Não posso! Não posso olhar à minha volta.
Sei que não posso, mas estou sempre a fazê-lo.
Continuamente, sempre o mesmo erro.
Sei que não devo. Sei que não quero! Mas olho.
Olho para quê? Para ver o que não quero. Olho para descobrir coisas que não queria saber.
Olho e nada vejo. Vejo tudo, tanta coisa! Mas nada me interessa. Nem devia interessar.
Como posso não olhar? Tento convencer-me de que não quero, que é melhor não, que já não me interessa, mas na verdade lá bem no fundo de verdade, quero olhar. Quero saber.
Quero respostas, tantas respostas que procuro! E no entanto, ao olhar, não as encontro. Apenas gero mais perguntas. Fico neste ciclo sem fim, a questionar.
Esta constante sensação de que já ouvi isso, já vi isso persegue-me. E mesmo que corra, que serpenteie por caminhos estreitos, ela encontra-me sempre e começamos onde tínhamos acabado.
O olhar. Para todos os lados, à hora completamente errada. Ouvir sem querer, tudo o que não me convém.
No teu olhar, é onde me perco. E já lá vi imensas coisas. Quero ver ainda mais.
Nos teus olhos, doces olhos que me sorriem!
Que me fazem olhar, mesmo quando não quero.
Gesto involuntário, prisioneira da tua vontade. Do teu olhar que me encaminha para sítios que nunca pensei existirem. E perco-me lá, às vezes.
Tento encontrar o caminho de volta a ti, mas não consigo.
Então deixo-te ir. E penso que nunca mais verei os teus olhos, lindos olhos que sorriam para mim.
Tento esquecê-los, apagá-los da minha memória.
Tento não lembrar o teu doce olhar.
E quando penso que já esqueci, quando penso que já não me interessam, voltas a aparecer no meu campo de visão. A testar o meu auto-controlo de te olhar.
E eu não olho. Tenho de olhar sempre em frente, para não haver tentações. Custa, como custa! Mas tem de ser.
Foste tu que me expulsaste dos teus olhos, e desta vez deixarei de cometer o mesmo erro.
Deixarei de te ver, deixarei de te olhar.
Para sempre.
1 comentário:
E este texto...muito resumidamente, acaba por fazer lembrar uma altura "má" da minha...
Não sei se foi tua intenção, mas neste texto interpreto várias fases\partes, umas boas e más. E gostei disso, a capacidade como mudas do "bom" para o "mau" e vice versa, foi tão suave, quase imperceptivel.
Mas não queiras viver num estado permanente de 'dejá vú'. Muda o que tem de ser mudado. E não tenhas medo.
(Love you)Keep going. Spiral out.
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