29 abril, 2012

Vanity

Passo por ela, mas não a vejo. Não realmente.
Não analiso mais do que a sua aparência -
Ela não me é muito familiar, conhecida.
Olho-a todos os dias, mas não a costumo ver.

Mas quem é? É ela, não sou eu.
Não, nunca eu...É outra qualquer.
Uma que se parece comigo, uma que
Fala sem ruído quando também eu falo.

Uma que ri quando eu rio; chora
Quando eu choro, mas em silêncio.
Tenta sempre passar para este lado,
Embora eu não o permita. Era o fim.

Serão os meus olhos que vejo? Será a
Minha boca, o meu cabelo, as minhas
Mãos? Estará fadada a imitar todos os
Gestos que esboço, de forma dolorosamente simétrica?

Serão as minhas lágrimas, o meu riso,
As minhas palavras sem som, que eu vislumbro?
Não - são as dela, porque ela não sou eu.
É talvez uma face de mim, a que vive lá

Do outro lado do espelho, desassossegada,
Incrivelmente incapaz de ser reanimada pr'além
De mim. Sem os meus olhos, não vê; sem
A minha boca, não ri; sem o meu coração, não vive.

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