13 março, 2011

Red Dawn

«Eye on the tv, cause tragedy thrills me..»

Os tambores de guerra há muito que se fizeram ouvir. Desde então, a humanidade estacou, sem respirar, à espera de ouvir a sua sentença.
Mas claro, por dentro, as vozes gritavam o mais alto que podiam. O coração batia impossivelmente rápido. E a espera continuou.
Sem me intrometer nesta guerra entre deuses e mortais, entre o bem e o mal, esperei em silêncio. E vi muitos dias a amanhecer, a regressarem vermelhos, manchados pelo sangue que nunca será estancado. Que nunca poderá ser reposto.
Vi vários dias a acabar, trazendo a incompreensão, trazendo uma dor tão lancinante que por instantes, julguei ter a certeza de que não havia Deus algum que trouxesse este inferno aos seus filhos.
E à vossa volta, vêem o mundo ruir, vêem o mundo tornar-se oco, vêem o caos a surgir e mostram-se impassíveis. Sentem até alguma alegria, algum tipo de satisfação por ver o sangue a correr. Por verem as vidas inocentes a serem desperdiçadas por capricho.
Assistem com vontade às revoltas que acontecem à vossa volta, com o intuito de alcançar uma tão desejada liberdade.
Rejubilam-se na destruição que percorre o mundo num suspiro, vivem indirectamente a desgraça dos outros, e no meio disso, conseguem encontrar paz com vocês próprios. Acima de tudo, conseguem ficar em paz com o vosso Deus.
Vivem felizes por saber que noutro lado do planeta onde habitam, a respirar o mesmo ar que vocês, vidas humanas estão em perigo, estão destroçadas, devido à vossa dedicada missão de reduzir a vida a simples monte de cinzas, a ondas gigantes ou a fendas colossais.
Não posso ficar aqui simplesmente a assistir! Não posso manter-me imperturbável enquanto vos observo a acabar com tudo o que há de bom. A acabar com a inocência de uns, com a felicidade de outros. Com a vida de muitos.
Eventualmente, vão ser deixados para trás. Porque até os deuses vão decidir-se e vão considerar-vos uma causa perdida.
Vão ficar finalmente orgulhosamente sós! À vossa mercê, com a necessidade de limpar este sangue que já não sai, por mais que tentem. Nem este lixo que nunca irá desaparecer.
Os tambores já começaram a tocar.
Agora, é tarde demais.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Podes pensar que estás muito longe da iluminação escrita de outrora, mas não estás. Este texto foi absoluto, extramemente forte e possante, fazendo lembrar textos de influência "santa", círculos, e do Homem.
A clareza da raiva e do sentimento está presente, como outrora, nestas revoluções interiores inspirados no mundo que nos rodeia.
Este texto arrepiou-me, como outros, tão verdadeiro, tão tristemente real; e as frases maravilhosas são muitas...
"Os tambores de guerra há muito que se fizeram ouvir. Desde então, a humanidade estacou, sem respirar, à espera de ouvir a sua sentença."
"E vi muitos dias a amanhecer, a regressarem vermelhos, manchados pelo sangue que nunca será estancado."
"Os tambores já começaram a tocar.
Agora, é tarde demais."
Entre outros. Welcome back to the spiral. Keep going

Este texto encaixa com o teu, found it:
http://versologista.blogspot.com/2011/01/born-in-blood_21.html