Chega deste silêncio forçado! Chega de tentar controlar a multidão, a revolta, o motim que se gera dentro de mim!
Chega de tentarem calar a razão e a loucura, o bom senso e a falta dele. Chega de me tentarem amarrar a algo que não está na minha natureza, a algo que não me preenche.
Acaba por aqui o reinado das palavras, acaba aqui a minha liberdade. A minha capacidade de extrair o veneno directamente do meu coração.
Fiquei sem ela há algum tempo e agora, por mais que tente, por mais que corra, por mais que procure e olhe por todo o lado, não há meio de a encontrar.
O medo acabou, o receio ficou para trás. A insegurança já foi, os passos foram dados, as decisões tomadas.
Lutei tanto para aqui chegar, que perdi a noção do caminho percorrido.
E acabei aqui, neste quadro branco, vazio, mais escuro que a escuridão, à procura de mim, à procura do dom que se perdeu nas entrelinhas.
Fico aqui, a recuperar o fôlego, de tanto tentar encontrar, de tanto correr, à procura de algo que nem eu sei ao que se assemelha, a algo que nem eu sei reconhecer.
Fico aqui, nesta revolução silenciosa, onde o que se ouve é apenas o meu coração a bater e a morrer aos poucos, enquanto também eu sofro.
O que se ouve, é o tempo a passar, e eu, aqui, no vazio, sem respirar. Sem inspiração.
1 comentário:
Vejo que és fadada, Joana, como só alguns são, pela capacidade de desfiar em palavras aquilo que para os demais é um sonho, ideia ou simples arrepio. Então isso traz-te a responsabilidade... de continuares a escrever. Eu cá, vou lendo.
Teacher
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