08 junho, 2016

Beautiful Pain

«Setting fire to yesterday, find the light, find the light, find the light»

Apercebo-me desta sensação que carrego comigo. Ela é-me familiar.
Sinto-me inundada por este sentimento antigo. Fazia parte de mim.
E depois deixou-me? Pensei que tinha ido, para não mais voltar.
Mas aqui estamos uma vez mais, a olhar-nos frente a frente.

Apetece-me abraçá-la. Apetece-me contê-lo, mantê-lo comigo.
Esta instabilidade ligeiramente decidida, esta tristeza suave,
Quase agradável...Esta bonita dor que sustive por tanto tempo.
Que realidade mais surreal - quase me sinto feliz por a ter de volta.

Voltaste para mim. Vou acarinhar-te, pedaço de mim que está dorido.
Vou manter-te a salvo, pedaço destroçado, que sofre ainda hoje.
Talvez tenhas renascido com as lembranças do passado,
Vindo à tona devido à mágoa trazida ao de cima, como uma pequena folha.

Abri a janela do passado e não há forma de a fechar.
Nem eu a quero fechar, não vale a pena esquecer aquilo que não quer ser esquecido.
Aquilo que não pode ser esquecido por mim. E esta certeza traz-me tranquilidade.
E é nesta velha memória de melancolia, a minha melancolia, que me encaro assim.

É como se estivesse a experienciar uma nova vivência.
Uma que é minha, mas não é, ao mesmo tempo. Sou eu adulta, de presente,
Mas sou também a criança que outrora houve. A criança silenciada.
E escuto. À espera que o silêncio me traga sossego. E um final, por ora mais feliz.

De dentro do silêncio vêm estas palavras, tão sagradas para mim.
Já me guiaram um dia, e voltam a guiar de novo. Quando mais preciso.

Não hesito, abro também a porta. Abro todas as janelas, deixo o sol entrar.
Agora que dei este passo, não consigo voltar atrás. Permito-me sentir isto.
E fico feliz. E aliviada - preciso de sentir isto. Vai ser bom para mim.
Vai-me permitir ver o que não vi por muito tempo.

A dor ficou por algum motivo, por muito que a tentasse trancar.
Agora, de novo em frente a ela, encarando-a na sua plenitude,
Vejo quão bonita ela pode ser...

15 fevereiro, 2016

27-2-2014

Foi num daqueles momentos que não consigo explicar.
Começou como sempre - com uma ideia seguida de uma infindável linha de pensamentos.
Subitamente, tinha já o amor em mente, o que ele significa, o que é que implica, como nos muda.
Lembro-me de estar absorta nesse monólogo constante e irreal que me levou por breves instantes a sítios que eu nunca vi; lembro-me de reparar na maneira como o céu estava, tão escuro, mas ainda a contrastar com as nuvens obstinadas e pesadas de água.
Pensei que a sua beleza era avassaladora, pensei no espectro de coisas bonitas que a vida tem (simplicidade) e foi assim que o momento aconteceu.
Em andamento (talvez só de pensamento), percebi várias coisas que talvez nunca tivesse percebido se essa combinação de pequenos algos não tivesse acontecido.
O céu a transmitir uma calma quase instável, a música que me guiou pelo túnel escuro que desembocou na luz de outro dia, de outro tempo e os pensamentos que pensei...tudo isto levou a um daqueles arrepiantes minutos em que tudo, TUDO faz sentido, em que não há medo sequer da morte, porque tudo é possível e infinito - até eu me tornei infinita, por escassos segundos. Estava livre, completa.
O momento veio, deixou a sua impressão no meu centro e depois seguiu com o vento. Deixou-me e o feitiço quebrou-se como um vidro que se estilhaça ao tocar no chão. Acordei e era de novo eu, finita, mortal.
Mas mesmo com esta repreensível finitude, recordo esses preciosos momentos em que o tempo corria devagar, e eu, era infinita.