02 maio, 2010

Konstantine


[Escrevi este texto quase integralmente a ouvir uma música chamada "Konstantine" da banda Something Corporate. Este texto é um dos retratos que a música, e mais propriamente a letra me inspira. Se quiserem lê-lo, conseguem imaginar tudo muito melhor ao som da música em si.
Considero-a, nem sei bem porquê, uma das mais belas músicas de sempre (talvez seja o seu piano lindo ou somente a letra). A verdade é que é triste, mas no fim, tudo acaba bem, por isso ainda não decidi se quero ver esta minha história a chegar a uma trágica conclusão.Espero que gostem!]



Lembro-me de te ver ao longe, sob o luar.
Estavas linda, na tua camisa de noite de seda, com o teu cabelo negro como a noite, longo e ondulado até à cintura.
Estavas numa falésia, no topo do mundo.
Talvez fosse no céu, numa nuvem branca. Só sei que fiquei completamente deslumbrado, parado no tempo, só para te ver.
E cantavas, oh se cantavas! Cantavas o teu coração e a tua alma, para quem te quisesse ouvir.
Para o vento, para o mar, para o céu. Para mim? Talvez.
Talvez tudo tenha sido um sonho, ou então, realidade, mas ainda assim, tenho a certeza que aconteceu.
Eu deixei-te cantar até te esqueceres da melancolia que te envolvia.
Olhaste para trás, viste-me e sorriste.
Sorri-te e o meu rosto iluminou-se por completo, com todo o amor que sinto por ti.
O vento revolve-te o cabelo e tu ris, bem alto, como a criança pequena que és.
Oh Konstantine, minha Konstantine! Às vezes penso que só vim ao mundo para te ver, para te beijar e para te amar.
Para me sentar ao piano contigo a meu lado, a tocar até os meus dedos se cansarem...
Noites intermináveis, tardes ainda mais longas, porque contigo, o meu tempo pára. A sério!
O dia e a noite passam a ser conceitos abstractos que não fazem sentido.
As trovoadas que duravam a manhã toda, as palavras sussurradas ao pé da nossa lareira, um sopro para apagar a chama daquela vela, tu nos meus braços a dormir profundamente.
Konstantine, como te amo! Mas então, como é possível não te perceber? Tu fazes parte de mim, da minha alma, no entanto, não compreendo o teu mundo, os sítios para onde viajas, quando as luzes estão apagadas.
Até que chegou aquele dia, aquela triste madrugada. A mais triste de todas elas.
Acho que nem o sol se quis levantar, de tão magoado; nem a lua se quis esconder devido às lágrimas por derramar.
Tive de te ver ir embora, muito, muito lentamente.
Tive de te abraçar, uma última vez
Tive de te beijar, uma última vez
Tive de cheirar o teu cabelo de margaridas, pela última vez
Tive de te amar

Ainda tenho, ainda amo.
Sei que estás a pensar em mim, onde quer que estejas.
Bom sonhos, minha Konstantine.

To be continued...

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