Conseguimos logo sentir no ar a magia deste sítio, conseguimos presenciar um passado não muito distante que já foi aqui vivido. Sentimos no ar a nostalgia, a melancolia de quem foi separado pelo destino. Sentimos o desespero de alguns, bem como a sua extrema felicidade, em momentos já acabados.
Este lugar diz-se especial, com poderes extraordinários e tudo à nossa volta parece inspirar-nos esse sentimento de sermos demasiado pequenos face ao poder sobrenatural que habita em cada bosque e em cada fachada manuelina.
Senti-me pequena, mas ao mesmo tempo grata por poder sentir a névoa dos tempos aúreos, por poder vislumbrar cada esquina que parecia esconder um segredo de máxima importância.
Por esses trilhos íngremes e gelados consegui sentir o meu coração a bater mais rápido, só por imaginar. Só por poder usar a imaginação, só por poder ser eu a criar a História, e não outra pessoa qualquer. Ali, sou eu que escolho quem são as personagens, quais os seus trajectos, e principalmente, qual o seu fim.
Sou eu que controlo o tempo, o espaço, o agora e o antes. Sou eu que decido quem é feliz e quem deseja morrer, não existe ninguém a dizer-me o contrário. Não existe a impotência, não existe o impossível.
Quem me dera ter ficado por lá, a perder-me nas ruas estreitas e cheias de vida, para sempre.
Sintra, 8 de Março de 2011
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