«You have a lot of fears and maybe you're afraid of a lot of things, but you jump anyway»
A vida brilhava no seu auge, a
música crescia, subia cada vez mais alto até tocar o céu. Até tocar o sol.
O ar era leve e levava-me com ele,
tornava tudo mais simples. Até aí via todos os meus movimentos a serem
seguidos, controlados; tornou-se difícil respirar, tornou-se impossível
continuar assim.
Perdi muita coisa, podia ter
perdido muito mais. É certo. Mas não faz mal. Não faz mal. Há que aprender a
dizer adeus, por vezes; ocasionalmente, temos de deixar ir o que nos faz falta,
o que amamos. Tudo é breve, nada disto dura. Efemeridade tão absolutamente
imprevisível e aliciante...Disseram-me que isto é crescer, que o sofrimento
nunca é meramente nocivo; avisaram-me que enfrentar os meus medos, caminhar no
incerto, no precário é essencial para seguir em frente. Tomar a decisão que
custa, que nos assusta é o complicado, mas também o corajoso a fazer. É dar
esse passo que muda tudo.
Estava trancada, encurralada,
debaixo destes olhares paralisantes; a vida brilhava tão incandescente, a
música crescia tanto que enchia tudo, findava tudo. Tocava até a lua.
O ruído era tanto, a dor tão
grande. E depois tudo parou.
O silêncio encheu o quarto como a maré descontrolada e furiosa. Uma golfada de vento (o mais fresco que me revolveu) entrou e limpou tudo, de rajada. Apagou as pegadas no areal, silenciou as vozes tormentosas - estava livre.
Perdi muita coisa, sim. Já perdi demais até. Mas podia ter perdido tudo. Podia não ter nada.
Não faz mal. Sinto-me viva. E estou livre.
1 comentário:
Só tenho duas coisas a dizer: adorei e obrigada(you know why)
J's <3
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