunca ninguém esteve.
Para o descobrirmos, tens de te apressar! Por favor.
Eu estou pronta para ser apanhada. Consegues apanhar-me?
Procuro por ti mas ainda não chegaste.
Ainda não me conseguiste alcançar.
O tédio é algo que detesto, e tu fazes me esperar por ti.
Apanha-me, se puderes.
Estás perto, muito perto mais vais ter de te esforçar mais um bocado.
Queres que atrase o passo?
Posso ir mais devagar ou escolher caminhos mais longos, se preferires.
Subo montanhas, desço vales e passo falésias, só para me encontrares.
Apanha-me, se puderes.
Aqui estou eu, pronta a ser apanhada.
Eu não corro, eu não tenho pressa, e no entanto tu nunca mais chegas.
Se eu pudesse, ficava parada num sítio qualquer. Mas não posso.
Temos de passar por esta provação. Só esta, prometo.
Vá lá, apressa-te! Estás perto, tão perto! E tão distante...
Eu sei que me consegues apanhar, portanto porque é que ainda não chegaste aqui?
Odeio esta maldição! Ter de correr sempre contra o tempo!
Estou farta de andar em círculos, às voltas a tentar encontrar-te.
Mas és tu que tens de me encontrar!
És tu que tens de correr, mover mundos e galáxias para me alcançares. És tu!
E eu sei que as peças encaixam. Têm de encaixar.
Porque não podemos continuar sempre nesta espiral sem fim.
Talvez ela vá dar a algum sítio. Um sítio onde nunca ninguém esteve.
Para o descobrirmos, tens de te apressar! Por favor.
Eu estou pronta para ser apanhada. Consegues apanhar-me?
19 outubro, 2009
Diferente
(Este texto é dedicado a todas as pessoas que alguma vez me olharam de lado, que se riram de mim ou teceram comentários. Obrigada por tudo o que fizeram por mim. Tornaram-me na pessoa que sou hoje. Quem realmente riu no fim, fui eu.)
«All my life I felt I was different»
Desde pequena que me destaco nos grupos, nas multidões.
Sou uma gota de cor numa realidade cinzenta.
Sempre pensei de maneira diferente, sempre tive gostos diferentes e sempre tomei atitudes que mais ninguém toma.
Até há alguns anos, achava que isso era um defeito, uma coisa má, um fardo a carregar. O ser diferente. Mas agora sei que é um dos maiores dons que podia ter. Que tenho.
E apesar de já ter passado muitos maus bocados à custa do meu dom, a verdade é que estou muito grata por ele. E estou grata a mim própria por me ter mantido fiel a mim própria, apesar dos obstáculos.
Obstáculos esses que só me fizeram tornar mais forte, mais resistente. Que me fizeram aprender com os erros.
Eu sou o que digo, sou o que faço. Sou o que escolho ser. Sou o que sou verdadeiramente e não o que querem que eu seja.
Sim, era muito mais fácil comprar um par de chinelos, uma anilha e um colar igual ao de todos vocês, mas eu prefiro expressar-me à minha maneira. Não preciso que me digam o que fazer, o que usar.
E por mais difícil que isso possa ser, tem um sabor especial. Porque eu não ando igual a 3/4 da população feminina. Eu caminho na rua, e olho à minha volta. Como é que vocês se distinguem umas das outras? Eu sei que eu sou fácil de identificar.
Sim, eu sou diferente! E tenho orgulho nisso. Olhas-me de lado só porque não ando igual a ti? Como se isso fosse condenável, olhas-me como se estivesse a cometer um crime. Sim, se calhar cometo o único crime que é dar mais nas vistas que tu. Mas isto está tudo errado! Não era preferível andarmos todos à nossa maneira?
Sim, eu não fumo como toda a gente. Posso ser julgada, gozada ou criticada mas levanto a cabeça bem alto e prossigo o meu caminho. E é que me rio de vocês. São todos fantoches, são massas que não prosseguem sem copiar a pessoa da frente.
Eu prefiro pensar pela minha cabeça, obrigada.
Prefiro ter opiniões e pensar sobre assuntos como o HIV, a fome mundial e não em ténis de marca ou mesadas.
Prefiro ter o meu orgulho e inteligência em vez de superficialismo e ignorância, obrigada!
Eu estou muito bem deste lado.
Eu sou a excepção à regra. Eu sou diferente. E sou feliz assim com as pessoas que amo, e com as minhas paixões que fazem parte de mim, mas que não me definem. Como a vocês.
E não preciso de comprar roupa de marca e ter 600 roupas no armário para ter felicidade e pessoas que me amem.
Portanto, por muito tentador e perfeito que o vosso lado possa ser, e parecer às vezes nos dias difíceis, prefiro ficar deste lado onde a minha vista não está turva ou o meu cérebro está adormecido.
Eu sou diferente! Orgulho-me muito disso. Não te esqueças. Podes olhar de lado se quiseres, mas vocês é que são todos iguais, e não eu.
Finalmente, quero agradecer-vos mais uma vez. Levaram-me a tomar as conclusões e decisões que fazem de mim o que sou hoje. Tornei-me uma pessoa melhor graças à vossa mediocridade. E vejo os vossos actos com atenção, porque são de facto hilariantes. Pensam que são todos tão diferentes uns dos outros, quando no fundo, ainda não olharam em redor, para ver que são todos iguais.
Eu posso ser a única que continua nesta batalha contra vocês, mas sempre serei.
Obrigada.
«I am who I am»
«All my life I felt I was different»
Desde pequena que me destaco nos grupos, nas multidões.
Sou uma gota de cor numa realidade cinzenta.
Sempre pensei de maneira diferente, sempre tive gostos diferentes e sempre tomei atitudes que mais ninguém toma.
Até há alguns anos, achava que isso era um defeito, uma coisa má, um fardo a carregar. O ser diferente. Mas agora sei que é um dos maiores dons que podia ter. Que tenho.
E apesar de já ter passado muitos maus bocados à custa do meu dom, a verdade é que estou muito grata por ele. E estou grata a mim própria por me ter mantido fiel a mim própria, apesar dos obstáculos.
Obstáculos esses que só me fizeram tornar mais forte, mais resistente. Que me fizeram aprender com os erros.
Eu sou o que digo, sou o que faço. Sou o que escolho ser. Sou o que sou verdadeiramente e não o que querem que eu seja.
Sim, era muito mais fácil comprar um par de chinelos, uma anilha e um colar igual ao de todos vocês, mas eu prefiro expressar-me à minha maneira. Não preciso que me digam o que fazer, o que usar.
E por mais difícil que isso possa ser, tem um sabor especial. Porque eu não ando igual a 3/4 da população feminina. Eu caminho na rua, e olho à minha volta. Como é que vocês se distinguem umas das outras? Eu sei que eu sou fácil de identificar.
Sim, eu sou diferente! E tenho orgulho nisso. Olhas-me de lado só porque não ando igual a ti? Como se isso fosse condenável, olhas-me como se estivesse a cometer um crime. Sim, se calhar cometo o único crime que é dar mais nas vistas que tu. Mas isto está tudo errado! Não era preferível andarmos todos à nossa maneira?
Sim, eu não fumo como toda a gente. Posso ser julgada, gozada ou criticada mas levanto a cabeça bem alto e prossigo o meu caminho. E é que me rio de vocês. São todos fantoches, são massas que não prosseguem sem copiar a pessoa da frente.
Eu prefiro pensar pela minha cabeça, obrigada.
Prefiro ter opiniões e pensar sobre assuntos como o HIV, a fome mundial e não em ténis de marca ou mesadas.
Prefiro ter o meu orgulho e inteligência em vez de superficialismo e ignorância, obrigada!
Eu estou muito bem deste lado.
Eu sou a excepção à regra. Eu sou diferente. E sou feliz assim com as pessoas que amo, e com as minhas paixões que fazem parte de mim, mas que não me definem. Como a vocês.
E não preciso de comprar roupa de marca e ter 600 roupas no armário para ter felicidade e pessoas que me amem.
Portanto, por muito tentador e perfeito que o vosso lado possa ser, e parecer às vezes nos dias difíceis, prefiro ficar deste lado onde a minha vista não está turva ou o meu cérebro está adormecido.
Eu sou diferente! Orgulho-me muito disso. Não te esqueças. Podes olhar de lado se quiseres, mas vocês é que são todos iguais, e não eu.
Finalmente, quero agradecer-vos mais uma vez. Levaram-me a tomar as conclusões e decisões que fazem de mim o que sou hoje. Tornei-me uma pessoa melhor graças à vossa mediocridade. E vejo os vossos actos com atenção, porque são de facto hilariantes. Pensam que são todos tão diferentes uns dos outros, quando no fundo, ainda não olharam em redor, para ver que são todos iguais.
Eu posso ser a única que continua nesta batalha contra vocês, mas sempre serei.
Obrigada.
«I am who I am»
18 outubro, 2009
Dez Mil Dias
Sentes a terra a tremer.
O que fazes? Segues o teu impulso?
Corres o mais rápido que consegues?
Mesmo que uma voz te diga para ficares? Para aguentares firme durante o furacão.
Sentes o comboio a vir na tua direcção. Queres sair daí, fugir, mas sabes que não deves.
Vais à mesma? Ou ficas ao lado dela? Fazes o que é correcto?
Mesmo que tenhas de enfrentar medos, fazer sacríficios e aguentar a tua dor? A dor dela.
Só te queres afastar e pensas que só um louco não o faria.
O teu amor por ela nem sequer se poderia medir, no entanto, sentes uma vontade enorme de desaparecer para bem longe.
Estás assustado, é normal.
Tens de enfrentar medos, tens de fazer coisas que não queres. Mas fazes. Por ela farias tudo. Tudo!
Sorris quando queres chorar, dás-lhe força quando estás prestes a desintegrar-te em pedaços.
Mas aguentas. Por ela. Por ti.
E se pudesses desejavas que tudo o que tens, desaparecesse se isso a curasse. Porque todos os dias estás à cabeceira dela, a dar-lhe a mão, a ajudá-la e tu vês o que ela sofre. E dás-lhe força.
E queres que ela lute até ao fim.
Ela diz-te que está cansada, mas tu não a deixas desistir.
Estás desesperado. Pedes a Deus, oras a quem não acreditas. Pedes que ele vele por ela, que a salve.
Precisas de um milagre. Por ela, mas principalmente por ti.
Ela diz-te que já está farta de ter veneno a correr-lhe nas veias. De ter o próprio corpo a atacá-la.
Tu pedes para ela lutar só mais um bocadinho. Que em breve tudo estará bem.
E percebes que isso não é viver. É simplesmente adiar a morte. A tua, mas principalmente a dela.
Acentes. Dizes-lhe que chegou a hora de descansar.
Pedes a Deus que a guie a casa, onde ela pertence. Onde ela merece estar.
Porque embora tenhas assistido e sentido dor, essa dor é só dela e foi só ela que a sentiu. Que a suportou. Ninguém esteve mesmo no seu lugar. Não como ela esteve.
Esperas que ela alcance um lugar superior, um lugar melhor.
O repouso que ela merece. Que lhe pertence.
Dás-lhe a mão e dizes que está tudo bem. Que ela pode seguir em frente. Na direcção da luz
brilhante e acolhedora.
Porque és tu que estás ao lado dela. És tu que tens de a ajudar uma última vez. Antes de poderes pensar em ti.
Guia-a, uma última vez. Vê-a ganhar asas e ascender ao outro mundo.
Ela está bem agora. E consegue ver-te. Diz-te para sofreres por ela, mas não por muito tempo.
Depois tenta seguir a tua vida. E sempre que te sentires perdido, olha para o céu.
Ela guiar-te-á como tu outrora fizeste.
O que fazes? Segues o teu impulso?
Corres o mais rápido que consegues?
Mesmo que uma voz te diga para ficares? Para aguentares firme durante o furacão.
Sentes o comboio a vir na tua direcção. Queres sair daí, fugir, mas sabes que não deves.
Vais à mesma? Ou ficas ao lado dela? Fazes o que é correcto?
Mesmo que tenhas de enfrentar medos, fazer sacríficios e aguentar a tua dor? A dor dela.
Só te queres afastar e pensas que só um louco não o faria.
O teu amor por ela nem sequer se poderia medir, no entanto, sentes uma vontade enorme de desaparecer para bem longe.
Estás assustado, é normal.
Tens de enfrentar medos, tens de fazer coisas que não queres. Mas fazes. Por ela farias tudo. Tudo!
Sorris quando queres chorar, dás-lhe força quando estás prestes a desintegrar-te em pedaços.
Mas aguentas. Por ela. Por ti.
E se pudesses desejavas que tudo o que tens, desaparecesse se isso a curasse. Porque todos os dias estás à cabeceira dela, a dar-lhe a mão, a ajudá-la e tu vês o que ela sofre. E dás-lhe força.
E queres que ela lute até ao fim.
Ela diz-te que está cansada, mas tu não a deixas desistir.
Estás desesperado. Pedes a Deus, oras a quem não acreditas. Pedes que ele vele por ela, que a salve.
Precisas de um milagre. Por ela, mas principalmente por ti.
Ela diz-te que já está farta de ter veneno a correr-lhe nas veias. De ter o próprio corpo a atacá-la.
Tu pedes para ela lutar só mais um bocadinho. Que em breve tudo estará bem.
E percebes que isso não é viver. É simplesmente adiar a morte. A tua, mas principalmente a dela.
Acentes. Dizes-lhe que chegou a hora de descansar.
Pedes a Deus que a guie a casa, onde ela pertence. Onde ela merece estar.
Porque embora tenhas assistido e sentido dor, essa dor é só dela e foi só ela que a sentiu. Que a suportou. Ninguém esteve mesmo no seu lugar. Não como ela esteve.
Esperas que ela alcance um lugar superior, um lugar melhor.
O repouso que ela merece. Que lhe pertence.
Dás-lhe a mão e dizes que está tudo bem. Que ela pode seguir em frente. Na direcção da luz
brilhante e acolhedora.Porque és tu que estás ao lado dela. És tu que tens de a ajudar uma última vez. Antes de poderes pensar em ti.
Guia-a, uma última vez. Vê-a ganhar asas e ascender ao outro mundo.
Ela está bem agora. E consegue ver-te. Diz-te para sofreres por ela, mas não por muito tempo.
Depois tenta seguir a tua vida. E sempre que te sentires perdido, olha para o céu.
Ela guiar-te-á como tu outrora fizeste.
14 outubro, 2009
Páginas em Branco
Amanheci. Voltei com toda a minha força.
A escuridão pode ter perdurado algum tempo,
Mas finalmente foi embora.
O sol voltou a brilhar. E com ele, também eu.
Relembrei o que sem saber tinha perdido.
Tinha esquecido.
Fiz-me à vida com tudo o que tinha, que não era muito.
Agarrei-me às rédeas com toda a resistência que tinha
Em mim.
Retirei as memórias boas e guardei-as num lugar especial.
Fiquei com as más porque são elas que me ensinam, são elas
Que me impedem de cometer os mesmos erros.
Agora, tenho uma folha em branco, pronta a ser preenchida
Com novas recordações, novas imagens.
Sim, agora em mim há espaço para tentar outra vez. Há mais
Do que antes. Nasceu-se mais do que se morreu.
Renasci directamente das cinzas. Recrio-me quando quero,
Nunca me deixando afectar.
Sei que a vida nem sempre é fácil, mas é preciso tentar.
E quando a nossa página actual está demasiado suja e borrada,
O melho é rasgá-la e começar uma nova.
Porque o nosso destino, somos nós que o traçamos. E o nosso
Caminho, somos nós que o fazemos.
A vida não passa de uma série de divisões. E em cada uma,
Conheces novas pessoas e aprendes novas coisas. E vives mais
Experiências e aprendes mais sobre ti próprio.
Eu nunca quero parar de aprender, parar de me conhecer.
Quero continuar a recriar-me, continuar a renascer! Quero preencher
A minha nova página em branco.
Anoiteci. Porque não se pode viver sempre ao sol. Mas até na noite, sou iluminada.
E tento iluminar. Tento mostrar-te o caminho certo. O melhor caminho até tu encontrares as tuas próprias páginas.
Tudo o que posso fazer é mostrar-te o caminho. Esse, és tu que o tens de percorrer.
A escuridão pode ter perdurado algum tempo,
Mas finalmente foi embora.
O sol voltou a brilhar. E com ele, também eu.
Relembrei o que sem saber tinha perdido.
Tinha esquecido.
Fiz-me à vida com tudo o que tinha, que não era muito.
Agarrei-me às rédeas com toda a resistência que tinha
Em mim.
Retirei as memórias boas e guardei-as num lugar especial.
Fiquei com as más porque são elas que me ensinam, são elas
Que me impedem de cometer os mesmos erros.
Agora, tenho uma folha em branco, pronta a ser preenchida
Com novas recordações, novas imagens.
Sim, agora em mim há espaço para tentar outra vez. Há mais
Do que antes. Nasceu-se mais do que se morreu.
Renasci directamente das cinzas. Recrio-me quando quero,
Nunca me deixando afectar.
Sei que a vida nem sempre é fácil, mas é preciso tentar.
E quando a nossa página actual está demasiado suja e borrada,
O melho é rasgá-la e começar uma nova.
Porque o nosso destino, somos nós que o traçamos. E o nosso
Caminho, somos nós que o fazemos.
A vida não passa de uma série de divisões. E em cada uma,
Conheces novas pessoas e aprendes novas coisas. E vives mais
Experiências e aprendes mais sobre ti próprio.
Eu nunca quero parar de aprender, parar de me conhecer.
Quero continuar a recriar-me, continuar a renascer! Quero preencher
A minha nova página em branco.
Anoiteci. Porque não se pode viver sempre ao sol. Mas até na noite, sou iluminada.
E tento iluminar. Tento mostrar-te o caminho certo. O melhor caminho até tu encontrares as tuas próprias páginas.
Tudo o que posso fazer é mostrar-te o caminho. Esse, és tu que o tens de percorrer.
12 outubro, 2009
Nunca É Tarde
Como pedra quente que se sente mas não queima,
Como corte que corta mas não sangra,
Como ferida que dói mas não magoa.
Estou dormente. E nem dei por isso até me ter
Atingido de frente.
Como é que não reparei? Como é que não vi o que
Estava a acontecer?
Ouço-te falar mas não percebo o que dizes.
Digo-te que estou bem. Que estou bem. Não acreditas.
Eu estou bem! Posso não sentir, mas sinto que estou.
Dizes que não estou bem. De todo! E que às vezes é
Preciso pedir ajuda.
Estás aqui para mim. Sorrio. Estendes-me a mão.
Não estou sozinha. Tu vais-me ajudar!
Tudo pode mudar agora. Posso ser quem quiser, quem
Escolher ser. Não é preciso continuar a vestir esta pele.
Dispo camada a camada até ficar só eu. Vês o meu lado escuro,
O meu lado negro. O bom e o mau. E não recuas. Manténs-te firme,
Ao pé de mim a dizer que vai ficar tudo bem.
Eu sei que me podes ajudar. Sei que me queres ajudar.
Para isso, basta também eu querer.
Eu digo que sim. Que estou pronta a ser ajudada.
Desço do parapeito. Deito fora o veneno, largo a faca.
Ficas tão aliviado! Abraças-me. Dizes-me que vai tudo correr bem.
Acredito em ti.
Não queres agradecimento, apenas pedes que eu diga que não estou bem.
A admissão do facto irá ajudar-me.
Não. Não estou bem. Sei-o.
Felizmente não o soube tarde demais.
Olho para as minhas feridas, cortes e queimaduras.
Percebo que talvez já tenha sentido dor, apenas me habituei a ela.
E isso não é uma fraqueza. Pelo contrário é um dom.
Mas mesmo assim, às vezes, é preciso pedir ajuda.
(Devias ter-me pedido ajuda. Desculpa)
Como corte que corta mas não sangra,
Como ferida que dói mas não magoa.
Estou dormente. E nem dei por isso até me ter
Atingido de frente.
Como é que não reparei? Como é que não vi o que
Estava a acontecer?
Ouço-te falar mas não percebo o que dizes.
Digo-te que estou bem. Que estou bem. Não acreditas.
Eu estou bem! Posso não sentir, mas sinto que estou.
Dizes que não estou bem. De todo! E que às vezes é
Preciso pedir ajuda.
Estás aqui para mim. Sorrio. Estendes-me a mão.
Não estou sozinha. Tu vais-me ajudar!
Tudo pode mudar agora. Posso ser quem quiser, quem
Escolher ser. Não é preciso continuar a vestir esta pele.
Dispo camada a camada até ficar só eu. Vês o meu lado escuro,
O meu lado negro. O bom e o mau. E não recuas. Manténs-te firme,
Ao pé de mim a dizer que vai ficar tudo bem.
Eu sei que me podes ajudar. Sei que me queres ajudar.
Para isso, basta também eu querer.
Eu digo que sim. Que estou pronta a ser ajudada.
Desço do parapeito. Deito fora o veneno, largo a faca.
Ficas tão aliviado! Abraças-me. Dizes-me que vai tudo correr bem.
Acredito em ti.
Não queres agradecimento, apenas pedes que eu diga que não estou bem.
A admissão do facto irá ajudar-me.
Não. Não estou bem. Sei-o.
Felizmente não o soube tarde demais.
Olho para as minhas feridas, cortes e queimaduras.
Percebo que talvez já tenha sentido dor, apenas me habituei a ela.
E isso não é uma fraqueza. Pelo contrário é um dom.
Mas mesmo assim, às vezes, é preciso pedir ajuda.
(Devias ter-me pedido ajuda. Desculpa)
10 outubro, 2009
Pretexto
Ouvem-se vozes. Vozes exaltadas,
Vozes furiosas, vozes violentas.
Vozes que discutem. De quem será a culpa?
Aproximo-me e vejo. Duas pessoas.
Pessoas tão diferentes...
Discutem cegamente. Por alguma razão?
Acho que são várias. As razões.
Ouço o eco das vossas vozes. Já não sabem
O que dizem. Apenas sentem prazer a ouvir a
Própria voz superar a outra. A culpar a outra,
A humilhar a outra.
Ao menos a discutir, só dizem a verdade. Dizem o bom
E o mau. Dizem o que querem e aquilo que não querem.
Não se controlam. Não se querem controlar.
Gritam, blasfemam, deitam tudo cá para fora. O bom, o mau,
O necessário e o que não é.
O ódio, a raiva, o rancor. Tudo se transforma através de palavras.
E para quê? Sentem-se melhor por isso? Acham que alivia o peso
Que sentem? Talvez...
Afasto-me de vocês. Tanta guerra para quê? Parem um momento
Para respirar e ouçam-se a vocês próprios. Não há algo de errado?
Ouço as vozes ao longe. Vozes de angústia, de mágoa, de tristeza.
Já disseram o que não estava previsto, não já?
Disseram o que tinham a dizer.
E então, as vozes param. Será que a discussão finalmente acabou?
Cansaram-se finalmente de lutar um contra o outro? Sem motivos,
Sem razões aparentes? As razões são várias.
Mas o ódio, a raiva, o desgosto, a frustração, são tudo pretextos.
Eu já os usei. Usei-os até perceber a verdadeira razão. De estar
Sempre a gritar. A fazer a minha voz soar mais alto que a tua.
De estar sempre a batalhar contra algo; por algo.
E a razão era que estava desiludida comigo.
E quanto mais gritasse, quanto mais barulho fizesse, mais tarde
Aceitaria isso. E o que antes pensei ser o meu fim, a minha desgraça,
Tornou-se a minha libertação, uma segunda oportunidade de começar
De novo.
E caminho por mim própria, com alguns medos, alguns receios e algumas
Certezas.
Sei onde vou? Não faço ideia.
Sei que quero ir nesta direcção? Sim.
O que vier, virá, e eu, finalmente parei para respirar. De novo.
Vozes furiosas, vozes violentas.
Vozes que discutem. De quem será a culpa?
Aproximo-me e vejo. Duas pessoas.
Pessoas tão diferentes...
Discutem cegamente. Por alguma razão?
Acho que são várias. As razões.
Ouço o eco das vossas vozes. Já não sabem
O que dizem. Apenas sentem prazer a ouvir a
Própria voz superar a outra. A culpar a outra,
A humilhar a outra.
Ao menos a discutir, só dizem a verdade. Dizem o bom
E o mau. Dizem o que querem e aquilo que não querem.
Não se controlam. Não se querem controlar.
Gritam, blasfemam, deitam tudo cá para fora. O bom, o mau,
O necessário e o que não é.
O ódio, a raiva, o rancor. Tudo se transforma através de palavras.
E para quê? Sentem-se melhor por isso? Acham que alivia o peso
Que sentem? Talvez...
Afasto-me de vocês. Tanta guerra para quê? Parem um momento
Para respirar e ouçam-se a vocês próprios. Não há algo de errado?
Ouço as vozes ao longe. Vozes de angústia, de mágoa, de tristeza.
Já disseram o que não estava previsto, não já?
Disseram o que tinham a dizer.
E então, as vozes param. Será que a discussão finalmente acabou?
Cansaram-se finalmente de lutar um contra o outro? Sem motivos,
Sem razões aparentes? As razões são várias.
Mas o ódio, a raiva, o desgosto, a frustração, são tudo pretextos.
Eu já os usei. Usei-os até perceber a verdadeira razão. De estar
Sempre a gritar. A fazer a minha voz soar mais alto que a tua.
De estar sempre a batalhar contra algo; por algo.
E a razão era que estava desiludida comigo.
E quanto mais gritasse, quanto mais barulho fizesse, mais tarde
Aceitaria isso. E o que antes pensei ser o meu fim, a minha desgraça,
Tornou-se a minha libertação, uma segunda oportunidade de começar
De novo.
E caminho por mim própria, com alguns medos, alguns receios e algumas
Certezas.
Sei onde vou? Não faço ideia.
Sei que quero ir nesta direcção? Sim.
O que vier, virá, e eu, finalmente parei para respirar. De novo.
09 outubro, 2009
O Paciente
Tantas horas esperei sentada nessa sala de espera.
Horas, horas e horas que vi passar por mim.
Olhei para as pessoas à minha volta, tentei decifrá-las
E desgastei ligeiramente o chão, de tanto andar de um lado
Para o outro. Impaciente.
Escuto o silêncio, ouço o eco dos passos noutro piso.
Onde está a vossa vida toda? Não é aqui o local para a encontrar.
Sem dúvida, mas podiam fazer um esforço. Pequeno esforço.
Que mudava tudo.
Todos os bancos são cinzentos, os vossos lugares todos iguais.
O meu destaca-se. Tem todas as cores. Um autêntico arco-íris.
A vossa cara inexpressiva. A minha ostenta um sorriso rasgado.
Eu rio-me às gargalhadas e vocês lançam-me olhares desaprovadores.
Esperei tanto tempo. Tantas horas desprovidas de alegria.
Afinal, esperei tanto tempo para quê? Esperei, esperei, esperei. Para quê?
Para dizer o óbvio? Para saber o que já sabia? Para ouvir o que não queria?
Para nada mudar a minha vida? Para não mudar a minha vida...
Vi o relógio adiantar-se a mim, durante muito tempo.
Para quê? Porque continuo a esperar? Porque é que continuo a abrandar
O passo? Tenho de sair daqui, tenho de correr pelas escadas e sair desta sala,
Deste sítio. Porque se esperar mais, corro o risco de ficar como vocês.
Quero sentir o sol, quero ser diferente de vocês. Ser a excepção à regra.
Quero ter vida dentro de mim.
Não quero ver o relógio a prosseguir à frente dos meus olhos, não quero esperar
Mais horas, horas e horas. Numa sala de espera...
Esperar para quê? Para saber o meu futuro? Guardem-no. Aproveitem-no.
Eu não quero saber. Não quero ver o tempo a passar. Eu, não quero esperar mais.
Esperar, para quê?...
Horas, horas e horas que vi passar por mim.
Olhei para as pessoas à minha volta, tentei decifrá-las
E desgastei ligeiramente o chão, de tanto andar de um lado
Para o outro. Impaciente.
Escuto o silêncio, ouço o eco dos passos noutro piso.
Onde está a vossa vida toda? Não é aqui o local para a encontrar.
Sem dúvida, mas podiam fazer um esforço. Pequeno esforço.
Que mudava tudo.
Todos os bancos são cinzentos, os vossos lugares todos iguais.
O meu destaca-se. Tem todas as cores. Um autêntico arco-íris.
A vossa cara inexpressiva. A minha ostenta um sorriso rasgado.
Eu rio-me às gargalhadas e vocês lançam-me olhares desaprovadores.
Esperei tanto tempo. Tantas horas desprovidas de alegria.
Afinal, esperei tanto tempo para quê? Esperei, esperei, esperei. Para quê?
Para dizer o óbvio? Para saber o que já sabia? Para ouvir o que não queria?
Para nada mudar a minha vida? Para não mudar a minha vida...
Vi o relógio adiantar-se a mim, durante muito tempo.
Para quê? Porque continuo a esperar? Porque é que continuo a abrandar
O passo? Tenho de sair daqui, tenho de correr pelas escadas e sair desta sala,
Deste sítio. Porque se esperar mais, corro o risco de ficar como vocês.
Quero sentir o sol, quero ser diferente de vocês. Ser a excepção à regra.
Quero ter vida dentro de mim.
Não quero ver o relógio a prosseguir à frente dos meus olhos, não quero esperar
Mais horas, horas e horas. Numa sala de espera...
Esperar para quê? Para saber o meu futuro? Guardem-no. Aproveitem-no.
Eu não quero saber. Não quero ver o tempo a passar. Eu, não quero esperar mais.
Esperar, para quê?...
06 outubro, 2009
The Outsider
Estou deitada no chão. Chão duro e frio.
Estou aqui deitada, porque me acalma.
Porque parece que não há mais nada a acontecer.
Deitada, tudo parece melhor. Mais calmo.
Não parece que o mundo vai ruir.
Tenho medo de me levantar porque assim que o
Fizer, o carrossel vai recomeçar. O carrossel não
Pára de girar. Tão rápido! E gira, gira e gira. E nunca pára!
Mesmo quando me tento equilibrar, há qualquer coisa que
Me manda ao chão, por isso fico aqui deitada.
A ver, de fora, o carrossel girar. E alegra-me. Saber que não
Estou naquele rodopio. Naquela azáfama infernal que nunca
Tem fim. É um ciclo. Gira, gira e gira.
Consigo sentir os efeitos de ter estado lá durante tanto tempo.
Sinto este vírus que anda por todo o lado. Propaga-se pelo ar.
Como consegues proteger-te desse mal invisível? É impossível.
E sabes que, mais tarde ou mais cedo vai chegar a tua vez.
Não podes fazer nada para o impedir. Limitas-te a esperar.
Simplesmente. De braços cruzados.
Sinto-o a entranhar-se na minha pele. A violar o meu ser.
A corromper-me com a sua doença.
A única coisa que queria era pelo menos respirar. Respirar a sério.
Sem ter de fingir, só para entreter o sangue.
Respirar de maneira a sentir que estou viva, e não morta.
Esse vírus anda por aí. Por todo o lado. Em cada esquina, em cada rua.
Espalha-se facilmente.
Como o impedes? Não impedes.
Estou aqui deitada, a pensar que talvez não esteja assim tão bem cá fora.
Talvez me deva levantar e tentar equilibrar-me durante um bocado.
Levanto os olhos e vejo o carrossel girar. Tão rápido...
Estou aqui deitada, porque me acalma.
Porque parece que não há mais nada a acontecer.
Deitada, tudo parece melhor. Mais calmo.
Não parece que o mundo vai ruir.
Tenho medo de me levantar porque assim que o
Fizer, o carrossel vai recomeçar. O carrossel não
Pára de girar. Tão rápido! E gira, gira e gira. E nunca pára!
Mesmo quando me tento equilibrar, há qualquer coisa que
Me manda ao chão, por isso fico aqui deitada.
A ver, de fora, o carrossel girar. E alegra-me. Saber que não
Estou naquele rodopio. Naquela azáfama infernal que nunca
Tem fim. É um ciclo. Gira, gira e gira.
Consigo sentir os efeitos de ter estado lá durante tanto tempo.
Sinto este vírus que anda por todo o lado. Propaga-se pelo ar.
Como consegues proteger-te desse mal invisível? É impossível.
E sabes que, mais tarde ou mais cedo vai chegar a tua vez.
Não podes fazer nada para o impedir. Limitas-te a esperar.
Simplesmente. De braços cruzados.
Sinto-o a entranhar-se na minha pele. A violar o meu ser.
A corromper-me com a sua doença.
A única coisa que queria era pelo menos respirar. Respirar a sério.
Sem ter de fingir, só para entreter o sangue.
Respirar de maneira a sentir que estou viva, e não morta.
Esse vírus anda por aí. Por todo o lado. Em cada esquina, em cada rua.
Espalha-se facilmente.
Como o impedes? Não impedes.
Estou aqui deitada, a pensar que talvez não esteja assim tão bem cá fora.
Talvez me deva levantar e tentar equilibrar-me durante um bocado.
Levanto os olhos e vejo o carrossel girar. Tão rápido...
05 outubro, 2009
Círculo Perfeito
Sete. O teu número. O número da perfeição.
Seis. São os passos a dar até às luzes.
Cinco. As tuas verdades, grandes verdades.
Quatro. Disseste-me olá e acenaste.
Três. Desapareceste.
Dois. Espero, suspensa no tempo.
Um. A espera deve acabar.
Debaixo deste céu encoberto,
Esperamos mais um pouco, por algo.
Em roda, neste círculo perfeito.
Onde estás? Quando chegas?
Estamos cá todos, só faltas cá tu.
Esperamos pela tua liderança.
Para nos guiares até às luzes. Passo a passo.
Estamos aqui, dispostos a aguardar pela tua presença.
Onde estás? Quando chegas?
Estamos dispostos a aguardar ao frio, à chuva que cai
Torrencialmente. Tudo para nos guiares até às luzes.
Até a casa. Aonde pertencemos.
Ainda bem que te encontrámos. Podíamos ainda estar na
Sombra triste das nossas almas. Na escuridão dos nossos
Seres, mas em vez disso, vieste salvar-nos. De nós próprios.
Da humanidade. Do teu Deus.
Porque esperas? Quando regressas para junto de nós?
Tu és o messias, o pastor, a nossa luz.
Estamos aqui, neste círculo perfeito, a sentir a chuva a inundar-nos
O corpo e a ânsia a consumir o nosso coração.
Onde estás? Mostra-nos o caminho. Indica-nos a direcção certa.
Levanta a tua luz bem alto, para a vermos.
Quando chegas? Nunca? Teremos de ficar aqui eternamente?
Leva-nos até casa, leva-nos de volta. Fazes isso?
Regressa! Chega aqui.
Sete. O teu número. A tua perfeição inútil.
Seis. Os passos de volta à escuridão.
Cinco. As tuas mentiras. Tuas grandes mentiras.
Quatro. Disse-te adeus e vim-me embora.
Três. Desapareci desse círculo incompleto, fanático, vicioso.
Dois. Sigo caminho, ainda suspensa no tempo.
Um. A minha esperança é enterrada.
Zero. A tua iluminação.
Sete foram os teus pecados. Pecados que nunca serão esquecidos,
Pecados que nunca serão perdoados.
Pecados imortais.
Seis. São os passos a dar até às luzes.
Cinco. As tuas verdades, grandes verdades.
Quatro. Disseste-me olá e acenaste.
Três. Desapareceste.
Dois. Espero, suspensa no tempo.
Um. A espera deve acabar.
Debaixo deste céu encoberto,
Esperamos mais um pouco, por algo.
Em roda, neste círculo perfeito.
Onde estás? Quando chegas?
Estamos cá todos, só faltas cá tu.
Esperamos pela tua liderança.
Para nos guiares até às luzes. Passo a passo.
Estamos aqui, dispostos a aguardar pela tua presença.
Onde estás? Quando chegas?
Estamos dispostos a aguardar ao frio, à chuva que cai
Torrencialmente. Tudo para nos guiares até às luzes.
Até a casa. Aonde pertencemos.
Ainda bem que te encontrámos. Podíamos ainda estar na
Sombra triste das nossas almas. Na escuridão dos nossos
Seres, mas em vez disso, vieste salvar-nos. De nós próprios.
Da humanidade. Do teu Deus.
Porque esperas? Quando regressas para junto de nós?
Tu és o messias, o pastor, a nossa luz.
Estamos aqui, neste círculo perfeito, a sentir a chuva a inundar-nos
O corpo e a ânsia a consumir o nosso coração.
Onde estás? Mostra-nos o caminho. Indica-nos a direcção certa.
Levanta a tua luz bem alto, para a vermos.
Quando chegas? Nunca? Teremos de ficar aqui eternamente?
Leva-nos até casa, leva-nos de volta. Fazes isso?
Regressa! Chega aqui.
Sete. O teu número. A tua perfeição inútil.
Seis. Os passos de volta à escuridão.
Cinco. As tuas mentiras. Tuas grandes mentiras.
Quatro. Disse-te adeus e vim-me embora.
Três. Desapareci desse círculo incompleto, fanático, vicioso.
Dois. Sigo caminho, ainda suspensa no tempo.
Um. A minha esperança é enterrada.
Zero. A tua iluminação.
Sete foram os teus pecados. Pecados que nunca serão esquecidos,
Pecados que nunca serão perdoados.
Pecados imortais.
04 outubro, 2009
Renascimento
«This body, holding me, reminding me that I am not alone»
Vejo o meu reflexo na água.
Esta não sou eu. É alguém diferente.
Este é somente o corpo que eu uso, que eu ocupo.
O corpo que me permite expandir-me.
É nesta forma que me encontro, de momento.
Só até conseguir progredir.
Eu escolho estar aqui, neste momento exacto.
Neste corpo. Onde não estou sozinha.
E sei que nunca vou estar, até me conseguir livrar dele.
Ele está a impedir-me, está a arruinar a minha ascensão.
Eu alimentei a minha vontade de sentir o momento.
O meu momento. E agora tenho de continuar.
O processo gradual vai ser difícil, mas tenho de me livrar
Deste corpo. Aonde estou presa. Enjaulada.
Consigo ouvir música, muito ao longe. Perco-me nela.
Estou no útero, outra vez. Num útero qualquer.
Aqui estou confortável. Aqui há escuridão. Aqui há aquela
Música que toca ao longe. Que me chama. Que me incita a
Sentir o momento. O meu momento. O momento de antecipação.
Da grande mudança. A subida. A ascenção.
Mas quando o momento chegar, vou ter de abandonar isto...
Não quero sair daqui! Do corpo onde ocorreu a minha gestação.
Onde me preparei.
Aqui só há escuridão e música.
Não há perigo, nem dificuldade nem tristeza.
Este corpo que outrora foi o meu túmulo, é agora o meu berço.
O local do meu renascimento. O local de partida para o regresso a casa.
O meu momento chegou. Estive tanto tempo ansiosa por ele e agora, só quero que passe.
Inspiro fundo. Vejo uma luz clara ao longe. Adapto-me a ela.
Sei que devo caminhar na sua direcção, mas tenho medo.
O chamamento da música regressa, mais forte que nunca.
A altura chegou. A minha altura.
Vou abandonar o meu lar provisório.
Mas sei que não é o fim.
É apenas um novo começo.
E eu voltarei.
«I choose to live»
Vejo o meu reflexo na água.
Esta não sou eu. É alguém diferente.
Este é somente o corpo que eu uso, que eu ocupo.
O corpo que me permite expandir-me.
É nesta forma que me encontro, de momento.
Só até conseguir progredir.
Eu escolho estar aqui, neste momento exacto.
Neste corpo. Onde não estou sozinha.
E sei que nunca vou estar, até me conseguir livrar dele.
Ele está a impedir-me, está a arruinar a minha ascensão.
Eu alimentei a minha vontade de sentir o momento.
O meu momento. E agora tenho de continuar.
O processo gradual vai ser difícil, mas tenho de me livrar
Deste corpo. Aonde estou presa. Enjaulada.
Consigo ouvir música, muito ao longe. Perco-me nela.
Estou no útero, outra vez. Num útero qualquer.
Aqui estou confortável. Aqui há escuridão. Aqui há aquela
Música que toca ao longe. Que me chama. Que me incita a
Sentir o momento. O meu momento. O momento de antecipação.
Da grande mudança. A subida. A ascenção.
Mas quando o momento chegar, vou ter de abandonar isto...
Não quero sair daqui! Do corpo onde ocorreu a minha gestação.
Onde me preparei.
Aqui só há escuridão e música.
Não há perigo, nem dificuldade nem tristeza.
Este corpo que outrora foi o meu túmulo, é agora o meu berço.
O local do meu renascimento. O local de partida para o regresso a casa.
O meu momento chegou. Estive tanto tempo ansiosa por ele e agora, só quero que passe.
Inspiro fundo. Vejo uma luz clara ao longe. Adapto-me a ela.
Sei que devo caminhar na sua direcção, mas tenho medo.
O chamamento da música regressa, mais forte que nunca.
A altura chegou. A minha altura.
Vou abandonar o meu lar provisório.
Mas sei que não é o fim.
É apenas um novo começo.
E eu voltarei.
«I choose to live»
03 outubro, 2009
Monólogo dos Céus
«Quando a última árvore tiver caído,
Quando o último rio tiver secado,
Quando o último peixe tiver sido pescado,
Então entenderão que o dinheiro não se come.»
Estou aqui sentada nesta nuvem.
Nuvem branca, macia e húmida.
Aqui consigo chegar até onde quiser.
Daqui, consigo ouvir-vos a lamentarem-se.
Aí em baixo.
Queixam-me para quê? São vocês que causam
A vossa destruição.
Revoltam-se porquê? São vocês que estão a cavar
As vossas sepulturas.
São os espectadores do trabalho da mãe Natureza.
Tufões, ciclones, tornados, tsunamis...Todos vos afectam.
Mas ficam quietos a observar. Pensam que resistem a tudo,
Não é? Nem sempre, nem sempre...
E como se não bastasse, não se limitam a assistir.
Ajudam-me, todos os dias.
Emitem gases para a atmosfera, poluem o ar, a água, a terra.
Aonde querem chegar?
Pensam que quando precisarem, eu vou estar aqui para atender
As vossas preces? Estão redondamente enganados.
Quando se arrependerem, será tarde de mais. E eu, não vou
Reparar os danos que vocês causaram.
Lamentam-se por que razão? São vocês que trabalham incansavelmente
Para a vossa extinção.
Água, ar, terra, fogo. Precisam de os ter a todos! Precisam de os controlar,
De alguma maneira. De gastá-los, de os poluir. De fazer tudo a que "têm direito".
Ao fazerem isso, só me estão a enfurecer.
Acham que o Katrina não foi um sinal?
Continuem, então...Mas lembrem-se, que as vossas preces não vão ser atendidas
Para sempre.
Estou sentada nesta nuvem, podia ser noutra qualquer.
Daqui contemplo os gestos da humanidade.
Daqui ouço, já, antecipadamente o vosso elogio.
Porque estão tão surpreendidos? Eu disse que este dia ia chegar.
Eu profetizei-o. Eu avisei-vos.
Deviam ter-me ouvido.
Deviam-me ter escutado. A mim, mãe Natureza.
(Elogio - texto lido no funeral de alguém que se destina a falar sobre a pessoa que faleceu)
Quando o último rio tiver secado,
Quando o último peixe tiver sido pescado,
Então entenderão que o dinheiro não se come.»
Estou aqui sentada nesta nuvem.
Nuvem branca, macia e húmida.
Aqui consigo chegar até onde quiser.
Daqui, consigo ouvir-vos a lamentarem-se.
Aí em baixo.
Queixam-me para quê? São vocês que causam
A vossa destruição.
Revoltam-se porquê? São vocês que estão a cavar
As vossas sepulturas.
São os espectadores do trabalho da mãe Natureza.
Tufões, ciclones, tornados, tsunamis...Todos vos afectam.
Mas ficam quietos a observar. Pensam que resistem a tudo,
Não é? Nem sempre, nem sempre...
E como se não bastasse, não se limitam a assistir.
Ajudam-me, todos os dias.
Emitem gases para a atmosfera, poluem o ar, a água, a terra.
Aonde querem chegar?
Pensam que quando precisarem, eu vou estar aqui para atender
As vossas preces? Estão redondamente enganados.
Quando se arrependerem, será tarde de mais. E eu, não vou
Reparar os danos que vocês causaram.
Lamentam-se por que razão? São vocês que trabalham incansavelmente
Para a vossa extinção.
Água, ar, terra, fogo. Precisam de os ter a todos! Precisam de os controlar,
De alguma maneira. De gastá-los, de os poluir. De fazer tudo a que "têm direito".
Ao fazerem isso, só me estão a enfurecer.
Acham que o Katrina não foi um sinal?
Continuem, então...Mas lembrem-se, que as vossas preces não vão ser atendidas
Para sempre.
Estou sentada nesta nuvem, podia ser noutra qualquer.
Daqui contemplo os gestos da humanidade.
Daqui ouço, já, antecipadamente o vosso elogio.
Porque estão tão surpreendidos? Eu disse que este dia ia chegar.
Eu profetizei-o. Eu avisei-vos.
Deviam ter-me ouvido.
Deviam-me ter escutado. A mim, mãe Natureza.
(Elogio - texto lido no funeral de alguém que se destina a falar sobre a pessoa que faleceu)
02 outubro, 2009
A Outra Face
«Só sei que nada sei»
Dás voltas e voltas à cabeça.
Tentas perceber isto.
As portas fecham-se por si mesmas?
As janelas abrem-se?
A televisão liga e desliga?
Que se passa? Estás com medo?
Olhas em redor. Não está ninguém por perto.
Só tu...
Trancas a porta, fechas as janelas.
Será mesmo seguro?
Lembra-te do básico, lembra-te da essência
Do teu ser. Eu vejo-te, mas tu não me poder ver.
Estarás mesmo sozinho?
Uma rajada de vento volta a abrir tudo o que fechaste.
Sou teimosa não sou?
As folhas voam, os móveis, os electrodomésticos.
Tudo flutua no ar. Assim é que eu gosto.
O caos. A tua cara com uma expressão de terror.
Olhas em todas as direcções. O que se passa?
Eu sou o teu pior pesadelo.
Rio-me às gargalhadas. Se visses a tua figura!
Sais de casa e desces as escadas. Corres tão rápido!
Parece que foges do demónio. Vai com calma!
Eu vou, de facto, atrás de ti. Mas eu adianto-me, e espero-te
Cá em baixo.
Quando vês o elevador encravado no piso 13 entras em pânico.
Como é possível? Vives no andar mais alto, o 7º.
Uma pessoa dirige-se à porta. Respiras fundo. Tudo vai voltar ao normal.
Olhas e vês que ela traz o seu próprio cérebro na mão. Sorri-te.
Tu abres a boca horrorizado e sais a correr para a rua.
Está a chover sangue. Os semáforos não funcionam. Vê-se fumo por todo o
Lado. Ouvem-se alarmes de carros, alarmes de lojas.
Todas as pessoas sofreram mutações altamente impossíveis.
O surrealismo reina por toda a parte!
Tu recuas assustado até ficares contra uma parede.
Oh! Não é uma parede. É um espelho. Soltas um grito.
Estás reflectido nele. E a tua cara é simplesmente uma massa heterógenea.
Eu sou a face do mal. Do teu mal.
Olhas para baixo e vês sangue nas tuas mãos, na tua roupa.
Que foste fazer?
Rio-me às gargalhadas. Se te visses! Como és fraco! Eu fiz o que querias fazer.
Foste tu! Tu é que quiseste o caos, a destruição, o fim de tudo. Tudo o que não devia existir.
Percebes agora? Talvez não...Estás em choque. Tanta informação...
Faço-te um último favor. Um favor a ti próprio.
Ouve a voz que te diz ao ouvido: está tudo na tua cabeça.
«Atreves-te a abrir a caixa de Pandora?»
Dás voltas e voltas à cabeça.
Tentas perceber isto.
As portas fecham-se por si mesmas?
As janelas abrem-se?
A televisão liga e desliga?
Que se passa? Estás com medo?
Olhas em redor. Não está ninguém por perto.
Só tu...
Trancas a porta, fechas as janelas.
Será mesmo seguro?
Lembra-te do básico, lembra-te da essência
Do teu ser. Eu vejo-te, mas tu não me poder ver.
Estarás mesmo sozinho?
Uma rajada de vento volta a abrir tudo o que fechaste.
Sou teimosa não sou?
As folhas voam, os móveis, os electrodomésticos.
Tudo flutua no ar. Assim é que eu gosto.
O caos. A tua cara com uma expressão de terror.
Olhas em todas as direcções. O que se passa?
Eu sou o teu pior pesadelo.
Rio-me às gargalhadas. Se visses a tua figura!
Sais de casa e desces as escadas. Corres tão rápido!
Parece que foges do demónio. Vai com calma!
Eu vou, de facto, atrás de ti. Mas eu adianto-me, e espero-te
Cá em baixo.
Quando vês o elevador encravado no piso 13 entras em pânico.
Como é possível? Vives no andar mais alto, o 7º.
Uma pessoa dirige-se à porta. Respiras fundo. Tudo vai voltar ao normal.
Olhas e vês que ela traz o seu próprio cérebro na mão. Sorri-te.
Tu abres a boca horrorizado e sais a correr para a rua.
Está a chover sangue. Os semáforos não funcionam. Vê-se fumo por todo o
Lado. Ouvem-se alarmes de carros, alarmes de lojas.
Todas as pessoas sofreram mutações altamente impossíveis.
O surrealismo reina por toda a parte!
Tu recuas assustado até ficares contra uma parede.
Oh! Não é uma parede. É um espelho. Soltas um grito.
Estás reflectido nele. E a tua cara é simplesmente uma massa heterógenea.
Eu sou a face do mal. Do teu mal.
Olhas para baixo e vês sangue nas tuas mãos, na tua roupa.
Que foste fazer?
Rio-me às gargalhadas. Se te visses! Como és fraco! Eu fiz o que querias fazer.
Foste tu! Tu é que quiseste o caos, a destruição, o fim de tudo. Tudo o que não devia existir.
Percebes agora? Talvez não...Estás em choque. Tanta informação...
Faço-te um último favor. Um favor a ti próprio.
Ouve a voz que te diz ao ouvido: está tudo na tua cabeça.
«Atreves-te a abrir a caixa de Pandora?»
01 outubro, 2009
Data de Expiração
Tenho o meu mundo ao contrário.
Ou devo ter...
A minha gravidade está completamente
Desregulada.
Voo em pensamento, voo fora dele, voo
Para bem longe daqui.
Aqui o que me sobra é vislumbrar-te ao longe,
E tentar.
Pareces ter tanto para me dizer, portanto, porque
É que não dizes? Pareces prestes a revelar-me o
Teu mundo. Então porque não revelas?
Tudo está reduzido a cinzas nesta altura.
Porque todas as coisas boas acabam.
Têm um fim, uma data de expiração.
Porque é que é assim?
Subitamente, encontro-me num realidade diferente.
E procuro por ti, mas por alguma razão inconcebível,
Não estás lá! Ajudas-me a perceber porquê?
Tu és tu, eu sou eu. Se não fosse assim, não era justo.
Mas eu nunca te pedi para seres aquilo que eu queria que fosses.
Apenas te pedi que tentasses. Eu senti-me impotente ao ver-te,
Sem poder fazer nada, só te pedi para tentares.
Bato as asas e procuro um novo lar. Onde possa aprender tudo
Aquilo que me falta saber.
Ensinas-me? Ajudas-me a perceber o porquê?
Porque é que todas as coisas boas chegam ao fim. Porque é que
Não aproveitamos todos os momentos que vivemos.
Nunca se sabe se a seguir vem uma tempestade, para destruir tudo
O que tão pacientemente construímos.
A minha separou-me de ti e afundou o que tínhamos construído.
Tudo o que eu fiz foi tentar, e pedi-te que tentasses. Fizeste isso?
Tentaste?
Ou devo ter...
A minha gravidade está completamente
Desregulada.
Voo em pensamento, voo fora dele, voo
Para bem longe daqui.
Aqui o que me sobra é vislumbrar-te ao longe,
E tentar.
Pareces ter tanto para me dizer, portanto, porque
É que não dizes? Pareces prestes a revelar-me o
Teu mundo. Então porque não revelas?
Tudo está reduzido a cinzas nesta altura.
Porque todas as coisas boas acabam.
Têm um fim, uma data de expiração.
Porque é que é assim?
Subitamente, encontro-me num realidade diferente.
E procuro por ti, mas por alguma razão inconcebível,
Não estás lá! Ajudas-me a perceber porquê?
Tu és tu, eu sou eu. Se não fosse assim, não era justo.
Mas eu nunca te pedi para seres aquilo que eu queria que fosses.
Apenas te pedi que tentasses. Eu senti-me impotente ao ver-te,
Sem poder fazer nada, só te pedi para tentares.
Bato as asas e procuro um novo lar. Onde possa aprender tudo
Aquilo que me falta saber.
Ensinas-me? Ajudas-me a perceber o porquê?
Porque é que todas as coisas boas chegam ao fim. Porque é que
Não aproveitamos todos os momentos que vivemos.
Nunca se sabe se a seguir vem uma tempestade, para destruir tudo
O que tão pacientemente construímos.
A minha separou-me de ti e afundou o que tínhamos construído.
Tudo o que eu fiz foi tentar, e pedi-te que tentasses. Fizeste isso?
Tentaste?
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