Sento-me.
Procuro por ti mas ainda não chegaste.
Ainda não me conseguiste alcançar.
O tédio é algo que detesto, e tu fazes me esperar por ti.
Apanha-me, se puderes.
Estás perto, muito perto mais vais ter de te esforçar mais um bocado.
Queres que atrase o passo?
Posso ir mais devagar ou escolher caminhos mais longos, se preferires.
Subo montanhas, desço vales e passo falésias, só para me encontrares.
Apanha-me, se puderes.
Aqui estou eu, pronta a ser apanhada.
Eu não corro, eu não tenho pressa, e no entanto tu nunca mais chegas.
Se eu pudesse, ficava parada num sítio qualquer. Mas não posso.
Temos de passar por esta provação. Só esta, prometo.
Vá lá, apressa-te! Estás perto, tão perto! E tão distante...
Eu sei que me consegues apanhar, portanto porque é que ainda não chegaste aqui?
Odeio esta maldição! Ter de correr sempre contra o tempo!
Estou farta de andar em círculos, às voltas a tentar encontrar-te.
Mas és tu que tens de me encontrar!
És tu que tens de correr, mover mundos e galáxias para me alcançares. És tu!
E eu sei que as peças encaixam. Têm de encaixar.
Porque não podemos continuar sempre nesta espiral sem fim.
Talvez ela vá dar a algum sítio. Um sítio onde nunca ninguém esteve.
Para o descobrirmos, tens de te apressar! Por favor.
Eu estou pronta para ser apanhada. Consegues apanhar-me?
1 comentário:
Adorei o poema, e gostei de o ler em voz alta, como sempre.
Gostei da ideia e adorei o sentimento.
A sensação, que descreves, colocando na minha pessoa, até a gosto de imaginar...mas não em demasia. Na prática é como tu o dizes...Não me importo que fujam de mim (no sentido oposto do teu poema) desde que no fim consiga alcançar. E não me importo que corram muito...desde que me apanhei.
Grande poema,
Mantem a espiral a rodar... Beijo
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