«Um nada que dói...»
Desamparada por causa desta frustração...Cansada de não perceber o que sinto, o que quero, o que se passa afinal...Farta de tentar compreender o que devo fazer, como o devo fazer - esta interrogação permanente, esta dúvida que paira de forma constante e totalmente irreparável que me esgota; talvez não seja possível, talvez não seja humano.
Já aqui estive antes, e embora não tenha sido mesmo neste sítio, apesar de ter caminhado durante duas vidas, estaquei no mesmo lugar. Não me movi, embora tenha percorrido a estrada do medo, o pavimento do alívio, a escada da quase-salvação. Afinal talvez tenham sido miragens? Não sei bem. Tal como tudo, hoje em dia, nada sei. Nada pareço saber - o que sinto, o que quero, o que é isto afinal...Nada. Talvez esteja apenas presa a esta ilusão, a esta recordação, a esta memória viva.
Ou talvez não...Talvez não seja nada disto, talvez a realidade seja mais confusa, ou tão fácil que pretendo ignorá-la durante algum tempo. Só mais um pouco, por favor. Deixem-me aproveitar os fragmentos de sonho que restaram - voltei ao mesmo, embora de maneira diferente (mas como?). Este impasse tomou conta de mim, apoderou-se dos meus passos, atormenta-me as palavras, o pensamento. Está sempre por perto e nunca parte.
Instabilidade. Já nem te conheço, já nem te avisto porque já nem é isso que sinto. Não, é outra qualquer coisa, qualquer coisa que chegou e não vai. Chegou e faz-me querer falar, ao mesmo tempo que desejo guardar para mim as palavras que custam, que doem. O silêncio que faz sofrer e o silêncio aguardado; possivelmente, comunicar não é o segredo - porventura algumas palavras estão, de facto, melhores por dizer...Talvez o falar não leve a lado nenhum, porque mesmo quando falo não saio desse nenhum lado que se manteve.
É injusto que não haja nada que apazigue; o ar deve renovar, para eu poder encontrar outra saída. Não sei o que quero, não sei como sentir o que desejo sentir, não sei como devo manter-me aqui impassível enquanto algo sem passado nem futuro me corrói por dentro. Não tenho resposta para nada disto, mas aqui estou, a usar as palavras que ainda têm importância, para dizer aquilo que subitamente aqui ganha peso - aqui ganho esperança de ignorar os sussurros que o diabo de mim vai ditando ao meu ouvido. Encontrarei o meu céu?
«Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.»
1 comentário:
Na altura li este texto mas não soube o que te dizer. Mas o que te digo agora é apenas isto: também já estive aqui, neste sítio de que falas. Estive lá, conheço-o como a palma das mãos.
E, depois... Depois voltei... ;) *
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