28 maio, 2012

Taking Chances

Desde já um grande obrigada à excelente colaboração de António Barradas com a sua leitura - sem ela, este texto não seria o mesmo!

21 maio, 2012

20 maio, 2012

Uncharted

«You have a lot of fears and maybe you're afraid of a lot of things, but you jump anyway»

 A vida brilhava no seu auge, a música crescia, subia cada vez mais alto até tocar o céu. Até tocar o sol.
O ar era leve e levava-me com ele, tornava tudo mais simples. Até aí via todos os meus movimentos a serem seguidos, controlados; tornou-se difícil respirar, tornou-se impossível continuar assim.
Perdi muita coisa, podia ter perdido muito mais. É certo. Mas não faz mal. Não faz mal. Há que aprender a dizer adeus, por vezes; ocasionalmente, temos de deixar ir o que nos faz falta, o que amamos. Tudo é breve, nada disto dura. Efemeridade tão absolutamente imprevisível e aliciante...Disseram-me que isto é crescer, que o sofrimento nunca é meramente nocivo; avisaram-me que enfrentar os meus medos, caminhar no incerto, no precário é essencial para seguir em frente. Tomar a decisão que custa, que nos assusta é o complicado, mas também o corajoso a fazer. É dar esse passo que muda tudo.
Estava trancada, encurralada, debaixo destes olhares paralisantes; a vida brilhava tão incandescente, a música crescia tanto que enchia tudo, findava tudo. Tocava até a lua. 
O ruído era tanto, a dor tão grande. E depois tudo parou.





O silêncio encheu o quarto como a maré descontrolada e furiosa. Uma golfada de vento (o mais fresco que me revolveu) entrou e limpou tudo, de rajada. Apagou as pegadas no areal, silenciou as vozes tormentosas - estava livre.
Perdi muita coisa, sim. Já perdi demais até. Mas podia ter perdido tudo. Podia não ter nada.
Não faz mal. Sinto-me viva. E estou livre.

04 maio, 2012

'Cansaço antecipado do não encontrado'

 «Um nada que dói...»

Desamparada por causa desta frustração...Cansada de não perceber o que sinto, o que quero, o que se passa afinal...Farta de tentar compreender o que devo fazer, como o devo fazer - esta interrogação permanente, esta dúvida que paira de forma constante e totalmente irreparável que me esgota; talvez não seja possível, talvez não seja humano.

Já aqui estive antes, e embora não tenha sido mesmo neste sítio, apesar de ter caminhado durante duas vidas, estaquei no mesmo lugar. Não me movi, embora tenha percorrido a estrada do medo, o pavimento do alívio, a escada da quase-salvação. Afinal talvez tenham sido miragens? Não sei bem. Tal como tudo, hoje em dia, nada sei. Nada pareço saber - o que sinto, o que quero, o que é isto afinal...Nada. Talvez esteja apenas presa a esta ilusão, a esta recordação, a esta memória viva.

Ou talvez não...Talvez não seja nada disto, talvez a realidade seja mais confusa, ou tão fácil que pretendo ignorá-la durante algum tempo. Só mais um pouco, por favor. Deixem-me aproveitar os fragmentos de sonho que restaram - voltei ao mesmo, embora de maneira diferente (mas como?). Este impasse tomou conta de mim, apoderou-se dos meus passos, atormenta-me as palavras, o pensamento. Está sempre por perto e nunca parte.

Instabilidade. Já nem te conheço, já nem te avisto porque já nem é isso que sinto. Não, é outra qualquer coisa, qualquer coisa que chegou e não vai. Chegou e faz-me querer falar, ao mesmo tempo que desejo guardar para mim as palavras que custam, que doem. O silêncio que faz sofrer e o silêncio aguardado; possivelmente, comunicar não é o segredo - porventura algumas palavras estão, de facto, melhores por dizer...Talvez o falar não leve a lado nenhum, porque mesmo quando falo não saio desse nenhum lado que se manteve.

É injusto que não haja nada que apazigue; o ar deve renovar, para eu poder encontrar outra saída. Não sei o que quero, não sei como sentir o que desejo sentir, não sei como devo manter-me aqui impassível enquanto algo sem passado nem futuro me corrói por dentro. Não tenho resposta para nada disto, mas aqui estou, a usar as palavras que ainda têm importância, para dizer aquilo que subitamente aqui ganha peso - aqui ganho esperança de ignorar os sussurros que o diabo de mim vai ditando ao meu ouvido. Encontrarei o meu céu?

«Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.»