Pensei que o conhecia, afirmei que o percebia.
Mas não, de todo. Acho que nem entendo o seu
Princípio, a ideia geral; já não falo do conteúdo,
Do sentimento. Não sei nada sobre ele.
Durante algum tempo julguei vislumbrá-lo.
Julguei ter-me cruzado com ele num sítio inesperado -
Era mentira. Era outro qualquer, dissimulado, enganador.
Levou-me a esperança de o viver. Temor instalado...
O facto de estar errada não custa muito, tanto como
O de saber que não era ele - foi mentira, enganosa ilusão,
Chamem-lhe o que quiserem. Apelidem-na como vos apetecer.
Não foi real, foi apenas a visão de um pedaço (não do todo).
Porque é impossível ver o todo, contemplá-lo.
É-me difícil imaginar algo dessa dimensão,
Algo tão catastrófico, algo tão poderoso, caótico.
O desassossego da alma na sua forma mais pura, dolorosa.
Entre mim e ele estende-se um percurso interminável,
Obstáculos de medos, obstáculos da razão, da vida.
Entre nós está o por viver, está o receio que ainda não se
Ausentou. Receio da vulnerabilidade (?).
Receio de perder, receio de ganhar.
Entre mim e ele está o assustador desconhecido.
E é esse perfume tão descontrolado e incontido
Que abre a porta. A porta fechada, entre nós.
1 comentário:
Escreveste-me.
Só isso. *
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