É em noites como esta, em que vejo o céu limpo de qualquer estrela; o vento que apenas faz as folhas abanar ao de leve, ou os mosquitos hipnotizados pelas luzes quentes e acolhedoras da cidade, que me ponho a pensar.
É em noites como esta que me sinto em paz, com uma súbita calma dentro de mim, apoderando-se, apaziguando tudo o que está mal, cá por dentro. Sinto-me em sintonia com o Universo, sinto-me capaz de sonhar e voar, até onde quiser.
E o tempo? Esse é enganador. Ora passa a correr, ora muito devagar, mas hoje em dia, tornou-se num conceito abstracto e subjectivo. Demasiado subjectivo.
E as perguntas, que são tantas? Essas talvez terão resposta, mas em breve. Muito em breve.
O futuro reserva surpresas, mas se já estivesse preparada para todas as eventualidades, dificuldades e dores, de que me valia tentar? De que me valia viver?
Durante um tempo (muito tempo), agarrei-me à esperança de ti, mas agora sei, melhor que nunca, que não voltarás, sei o que o meu cérebro teima a contrariar em sonhos tão bons e irreais que chegam a ser pesadelos. Sei-o agora com uma certeza, e no entanto, com uma aceitação quase monstruosa.
Mas restar-me-ão sempre as memórias, não é verdade!?
Essas prevalecem, apesar do tempo, apesar das pessoas. Apesar da vida.
E apesar de tudo, não me arrependo de nada, embora tenha alguns arrependimentos.
Mas tu, não. Tu não foste um deles, de todo.
É que é em noites como esta, em que a lua me sorri, lá bem do alto, e em que eu sei que ele olha para o mesmo céu não-estrelado, à minha espera, que eu sei todas as respostas.
Nem todas as que eu quero, mas as que preciso, para já.
É em noites como esta que sinto a minha alma a dissolver-se e esfumar-se em direcção a outra galáxia, de tão leve e calma que está.
Sinto-a bem longe, mas não lhe sinto a falta porque sei que vai voltar, dentro de pouco tempo, para que eu esteja completa, de novo. Como esta noite estive.
Entretanto, fico assim...Feliz, descansada, em paz com o mundo, e com todos; mesmo depois de um dia normal ou mau, até, senti-me flutuar para fora daqui, através de um céu, de uma lua, vento ou de outra coisa qualquer. Qualquer uma seria um bom portal para mim, porque não interessa muito por onde vou, o que interessa é para onde vou.
E sei que, pelo menos, hoje, agora, estou feliz. É isso que interessa.
O amanhã não tarda a chegar, e aí, o que tiver de vir, virá.
2 comentários:
identifico.me @
amotxiii *.*
Adorei, sem dúvida. Aliás, posso ir mais longe e dizer mesmo: Joana, amei. Foi de todo um poema genial. Todo ele. Gosto da ideia por detrás, gosto da descrição das tuas sensações. O que sentes, confirmo com a Rittinha, identifico-me, de todo e por todo. E esses momentos, se não forem levados para uma melancolia cinzenta, são momentos belos. Relembrar coisas boas é óptimo, mas se não passarem de lembranças, ou de força para mover novas montanhas ou talvez, e não digo que não, re-mover montanhas que se foram baixando com o tempo. Tudo é possível, tudo.
A sublinhar:
"Sinto-me em sintonia com o Universo, sinto-me capaz de sonhar e voar, até onde quiser."
"O amanhã não tarda a chegar, e aí, o que tiver de vir, virá."
Spiral out? Sempre.
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