Sobes ao palco. Agora é o teu momento.
Dizes tudo, dizes nada, dizer qualquer coisa.
Então nesse momento, a tua sombra trai-te. Logo a tua sombra!
Começas a diminuir, a desvanecer até desaparecer.
E assim outra face tua aparece. Ela grita: PORQUÊ?
Ninguém te responde. Talvez porque não saibam a resposta,
Ou talvez porque te quererem manter na ignorância.
Diminuis outra vez, e uma nova face aparece.
Desta vez ela pergunta:QUAL É A RAZÃO?
Eles ignoram-te por completo.
Ficam só ali a olhar para ti, a sorrir serenamente.
Desces do palco diriges-te à plateia e gritas-lhes aos ouvidos:
Eu sei que me ouvem!
Abana-los, esbofeteia-los. A passividade perturba-te de uma
Maneira incrível. Como é possível serem assim?
Deixarem-se ficar...Tens de sair daí, estás a sufocar.
Podias dizer coisas atrozes, mesmo assim eles não pestanejariam, sequer.
Decides que não vale a pena gastares o teu precioso tempo. Não com essas pessoas. Essas pessoas que te desiludem uma, duas, três vezes. Decides que não são dignos de tentares mais uma vez.
Dás meia volta e vais-te embora.
Não és do género de pessoa que se afasta, que vira costas ao problemas, mas nesse caso tem de ser assim.
Tem de ser assim!
1 comentário:
Para mim este foi o poema (além do the crown) que lançou, ou tornou mais visível a tua nova maneira de escrever (elogiada mais à frente). Digamos que foi um poema de mudança. Gostei muito dele. Digamos que faz muito o meu género (algo que começa a tornar-se uma constante no teus novos poemas, não que desgostasse dos outros - elogio).
Faz-me lembrar um poema meu, com a mesma força, a mesma revolta ritmada. Cinco estrelas. Parabéns.
P.S. Adoro esta nova Joana literária.
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