Abro os olhos para saber que não estou a sonhar. Vejo a estação de metro onde estou e percebo que não é um sonho.
Não, nunca esteve mais longe disso.
Os bons sonhos há muito que me abandonaram...
Ao meu lado o banco vazio significa muito mais do que o vazio que me corrompe o coração. Significa muito mais do que a tua falta na minha vida, significa muito mais do que eu estou a perder.
A estação vai enchendo e os meus olhos procuram incessantemente por ti, no meio da multidão. Procuram em vão por um sinal de ti que iluminasse a minha alma, que me devolvesse o que perdi.
Eu sei que a culpa é minha, eu sei que fui eu que errei, eu sei que estraguei a melhor coisa que já me aconteceu. Julgas que não sei? Julgas que não é isso que me mantém acordada toda a noite?
Os metros vão e vêm mas eu permaneço aqui presa, sem saber para onde ir, sem saber o que fazer.
Era tudo muito mais fácil quando te tinha ao meu lado para me guiar. Agora só resto eu, perdida, sozinha, aqui ao frio, a andar de um lado para o outro, em círculos.
Se me ajoelhasse neste chão gelado e chorasse sem fim, será que voltavas?
Será que se implorasse aos céus, devolviam-me os momentos de felicidade contigo?
Talvez... Mas nada voltaria a ser o mesmo, depois de eu ter estragado o que tínhamos.
Depois de eu partir e levar um pedaço da tua alma, depois de arruinar a melhor parte da minha curta vida. O melhor, reduzido a ruínas, a cinza. Desfeito, enterrado debaixo da poeira que o passado soltou.
Para quê? Para quê tentar imaginar algo que nunca irá acontecer? Para quê recordar, para quê pensar no que só me trás dor e agonia?
Estas lágrimas não causam nada, não trazem nada de novo. Não melhoram o meu mundo. Já nem conseguem expelir o veneno de dentro de mim, já nem me trazem paz ou conforto.
Não. Agora já só me lembram a falta que tu me fazes. Lembram-me apenas o teu lugar vazio.
Estou aqui nesta estação de metro onde a minha sombra está desamparada.
Onde os meus passos ecoam um silêncio doloroso.
Olho à volta e sem respirar, de olhos fechados, entro num metro qualquer, e escolho o meu destino.
Por favor, lembra-te de mim.
Bons sonhos.
To be continued...
I parte
II parte
III parte
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