«Só sei que nada sei»
Dás voltas e voltas à cabeça.
Tentas perceber isto.
As portas fecham-se por si mesmas?
As janelas abrem-se?
A televisão liga e desliga?
Que se passa? Estás com medo?
Olhas em redor. Não está ninguém por perto.
Só tu...
Trancas a porta, fechas as janelas.
Será mesmo seguro?
Lembra-te do básico, lembra-te da essência
Do teu ser. Eu vejo-te, mas tu não me poder ver.
Estarás mesmo sozinho?
Uma rajada de vento volta a abrir tudo o que fechaste.
Sou teimosa não sou?
As folhas voam, os móveis, os electrodomésticos.
Tudo flutua no ar. Assim é que eu gosto.
O caos. A tua cara com uma expressão de terror.
Olhas em todas as direcções. O que se passa?
Eu sou o teu pior pesadelo.
Rio-me às gargalhadas. Se visses a tua figura!
Sais de casa e desces as escadas. Corres tão rápido!
Parece que foges do demónio. Vai com calma!
Eu vou, de facto, atrás de ti. Mas eu adianto-me, e espero-te
Cá em baixo.
Quando vês o elevador encravado no piso 13 entras em pânico.
Como é possível? Vives no andar mais alto, o 7º.
Uma pessoa dirige-se à porta. Respiras fundo. Tudo vai voltar ao normal.
Olhas e vês que ela traz o seu próprio cérebro na mão. Sorri-te.
Tu abres a boca horrorizado e sais a correr para a rua.
Está a chover sangue. Os semáforos não funcionam. Vê-se fumo por todo o
Lado. Ouvem-se alarmes de carros, alarmes de lojas.
Todas as pessoas sofreram mutações altamente impossíveis.
O surrealismo reina por toda a parte!
Tu recuas assustado até ficares contra uma parede.
Oh! Não é uma parede. É um espelho. Soltas um grito.
Estás reflectido nele. E a tua cara é simplesmente uma massa heterógenea.
Eu sou a face do mal. Do teu mal.
Olhas para baixo e vês sangue nas tuas mãos, na tua roupa.
Que foste fazer?
Rio-me às gargalhadas. Se te visses! Como és fraco! Eu fiz o que querias fazer.
Foste tu! Tu é que quiseste o caos, a destruição, o fim de tudo. Tudo o que não devia existir.
Percebes agora? Talvez não...Estás em choque. Tanta informação...
Faço-te um último favor. Um favor a ti próprio.
Ouve a voz que te diz ao ouvido: está tudo na tua cabeça.
«Atreves-te a abrir a caixa de Pandora?»
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