«What is this but my reflection?»
Estou aqui mais uma vez, do lado contrário. Do lado oposto à razão.
Mais uma vez me encontro a lutar contra a corrente, com todas as forças.
Porque o faço? Acho que não sei dizer.
Só sei o que quero, só sei o que sinto, ou melhor, o que não sinto...
Perdi completamente a minha humanidade. Aquilo que ainda me ligava a todos vós.
Porque tenho tanto medo de errar, e tanto medo de sofrer, que me fechei ao sentimento. Fechei-me ao mundo. Tive tanto medo de perder, que agora perdi tudo.
E quanto menos vivo, menos sinto. E quanto menos sinto, mais desapareço. Aos poucos vocês vão-me tornando irreconhecível, enterrada no que resta de mim.
Olho-me ao espelho e penso no que sobrou. O que não foi engolido no imenso buraco negro que é a minha vida.
Porque não consigo evitar pensar, ocasionalmente, como seria a minha vida sem todas as dores e dificuldades que tive, sem todos os sonhos desfeitos, sem todas as desilusões que tive de suportar.
Se pudesse viver a vida como uma pessoa normal, da minha idade; se pudesse ainda viver na despreocupação, sem todos esses fardos pesados.
Claro que tudo o que peço, agora, é um silêncio, uma paz de espírito, uma vez ou outra. Já me habituei à ideia de não me entusiasmar, de não esperar demasiado de certas coisas ou pessoas...
Tudo o que quero é o que não posso ter; é sempre assim. Quando estão ao nosso alcance, as coisas nunca parecem tão boas. Eu sei isso!
Essa é a verdade. Mas o que é a verdade?
É...Alguma coisa que ainda me resta saber.
Por enquanto chega, disse o que tinha a dizer, nem que seja só para vir ao de cima, quando tudo o que fazem (um favor) é com que eu desapareça, lentamente.
Eu ouço esta melodia, estas palavras, e estranhamente, há um conforto estranho. Há pertença, iluminação, esperança, arrebatamento. Há amor e ainda uma recuperação, pequena recuperação da minha humanidade perdida.
E sinto-me inspirada a fazer mais, a dizer mais. A sentir mais. E é o que faço.
Não pensar tanto, mas agir; esquecer, sentir. Ser impulsiva e não antecipada em relação às coisas.
Estou aqui, como sempre, a lutar contra a corrente, contra a maré de vocês.
Como é costume, e vou fazê-lo para sempre.
«Just come and set me free»
2 comentários:
Gostei do texto, mais uma vez (e como quase sempre). Estamos a perder o humanismo, o pouco que já nos restava, de qualquer forma, tu desenhas isso muito. Não sofrer por antecipação, entre outras coisas, são meio caminhado andado para alguma elevação. Posso-te dizer uma coisa, a tua escrita tem em mim algo que queria sempre, sem excepção, ter nos outros: atingi-me, não me deixa igual ao que era antes de a ler. Não se fica portanto passivo ao ler-te.
A rever:
"Só sei o que quero, só sei o que sinto, ou melhor, o que não sinto..."
"Porque tenho tanto medo de errar, e tanto medo de sofrer, que me fechei ao sentimento. Fechei-me ao mundo. Tive tanto medo de perder, que agora perdi tudo."
Se tento ajudar os outros então em ti o caso é de maior importância. Luta e não desistas. E não deixes que algumas pessoas e casos concretos definam aquilo que és nem aquilo que queres ser.
Spiral out,
Beijo
Este texto está perfeito Joana ! Quando passamos por uma desilusão tão grande , como tu passas-te (e eu também) parece que nos entregamos a isso , e temos medo de voltar a sofrer como antes ! Fechamo-nos no nosso mundo e já não queremos sair !!
Quando precisares de mim , estou aqui sempre !!
e não te vou desiludir, acredita :)
beijinhos love you @
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