20 maio, 2012

Uncharted

«You have a lot of fears and maybe you're afraid of a lot of things, but you jump anyway»

 A vida brilhava no seu auge, a música crescia, subia cada vez mais alto até tocar o céu. Até tocar o sol.
O ar era leve e levava-me com ele, tornava tudo mais simples. Até aí via todos os meus movimentos a serem seguidos, controlados; tornou-se difícil respirar, tornou-se impossível continuar assim.
Perdi muita coisa, podia ter perdido muito mais. É certo. Mas não faz mal. Não faz mal. Há que aprender a dizer adeus, por vezes; ocasionalmente, temos de deixar ir o que nos faz falta, o que amamos. Tudo é breve, nada disto dura. Efemeridade tão absolutamente imprevisível e aliciante...Disseram-me que isto é crescer, que o sofrimento nunca é meramente nocivo; avisaram-me que enfrentar os meus medos, caminhar no incerto, no precário é essencial para seguir em frente. Tomar a decisão que custa, que nos assusta é o complicado, mas também o corajoso a fazer. É dar esse passo que muda tudo.
Estava trancada, encurralada, debaixo destes olhares paralisantes; a vida brilhava tão incandescente, a música crescia tanto que enchia tudo, findava tudo. Tocava até a lua. 
O ruído era tanto, a dor tão grande. E depois tudo parou.





O silêncio encheu o quarto como a maré descontrolada e furiosa. Uma golfada de vento (o mais fresco que me revolveu) entrou e limpou tudo, de rajada. Apagou as pegadas no areal, silenciou as vozes tormentosas - estava livre.
Perdi muita coisa, sim. Já perdi demais até. Mas podia ter perdido tudo. Podia não ter nada.
Não faz mal. Sinto-me viva. E estou livre.

1 comentário:

Anónimo disse...

Só tenho duas coisas a dizer: adorei e obrigada(you know why)

J's <3