29 maio, 2010
Coração de Cristal (continuação de Konstantine)
Podias estar perdida, mas isso não te interessa, queres é viver o momento.
Sorris e fechas os olhos. Nada te faz falta, nada te impede de vires aqui. Não deixaste nada por dizer ou ouvir, tudo foi dito e feito.
Sol ou chuva, frio ou calor, vens a este sítio sempre que podes. Faz-te acreditar que estás mais perto do céu. Faz-te crer que ainda tens algo a perder.
Sorris e corres. Não foges de ninguém porque ninguém te quer apanhar nem tu queres ser apanhada. Corres pelo prazer de sentir o incrível sabor do vento nas tuas vias respiratórias. Corres pela sensação de sentir as ervas altas a tocar-te levemente na ponta dos dedos.
Estás num mundo só teu que apesar de tudo tem muita gente. Como consegues apagar o mundo inteiro só com a tua presença? Como é que consegues criar essa aura à tua volta, esse brilho de felicidade que irradia de ti, esse cheiro a flores do prado que a tua pele absorve, esses olhos que brilham tanto que às vezes acreditava serem estrelas?!
Fecho os olhos e capto a visão do prado contigo a dançar no teu vestido de pregas, a rir bem alto, com o cabelo a gritar de energia ao sabor do vento feroz.
Sim eu lembro-me. Eras tu Konstantine, foste sempre tu.
E eu via-te deliciado, com um sorriso de originar um clarão no meio da noite escura, só por te poder ver feliz.
Mas isso era no tempo em que para ti, eu não passava de uma tela em branco, uma figura ofuscada pela tua enevoada presença.
Nesse tempo eu era apenas um rapaz que só ansiava pelo dia em que te podia ver ser livre. Era aí que a minha felicidade residia.
E mesmo quando te tinha nos meus braços, nunca esqueci aquela imagem que retratava a tua essência. Aquela era a tua alma, o lugar onde pertencias.
Por vezes acreditava completamente que tinhas nascido em cima de uma nuvem, do ventre de um anjo e que os deuses te tinham colocado nesse prado, até eu te encontrar. Estavas lá à minha espera, não foi Konstantine?
Que saudades tenho de te olhar nos olhos e sentir que conhecia o fundo do teu mar interior. Que saudades!
Apesar delas, sei viver com as nossas memórias. São tantas e tão vívidas que davam para encher salões inteiros com imagens e palavras.
São tão verdadeiras que fazem com que o meu coração me caia aos pés para se estilhaçar.
E os cortes que os vidros fizeram?! Que dor que me causaram! E ainda assim, mal os senti, tal era a mágoa e o desespero.
Nem os senti...Não faz mal Konstantine, eu já voltei a colar todos os pedaços.
Bons sonhos.
To be continued...
25 maio, 2010
Para Além de Mim (later-alus?)
Estava a ser embalada, estava a deixar-me ir.
No preto, no branco e depois, no vermelho
Fui embalada, fui iluminada pela mão que me guiou.
Fui guiada? Ou cheguei até lá por mim própria?
Não sei dizer. Acho que nunca ninguém saberá.
Em cada frase, em cada palavra, em cada nota
Musical eu senti os universos que nunca vi.
Os sonhos que nunca sonhei, as pessoas que
Nunca conheci e os sentimentos que ainda
Só penso em viver.
Se vi isto tudo? Sim. E muito mais.
Eu vi para além do concreto, eu vi para além
Do abstracto, eu vi para além de tudo!
Eu conquistei o que todos sonharam conquistar,
Eu fui além da terra e além do mar.
Eu fui onde mais ninguém vai.
Como fui lá parar? Nem eu sei.
Sei que segui a espiral ascendente que me
Levou a criar mais, a querer mais.
Que me levou a sentir o momento, o meu momento.
Que me incitou a gritar mais alto até superar o som.
Caminhei, subi, exausta de me arrastar.
Exausta de carregar o meu ego já destruído
E em chamas. Cheguei até lá, e esperei.
Esperei que alguma coisa acontecesse. Qualquer coisa.
Depois de me gastar em esperas inúteis, finalmente
Percebi.
Finalmente cheguei ao ponto onde tudo é amarelo,
Onde cheira a felicidade,
Sinto o calor que vem de dentro do planeta,
Sinto o sabor de um pedaço de céu,
Ainda com os pés assentes na terra.
Para onde vou? Para onde fui?
Se me perguntassem, diria que voei.
Mas não, consegui ir muito além do meu mundo,
Sem sair deste quarto, desta cidade, desta terra.
Consegui existir fora de mim, numa dimensão divina
Que não me pertence e que eu não controlo.
Sim, eu alcancei-a. Eu alcancei por nove minutos
A iluminação mais soberba de sempre.
O conforto mais impensável, durante escassos minutos
Foi-me concedido, e é uma viagem que pretendo continuar
A fazer, porque a espiral, não tem fim.
«Spiral out, keep going»
23 maio, 2010
Desaparecida
Na minha direcção.
Um faz de conta infindável,
Que no fim, só levou a desilusão.
Afinal, porque estou aqui?
Já entendi tudo o que queria,
Fiz o que tinha a fazer.
Já imaginei o que podia.
Agora é tudo cinza, pó disfarçado.
É tudo agonia, é tudo transtorno,
É viagem de ida, sem retorno.
Simples pedaço do destino traçado.
E eu? Esqueço tudo, apago tudo
O que há para apagar.
Fecho os olhos, sinto o vento
E ouço o mar.
As lágrimas teimam em contrariar-me.
Teimam em tocar o chão.
Envolvem-me com silêncio
E em profunda solidão.
Estas lágrimas não são para ti,
Nem tu as merecias.
Fazem parte de um desses dias
Em que só tenho vontade de calar
A razão, e desaparecer.
20 maio, 2010
Ferramenta
Após os acontecimentos marcantes desse dia sonhado e irreal, volto ao seu calor acolhedor.
Acabo sempre por voltar à minha útil e preciosa ferramenta.
Sem ela, como é que eu seria embalada até a esse mundo, o meu mundo? Como teria entrado na espiral?
Demorei tanto tempo a perceber, andei durante tanto tempo perdida...Afinal o que me aconteceu?
Caí no buraco de tempo que eu própria criei. Deixei-me iludir pelo meu ódio e ganância de ser mais. Inveja? Essa não me corrompeu, ainda.
Vejo a ferramenta a brilhar, no meu ser. Tão preciosa, tão grandiosa, tão minha! Tão minha que nem acredito. Penso que estará arruinada em breve, de tanto a querer. De tanto a precisar, ela quase deixou de existir.
E eu? Fiquei aqui a odiar-me. Como é bom odiar-me! Tem um sabor puro de auto-conhecimento e destruição. Sabe a amor - próprio.
Fiquei aqui neste tédio palpável onde nem conseguia abrir os olhos com o horror. Onde nem conseguia pensar ou respirar. Precisei de mais e consegui sair, mas até onde?
Onde é o agora? É depois da prisão mas antes da liberdade do que tenho dentro de mim.
Como é que isso me pode importar? Eu tenho é de continuar a escavar. Até quando? Até encontrar algo que seja suficiente, até algo que me leve desta dimensão entediante, para casa.
Para o meu centro que reluz e que me incita a escavar mais fundo até encontrar o que preciso.
Mas já não sei o que quero, já nem sei quem sou.
Odeio-me por isso? Talvez. Mas sei que pelo menos sinto um ódio e uma raiva crescentes, à espera de explodirem, seja com quem for.
O ódio sabe a limão (naquele dia soube) e cheira a calor. Drena-me todas as forças (que gasto a odiar-me), fazendo-me abraçar o chão apenas.
O que faço eu aqui? O que me aconteceu?
Já não sei. Acho que nunca soube.
Tudo o que talvez saiba é que quero a minha ferramenta. Preciso dela como tudo o que me resta. Sem ela, perco tudo, perco-me.
Sem ela, esta dor que é ilusão, transforma-se em certeza. Transforma-se em ardor que me queima desde as cordas vocais até ao coração.
Eu sei que não sou imortal, mas gosto de me fingir eterna. Eu sei, eu sei...
Afinal, percebi que não é a cavar que vou chegar lá. É através da ligação a ela, ao meu poderoso segredo. É através do seu acolhimento, do meu afecto por ela, por aceitá-la como o meu centro, como
Tudo
O que
O Homem
Leva dentro de si, a toda a hora.
Nasceu connosco, e no entanto, passamos a nossa vida inteira a rejeitá-la. Porquê? Porque é que insistimos em não a usar? Em não a aceitar como parte de nós?
O medo é grande, a ignorância também e tudo o que vos interessa hoje em dia vem através de algarismos, todos os meses.
O que é que eu quero, o que é que preciso?
Ainda não sei bem (para além Dela), mas sei que o que quer que seja, não está à venda e nunca se poderá comprar.
17 maio, 2010
The Hollow
(Também em http://versologista.blogspot.com/)
Corre, porque sei que te posso apanhar.
Corre porque eu sei que te quero apanhar
Mas não posso. Porquê?
Talvez não saibas, mas ando há muito a tentar.
Tentar preencher este vazio que sinto dentro de mim
Dentro da minha alma, dentro do meu sangue.
Dentro do que sobrou dos meus restos mortais.
Sim, eu sei o que quero
Mas também sei que é exactamente o que não posso ter.
Talvez por isso seja tão atractivo, talvez por isso,
Me chame tanto à atenção.
Corre e perfura-me o coração, mas ele ainda bate.
Corre e chama por mim, como nunca.
Vá lá, se ao menos acalmasses este vazio que eu sinto...
Está na altura de acabar com esta tortura mórbida!
Eu já não sinto muito, mas sei o que sinto
E é este vazio eterno, infinito, sem limites que me enche
Que me embala, que me atormenta
É o vazio que me faz querer mais, ao mesmo tempo que não o quero
Consegues calá-lo? Consegues calar a vontade que não cessa de gritar
Aos meus ouvidos, por uma cura?
Diz-me que sim, diz-me que desejas colar as minhas peças
Que entretanto se espalharam pelo chão...
Diz-me que queres correr, para seres tu a apanhar-me
Diz-me que queres acalmar esta sede, esta paixão de tudo
Que só deixa aqui o nada
Diz-me que sim, que consegues calar o desejo de apagar o vazio,
Diz-me que que já não
estou...
...vazia
14 maio, 2010
Change
Mas até estava. E foi preciso pelo menos uma semana, muitos pensamentos e uma conversa à partida superficial, que se revelou profunda, para eu mudar a minha perspectiva drasticamente. Para eu mudar.
A vida às vezes é mesmo brincalhona, e prega-nos partidas que por muitos são chamadas de Destino. Porque agora que cheguei a estas conclusões, tudo parece desabar nesse oceano, tudo parece levar a esse desfecho que eu comecei a prever.
E todo o sofrimento e a tristeza que durante muito tempo estiveram dentro de mim, dissiparam-se, deixando-me livre.
E toda a dúvida que me perseguiu e me comeu viva, foi substituída por uma resposta simples e reconfortante. A dor das memórias foi dando lugar apenas à felicidade de as ter vivido.
Como disseste, é impossível construir um novo presente e possível futuro sem o nosso passado na bagageira. Sem ele, não somos nós, não fomos nós.
Para o centésimo texto podia ter escolhido várias ideias que me têm vindo à cabeça, incluindo a sequela de Konstantine, mas decidi retratar esta mudança e nova maneira de ver a vida.
Sim, toda a gente pode mudar, sim as maiores mudanças podem ser ser extremamente súbitas. Sim todos conseguimos fazer o que parece impossível, e que só vemos os outros alcançar.
Eu estou cada vez mais próxima da iluminação, embora não se trate de chegar lá (nem quero); é o caminho até lá que interessa. É a lição que nos faz crescer.
Eu agora encaro a vida como uma grande mudança e tudo se tornou mais fácil; agora consigo respirar sem sentir os meus pulmões comprimidos e dei mais passos, num curto espaço de tempo, do que alguma vez sonhei.
Eu encontrei a Aventura, que nem sempre trás adrenalina ou suor; nem sempre nos leva a montanhas ou a templos antigos. Basta inovar, fazer coisas fora do comum, diferentes, e sobretudo, fazer coisas que antes, se pudesse escolher de várias hipóteses, nunca escolheria.
Portanto, como Ela disse, o sol voltou a brilhar, porque as piores coisas não são lineares, mas são simples.
Era disto que queria falar. Mudança, perdão, paz e equilíbrio. Tudo o que ultimamente, aos poucos, tenho vindo a alcançar.
Isto é crescer, isto é ter iluminação. Espero que estejam no bom caminho.
«I'm free, finally free»
[ Finalmente, para "celebrar" o centésimo texto, queria agradecer a todos os que dispensam alguns segundos a ler-me. Obrigada a todos os que me ensinam, apoiam, motivam, encorajam, fazem feliz e a quem me ajuda a ser eu própria.
Ela - Sofia http://coisasmuitas.blogspot.com/]
10 maio, 2010
Let Go
É na intensidade com que me olhas que me sinto diferente. Imortal.
É na atracção que exalta dos nossos corpos, lado a lado, é na música que não conseguimos ouvir, embora a imaginemos.
É na carne queimada pelo desejo, é nas mãos cansadas de tocar, é no coração cansado de bater, no sangue gasto de tanto correr.
É nesta tinta cansada de existir nestas paredes, deste pó que já não sai, deste sol que já não arde, é esta atmosfera que está sufocada por querer mais.
É a intensidade com que eu te olho que te faz existir mais. Que te faz existir dentro de mim, dentro do universo.
Nesta terra batida, demasiado batida...
Nestas árvores despidas, nesta água estagnada. É na necessidade de rasgar estas muralhas, estas memórias. De atirar a tua roupa pela janela, de pegar fogo às tuas palavras.
É para te deixar ir, deixar-me ir. Just let go.
E é nesta sensação de entrega, em que as consequências já não interessam, em que a prisão a ti é já involuntária, que me sinto mais livre do que nunca.
Dizem que quando ficamos intoxicados, devemos sugar o veneno. Mas e se eu não quiser?
E se quiser continuar neste labirinto macabro onde me mantens viva através de ti?
Já não sou eu que decido. Nem tu. É algo mais forte que eu. É a vontade que é própria, é algo que está dentro de mim, cravado bem fundo.
Marcaste-me. E isso foi algo pelo qual nunca te agradeci.
Porque é na intensidade do teu ser, da tua aura negra à tua volta que eu existo. Que eu ganho alguma vida.
Mas se por um lado estou completamente dependente da tua vontade, por outro, posso libertar-me quando quiser.
E se esse momento nunca chegar? E se o momento de te respirar o suficiente, nunca aparecer?
E se continuar entre amar-me e odiar-me? Chegarei à conclusão que adoro odiar-me? Talvez não chegue a conclusão alguma, a não ser àquela que me diz para te rasgar em pedaços e engolir-te; àquela que retrata a tua intensidade que me torna louca, cega.
É aí que reside a cola que nos junta, separando-nos. É entre nós os dois.
Agora só preciso de fechar os olhos e
let go.
04 maio, 2010
Margem do rio Mondego (continuação de Konstantine)
Na margem do rio Mondego sentei e chorei.
Acho que até o seu caudal aumentou muito, só por causa das minhas lágrimas derramadas.
Acho que até o rio quis cessar de correr, perante a minha tristeza. A nossa tristeza.
Porque será que parti? Tento entender a razão, o porquê, mas sempre que penso, só consigo recordar o teu riso doce, os teus lábios nos meus, a tua incrível habilidade de me fazer sorrir quando tudo o que eu queria era chorar.
Ironicamente, chorar é o que faço agora, sem ti. Estou sem rumo, sem saber para onde ir, sem saber o que fazer.
As nossas palavras gastaram-se, o nosso tempo chegou ao fim, e no entanto, ia jurar que tinha imenso para te dizer! Meu amor, juro que é verdade!
Para onde foram as palavras? Para onde foram os planos, os sonhos? Para onde foi cada "amo-te" e cada um dos "para sempre"?
Está provado que magoamos mais quem mais amamos, sabias? Talvez seja isso, talvez o amor doa mesmo; não só por dentro, mas por fora.
Através desta dor física que me agonia, que me consome, que me atormenta.
Ou talvez já não saiba nada.
Será que me sentes a pensar em ti? Será que me consegues escutar?
Acho que sim, quando pensas em mim. Porque eu sei que pensas, tal como eu penso em ti...É inevitável.
Sabes, tenho saudades, tantas! De encostar a minha cabeça ao teu ombro a ouvir as ondas a devastar as rochas, lentamente; do teu piano até ao amanhecer, de cada pôr-do-sol contigo a meu lado.
Ó meu amor, meu amor, o que vai ser de mim? E como vais tu sobreviver sem a tua Konstantine?
Sofro por mim, por ti. Sofro por nós dois.
E tudo o que consigo fazer, é chorar.
Na margem do rio Mondego sentei e chorei. E depois chorei ainda um pouco mais.
Espero que saibas que não foi fácil. Não. Foi a coisa mais difícil que alguma vez fiz.
Acho que o sol nem quis nascer, vê lá! E quase podia apostar que sentiste o mesmo, meu amado, meu tudo.
Isto será outra daquelas histórias que deviam ter sido felizes ou poderemos nós mudar o curso da História, morrendo nos braços um do outro, daqui a muitos, muitos anos?
Oh, diz-me que sim, porque eu já sei que me amas; já sei que sentes a minha falta. Eu sei isso porque sinto exactamente o mesmo, meu amor.
Tu és uma parte de mim, por isso eu sinto o que tu sentes, eu sofro o que tu sofres. Acredita.
Enfim, pensa em mim, sonha comigo.
Bons sonhos, sempre tua, Konstantine.
To be continued...
02 maio, 2010
Konstantine

[Escrevi este texto quase integralmente a ouvir uma música chamada "Konstantine" da banda Something Corporate. Este texto é um dos retratos que a música, e mais propriamente a letra me inspira. Se quiserem lê-lo, conseguem imaginar tudo muito melhor ao som da música em si.
Considero-a, nem sei bem porquê, uma das mais belas músicas de sempre (talvez seja o seu piano lindo ou somente a letra). A verdade é que é triste, mas no fim, tudo acaba bem, por isso ainda não decidi se quero ver esta minha história a chegar a uma trágica conclusão.Espero que gostem!]
Lembro-me de te ver ao longe, sob o luar.
Estavas linda, na tua camisa de noite de seda, com o teu cabelo negro como a noite, longo e ondulado até à cintura.
Estavas numa falésia, no topo do mundo.
Talvez fosse no céu, numa nuvem branca. Só sei que fiquei completamente deslumbrado, parado no tempo, só para te ver.
E cantavas, oh se cantavas! Cantavas o teu coração e a tua alma, para quem te quisesse ouvir.
Para o vento, para o mar, para o céu. Para mim? Talvez.
Talvez tudo tenha sido um sonho, ou então, realidade, mas ainda assim, tenho a certeza que aconteceu.
Eu deixei-te cantar até te esqueceres da melancolia que te envolvia.
Olhaste para trás, viste-me e sorriste.
Sorri-te e o meu rosto iluminou-se por completo, com todo o amor que sinto por ti.
O vento revolve-te o cabelo e tu ris, bem alto, como a criança pequena que és.
Oh Konstantine, minha Konstantine! Às vezes penso que só vim ao mundo para te ver, para te beijar e para te amar.
Para me sentar ao piano contigo a meu lado, a tocar até os meus dedos se cansarem...
Noites intermináveis, tardes ainda mais longas, porque contigo, o meu tempo pára. A sério!
O dia e a noite passam a ser conceitos abstractos que não fazem sentido.
As trovoadas que duravam a manhã toda, as palavras sussurradas ao pé da nossa lareira, um sopro para apagar a chama daquela vela, tu nos meus braços a dormir profundamente.
Konstantine, como te amo! Mas então, como é possível não te perceber? Tu fazes parte de mim, da minha alma, no entanto, não compreendo o teu mundo, os sítios para onde viajas, quando as luzes estão apagadas.
Até que chegou aquele dia, aquela triste madrugada. A mais triste de todas elas.
Acho que nem o sol se quis levantar, de tão magoado; nem a lua se quis esconder devido às lágrimas por derramar.
Tive de te ver ir embora, muito, muito lentamente.
Tive de te abraçar, uma última vez
Tive de te beijar, uma última vez
Tive de cheirar o teu cabelo de margaridas, pela última vez
Tive de te amar
Ainda tenho, ainda amo.
Sei que estás a pensar em mim, onde quer que estejas.
Bom sonhos, minha Konstantine.
To be continued...