«I'm alive when you are touching me»
É na intensidade com que me olhas que me sinto diferente. Imortal.
É na atracção que exalta dos nossos corpos, lado a lado, é na música que não conseguimos ouvir, embora a imaginemos.
É na carne queimada pelo desejo, é nas mãos cansadas de tocar, é no coração cansado de bater, no sangue gasto de tanto correr.
É nesta tinta cansada de existir nestas paredes, deste pó que já não sai, deste sol que já não arde, é esta atmosfera que está sufocada por querer mais.
É a intensidade com que eu te olho que te faz existir mais. Que te faz existir dentro de mim, dentro do universo.
Nesta terra batida, demasiado batida...
Nestas árvores despidas, nesta água estagnada. É na necessidade de rasgar estas muralhas, estas memórias. De atirar a tua roupa pela janela, de pegar fogo às tuas palavras.
É para te deixar ir, deixar-me ir. Just let go.
E é nesta sensação de entrega, em que as consequências já não interessam, em que a prisão a ti é já involuntária, que me sinto mais livre do que nunca.
Dizem que quando ficamos intoxicados, devemos sugar o veneno. Mas e se eu não quiser?
E se quiser continuar neste labirinto macabro onde me mantens viva através de ti?
Já não sou eu que decido. Nem tu. É algo mais forte que eu. É a vontade que é própria, é algo que está dentro de mim, cravado bem fundo.
Marcaste-me. E isso foi algo pelo qual nunca te agradeci.
Porque é na intensidade do teu ser, da tua aura negra à tua volta que eu existo. Que eu ganho alguma vida.
Mas se por um lado estou completamente dependente da tua vontade, por outro, posso libertar-me quando quiser.
E se esse momento nunca chegar? E se o momento de te respirar o suficiente, nunca aparecer?
E se continuar entre amar-me e odiar-me? Chegarei à conclusão que adoro odiar-me? Talvez não chegue a conclusão alguma, a não ser àquela que me diz para te rasgar em pedaços e engolir-te; àquela que retrata a tua intensidade que me torna louca, cega.
É aí que reside a cola que nos junta, separando-nos. É entre nós os dois.
Agora só preciso de fechar os olhos e
let go.
5 comentários:
Fiquei sem palavras. Acho que o melhor elogio que te posso fazer é que este texto quase apagou da minha memória o teu The Crown, entre muitos outros que tomava por perfeitos. Para mim é o teu melhor texto desde há muito tempo. É eficaz!, cá dentro deixa algo, e quando é assim...que podemos pedir mais? E quase não é ódio...não, é algo mais e não posso elogiar mais. Este texto não tem uma única aresta que se lime.
"É na carne queimada pelo desejo, é nas mãos cansadas de tocar, é no coração cansado de bater, no sangue gasto de tanto correr." Perfeição número 1.
"Nestas árvores despidas, nesta água estagnada. É na necessidade de rasgar estas muralhas, estas memórias. De atirar a tua roupa pela janela, de pegar fogo às tuas palavras." Perfeição número 2.
"E é nesta sensação de entrega, em que as consequências já não interessam, em que a prisão a ti é já involuntária, que me sinto mais livre do que nunca." Perfeição número 3.
"Mas se por um lado estou completamente dependente da tua vontade, por outro, posso libertar-me quando quiser." Perfeição número 4. (Proud of you...)
E por fim, a cereja no topo do bolo, perfeição número 5:
"Talvez não chegue a conclusão alguma, a não ser àquela que me diz para te rasgar em pedaços e engolir-te; àquela que retrata a tua intensidade que me torna louca, cega."
Tooler, keep going, spiral out.
amo o texto bebe ! está perfeito ! e como o Diogo diz : "este texto não tem uma única aresta que se lime."
adorei mesmo @
adoro-te <3
Alô :D obrigado pelo teu comentário.
Sei sim senhora. Estou a morrer por um álbum novo e por vê-los de novo.
Qual é o teu álbum favorito deles?
btw... tens lastfm?
Beijinho
Simplesmente: adorei
Gosto muito dji você@
Juh 2
Lindo também.
Parabéns pelo blog. Realmente, voce tem o dom da palavra.
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