Na ténue linha entre o amor e o ódio,
Nos limites da dor suportável.
Na fraqueza de espírito, na mediocridade
Da carne, na cobardia que vem de dentro -
É aí que eu atuo. É aí que eu apareço.
Movida não por vontade, não por alento;
Não por necessidade, desejo; apenas pela
Maneira como eles escolhem viver (ou não).
A perda de controlo dá-se e num ápice,
Sem darem conta disso, a vida transforma-se.
A obsessão instala-se, a paixão cega a ponto de
Queimar. Deixou-os sôfregos por mais.
Uns pensam que alivio a dor, que trago a compaixão;
Outros pensam que sou um dos fins, que sou o último
Inalar desesperado, o inspiro terminal...
Eu venho meramente colher o que é meu, por direito.
Não me creiam mórbida, doentia: todos temos
De morrer um dia. Mais cedo ou mais tarde, uns
Às mãos do acaso, outros pela mão dos que amam,
Deuses ou mortais. Às claras ou na escuridão.
Na ténue linha entre o amor e o ódio,
Nos limites da dor imaginável, na transição
Do certo p'ro errado, no absoluto da degradação,
No acabado, é aí que eu atuo.
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