O que fazes? Segues o teu impulso?
Corres o mais rápido que consegues?
Mesmo que uma voz te diga para ficares? Para aguentares firme durante o furacão.
Sentes o comboio a vir na tua direcção. Queres sair daí, fugir, mas sabes que não deves.
Vais à mesma? Ou ficas ao lado dela? Fazes o que é correcto?
Mesmo que tenhas de enfrentar medos, fazer sacríficios e aguentar a tua dor? A dor dela.
Só te queres afastar e pensas que só um louco não o faria.
O teu amor por ela nem sequer se poderia medir, no entanto, sentes uma vontade enorme de desaparecer para bem longe.
Estás assustado, é normal.
Tens de enfrentar medos, tens de fazer coisas que não queres. Mas fazes. Por ela farias tudo. Tudo!
Sorris quando queres chorar, dás-lhe força quando estás prestes a desintegrar-te em pedaços.
Mas aguentas. Por ela. Por ti.
E se pudesses desejavas que tudo o que tens, desaparecesse se isso a curasse. Porque todos os dias estás à cabeceira dela, a dar-lhe a mão, a ajudá-la e tu vês o que ela sofre. E dás-lhe força.
E queres que ela lute até ao fim.
Ela diz-te que está cansada, mas tu não a deixas desistir.
Estás desesperado. Pedes a Deus, oras a quem não acreditas. Pedes que ele vele por ela, que a salve.
Precisas de um milagre. Por ela, mas principalmente por ti.
Ela diz-te que já está farta de ter veneno a correr-lhe nas veias. De ter o próprio corpo a atacá-la.
Tu pedes para ela lutar só mais um bocadinho. Que em breve tudo estará bem.
E percebes que isso não é viver. É simplesmente adiar a morte. A tua, mas principalmente a dela.
Acentes. Dizes-lhe que chegou a hora de descansar.
Pedes a Deus que a guie a casa, onde ela pertence. Onde ela merece estar.
Porque embora tenhas assistido e sentido dor, essa dor é só dela e foi só ela que a sentiu. Que a suportou. Ninguém esteve mesmo no seu lugar. Não como ela esteve.
Esperas que ela alcance um lugar superior, um lugar melhor.
O repouso que ela merece. Que lhe pertence.
Dás-lhe a mão e dizes que está tudo bem. Que ela pode seguir em frente. Na direcção da luz
brilhante e acolhedora.Porque és tu que estás ao lado dela. És tu que tens de a ajudar uma última vez. Antes de poderes pensar em ti.
Guia-a, uma última vez. Vê-a ganhar asas e ascender ao outro mundo.
Ela está bem agora. E consegue ver-te. Diz-te para sofreres por ela, mas não por muito tempo.
Depois tenta seguir a tua vida. E sempre que te sentires perdido, olha para o céu.
Ela guiar-te-á como tu outrora fizeste.
1 comentário:
Gostei muito do poema, e se ter ser de consolação: estás de "volta".
Gostei da ideia. Nunca a senti, não quero sentir, mas não o que me espera...Mas compreendo. E penso que a terás descrito lindamente.
Mais uma vez colocaste tudo no seu devido sitio. E conseguiste ainda ser original. Algo de importante nos dias que correm.
A sublinhar:
"E percebes que isso não é viver. É simplesmente adiar a morte."
"Ela guiar-te-á como tu outrora fizeste."
Magnifique. Keep going..
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