23 maio, 2010

Desaparecida

Um olhar, uma expressão, um gesto
Na minha direcção.
Um faz de conta infindável,
Que no fim, só levou a desilusão.

Afinal, porque estou aqui?
Já entendi tudo o que queria,
Fiz o que tinha a fazer.
Já imaginei o que podia.

Agora é tudo cinza, pó disfarçado.
É tudo agonia, é tudo transtorno,
É viagem de ida, sem retorno.
Simples pedaço do destino traçado.

E eu? Esqueço tudo, apago tudo
O que há para apagar.
Fecho os olhos, sinto o vento
E ouço o mar.

As lágrimas teimam em contrariar-me.
Teimam em tocar o chão.
Envolvem-me com silêncio
E em profunda solidão.

Estas lágrimas não são para ti,
Nem tu as merecias.
Fazem parte de um desses dias
Em que só tenho vontade de calar
A razão, e desaparecer.

4 comentários:

Rittinha disse...

está tãão fofinhoooo @
lyy *
beijinhos

Diogo Garcia disse...

Eu...tenho pena de já estares a dormir. Estou com os olhos sensíveis.
Foi o melhor poema que alguma vez li, seja de quem for. Fez-me esquecer a minha "melhor" poesia, fez-me esquecer o Lisbon Revisited. Tu acabaste de criar um poema que nos faz ficar tristes e comovidos. Para mim foi algo que nunca tinha visto escrito, e digo isto com toda a honestidade possível. Era bom que estivessemos presente de uma nova fase literária da tua parte. Fica já aqui a vontade de concorreres ao concurso da tua escola, pois digo, cheio de fé, que o primeiro lugar é teu.
Não sei que diga. Escreveste algo com o poder que eu nunca consegui...principalmente em poesia. Rimaste de forma bela e sem "obrigação". Escreveste algo livre, sem limites. E a linguagem está perfeita, cuidada, mas sem ser em demasia.
Parabéns. Criaste algo que a maioria só sonha criar...criaste algo que poucos são capazes.
Orgulho de ser teu irmão. Que a inspiração, o engenho e arte, te acompanhem sempre.
E faz mais destes...se alguém duvidava da perfeição deixou de duvidar. E está tudo dito...
Apesar do todo, a sublinhar:
"Um faz de conta infindável,
Que no fim, só levou a desilusão."
"Fiz o que tinha a fazer.
Já imaginei o que podia."
"É viagem de ida, sem retorno.
Simples pedaço do destino traçado."
"As lágrimas teimam em contrariar-me.
Teimam em tocar o chão.
Envolvem-me com silêncio
E em profunda solidão."

E esta , esta doeu-me por dentro: "Fazem parte de um desses dias
Em que só tenho vontade de calar
A razão, e desaparecer."

Anónimo disse...

mt fofo!!
gostei, como sempre!

ly@ Júh2

O Tipo Que Bebe Fastio, Vai Ao CCB Aos Fins De Semana e Chama Chauffeur Ao Motorista disse...

ahah, que comentários profundos que vão para aqui, queres que continue nessa senda?

"tá lindo juhzinha, escreve mais
@@@@"

Agora com um bocadinho mais de cabeça(não avacalhar por favor). O poema é sem dúvida o melhor(ou pelo menos dos melhores) textos que já te vi escrever. A sensação que dás a quem lê deve ser em tudo igual ao que pretendes passar, está muito bom mesmo, o esquema rimático que escolheste torna sem dúvida o poema mais interessante!

Sem mais demoras,

O Tipo Que Bebe Fastio, Vai Ao CCB Aos Fins De Semana e Chama Chauffeur Ao Motorista