Estou deitada no chão. Chão duro e frio.
Estou aqui deitada, porque me acalma.
Porque parece que não há mais nada a acontecer.
Deitada, tudo parece melhor. Mais calmo.
Não parece que o mundo vai ruir.
Tenho medo de me levantar porque assim que o
Fizer, o carrossel vai recomeçar. O carrossel não
Pára de girar. Tão rápido! E gira, gira e gira. E nunca pára!
Mesmo quando me tento equilibrar, há qualquer coisa que
Me manda ao chão, por isso fico aqui deitada.
A ver, de fora, o carrossel girar. E alegra-me. Saber que não
Estou naquele rodopio. Naquela azáfama infernal que nunca
Tem fim. É um ciclo. Gira, gira e gira.
Consigo sentir os efeitos de ter estado lá durante tanto tempo.
Sinto este vírus que anda por todo o lado. Propaga-se pelo ar.
Como consegues proteger-te desse mal invisível? É impossível.
E sabes que, mais tarde ou mais cedo vai chegar a tua vez.
Não podes fazer nada para o impedir. Limitas-te a esperar.
Simplesmente. De braços cruzados.
Sinto-o a entranhar-se na minha pele. A violar o meu ser.
A corromper-me com a sua doença.
A única coisa que queria era pelo menos respirar. Respirar a sério.
Sem ter de fingir, só para entreter o sangue.
Respirar de maneira a sentir que estou viva, e não morta.
Esse vírus anda por aí. Por todo o lado. Em cada esquina, em cada rua.
Espalha-se facilmente.
Como o impedes? Não impedes.
Estou aqui deitada, a pensar que talvez não esteja assim tão bem cá fora.
Talvez me deva levantar e tentar equilibrar-me durante um bocado.
Levanto os olhos e vejo o carrossel girar. Tão rápido...
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