20 março, 2010

Sexta-Feira

Hoje quase morri. É verdade, sem exagero.
Estive a milímetros, a segundos de distância
De abandonar este mundo.
Só uma passadeira depois é que me apercebi disso.
Eu quase morri!
Os meus joelhos perderam instantaneamente a força
E o meu coração bateu mais forte.
Fiquei perplexa, chocada e parada a pensar nos minutos
Anteriores, sem saber o que dizer ou sentir.
É engraçado como nada da minha vida passou à frente
Dos meus olhos. Nenhum episódio marcante, nenhum
Gesto importante, nada.
Eu simplesmente olhei em frente, de boca aberta, a pensar
Que se não tivesse olhado para aquele lado, naquele instante,
Podia estar morta. Eu podia estar morta!
Aquilo que tanto me assustou durante muito tempo,
Quase aconteceu, e no entanto eu estava calma. Sem medo.
Podia ter acontecido sem eu ter dado conta, num dia normal
Como todos os outros, num sítio mais que comum da
Minha rotina diária.
Por momentos breves, escapei impune do sono eterno
Que na altura pensei chamar-me ali, naquela rua.
Para usar um lugar comum, depois disso, as árvores ficaram
Mais verdes, a água ficou mais límpida e o céu ficou ainda
Mais azul.
Os risos soaram mais alto, os cheiros ficaram mais intensos
E vi a vida à minha volta em câmara lenta.
É verdade, eu hoje quase morri. Sei-o agora melhor que nunca.
Sei que cada passo tem mais peso porque podia não estar a dá-lo.
Felicito-me por continuar a respirar e sinto uma alegria imensa.
A alegria de viver.
Hoje renasci. Dei mais valor ao que não dava e passei a ver tudo
De outra forma.
Descobri que não dava assim tanto valor à vida, mas agora dou.
Embora ainda não seja o suficiente.
Nunca pensei ficar tão feliz ao alcançar o outro lado da rua e
Encaminhar-me para um sítio vulgar que visito todos os dias,
Para as pessoas que não compreendo.
Devo dizer que nada me pareceu mais belo, nem o vento mais forte,
Nem a chuva mais fria.
Terá sido um sinal? Terá sido um aviso ou terá sido um ensinamento?
Não sei, não faço ideia.
Sei apenas que estou viva, mais viva que nunca e não vou desperdiçar
Essa vida que há em mim.

2 comentários:

Anónimo disse...

Eu só sei que não ia aguentar se isso tivesse acontecido mesmo!! Nunca mais atrevesses passadeiras sozinha! =D

Gosto muito de ti@
JpH

Diogo Garcia disse...

Fico muito feliz, mais do que talvez possas imaginar, por estares bem e de boa saúde, por outras palavras, VIVA. Gostei do texto, pois reflecte bem o que se sente numa altura desse género. Cuidado reforçado apartir desse momento e que seja para sempre, apesar da culpa não ter sido tua.

Amo-te, beijo.