Na escuridão é onde me encontro. Fico em vão à espera de ser iluminada. É que por mais que tente, não consigo. Não consigo conceber certas ideias, certos princípios, certas maneiras de ver o mundo...
Será que ele está assim tão destruído e mutilado? Ou somos nós que o pintamos assim?
Está assim tão manchado pela injustiça e pela corrupção? Ou somos nós que as criamos?
Dizeres frases bonitas ou ficares comovida quando vês a pobreza retratada na televisão não chega! O facto de as dizeres, não implica que as digas com sinceridade. Actua! Não digas que vais fazer, faz mesmo! Deita-te à noite a pensar que tornaste o mundo num lugar melhor. Porque ambos sabemos que saber que não o tornámos num lugar pior, não é suficiente. Abraça uma causa, luta por ela. Abre os horizontes. Pensa para além dos limites. Mas faz qualquer coisa!...
«Push the envelope, watch it bend»
Lá no fundo, bem no fundo dos nossos seres, existe um sítio escuro e muito bem escondido que é a habitação perfeita para a raiva.
É um sítio terrível para decidires acampar lá. Eu já lá estive. E sei que por mais raiva e ódio que sintas, eles regeneram-se. E não dão lugar a outra coisa. A estrada a que a raiva leva é sinuosa. Porque te obriga a fazer e a dizer coisas que mais tarde te fazem questionar os teus próprios princípios.
O que tens a fazer é perguntar a ti mesmo se tudo o que fizeste tornou a tua vida melhor. Porque talvez só te tenha feito sentir mais perdido. Nesse caso, não mediste os meios, para atingir os fins. E isso, é o pior mal que podes fazer. Não ter noção do que podes causar. De mal ou de bem. Vês a pessoa que és, e vês a pessoa que podias ser. Qual é a tua escolha? Eu no teu caso, começava por deixar a raiva ir, porque é mesmo o que precisas de fazer.
«Let go, let go, let go, let go, let go, let go, let go, let go, let go»
Sentes raiva? Não sabes o que é raiva. Raiva é saber que pelo mundo fora, neste momento, milhares de crianças morrem por não terem sequer água para beber. Porque têm de comer raízes do chão. Porque são exploradas todos os dias para tentar sustentar os sete irmãos.
Vês injustiça? Não sabes o que é injustiça. Ricos que não sabem o que fazer ao dinheiro, gastando-o em coleiras de diamantes para os cães, enquanto que a percentagem de pobreza no mundo é mais de 50%.
Pensas que sabes o que é dor? Porque não sabes. Seres vendido como mercadoria, prostituires-te aos nove anos de idade, apanhares HIV, malária, ébola, dengue, gripe amarela, cólera, tuberculose, desinteria. Na idade em que devias ser inocente e protegido, vês todo o mal do mundo com os teus próprios olhos. À tua frente, uma verdade impossível de negar. Porem-te uma metralhadora nas mãos e teres como objectivo entrar num campo de batalha, para matares pessoas. Não é uma brincadeira. Acabares mesmo com a vida de uma pessoa. Como podes recuperar disso?
Sentes pena de ti próprio? Pensas que não tens sorte na vida porque não te carregam o telemóvel ou porque não te dão dinheiro para comprares ténis de marca? Não sintas. Há quem tenha de dormir ao relento. No chão. Há quem tenha de viver sem condições minimamente básicas, sem cuidados médicos, sem esperança de poder dar uma vida minimamente digna aos filhos.
Somos todos privilegiados por termos um tecto, comida, roupas, educação. E não lhes damos valor. Que maior hipócrisia há? Só a da santa igreja, que dá apoio aos pobres, ajuda-os, mas no entanto não faz aquilo que devia. Para começar devia doar um terço da sua riqueza. Só um terço chegava. Dispam os colares de ouro, vendam os quadros caríssimos! Destruam as estátuas se for preciso! Mas façam qualquer coisa para ajudar! Não finjam que ajudam, ajudem mesmo!
«I need to watch things die, from a good safe distance»
Sabes o que me corta a respiração? Saber que pelo mundo fora existem pessoas que discriminam outras pessoas por terem uma cor de pele diferente, por terem uma orientação sexual diferente, ou uma religião diferente da sua. Mais mente fechada é impossível. Quer dizer, somos todos iguais por dentro! Carne, sangue e ossos.
Cada um tens os seus princípios e ideais, os seus gostos e não devemos ser julgados por isso. Devemos ser louvados por termos livre arbírtrio e por pensarmos por nós próprios. Racismo é a pior coisa que existe no mundo. Maltratarem, matarem, abusarem de pessoas de cor, só por isso mesmo, a sua cor é inaceitável. É ridículo. Não tem fundamentos lógicos. É tão retrógado. Qual é o mal de seres homossexual? É só uma questão. Há piores coisas para julgares. Não faz de ti pior pessoa. Não faz de ti menos pessoa, sequer. És como nós, carne, osso e sangue. «Dust to dust, ashes to ashes.»
És meu amigo, meu vizinho, és boa pessoa. És como os outros. És judeu, és cristão, és ateu. Não nos podemos dar bem porque discordamos de alguns assuntos? Cresçam! Lidem com as coisas civilizadamente. Sem violência, sem guerra. Usem as palavras.
«Imagine all the people, sharing all the world»
Não querendo ser discriminadora, esterotipadora ou preconceituosa, corro o risco de dizer que o nazismo é uma das piores “filosofias” que já reinaram no mundo. Desde quando é que ter um homem sem escrúpulos a comandar-te é bom? Sem pensares pela tua própria cabeça. Cumprires ordens sem questionares. Cometeres actos grotescos como matares alguém. Adorares símbolos que deviam ter um valor, mas que para ti têm outro. Porque não acreditas plenamente nessas tretas todas. Fazes isso porque alguém te incitou, porque alguém te disse 20, 30 , 40 vezes que era isso que devias fazer, sentir ou pensar...
Adoras um homem que acredita que um holocausto pode purificar a raça humana? Toda a gente tem direito à vida. Quem é ele para determinar que não? Tanta destruição que ocorreu, tanto sangue derramado, tanta injustiça, e tortura. Mais de seis mil pessoas mortas, todos os dias em campos de concentração, em câmaras de gás. E tudo isso com que fim? Que bem trouxe isso ao mundo?
Tens de perguntar a ti mesmo:”Tudo o que fiz tornou a minha vida melhor?”. E aí tens a resposta para saber se tudo valeu a pena. Porque tens estado a fazer as perguntas erradas. Dá um passo em frente e experimenta pensar po ti próprio de vez em quando.
«Never thought to question why»
Tentas acabar com a tua vida. Pensas nisso, todos os dias durante toda a tua vida. Vives perseguido pela ideia que com a morte, podes acabar com todos os teus problemas. A pressão do trabalho, o stress diário, os conflictos com as pessoas que te rodeiam. Se assim é, qual é a tua pressa? Há gente em camas de hospital a lutar pela sua vida. Todos os dias podem ser o último, mas ele lutam para ficar por cá. Todos os dias em vários países em desenvolvimento há gente a ver os irmãos e os pais a morrerem nos seus braços. Achas que tens problemas? Achas que a tua vida devia acabar? Não tenhas pressa. Há tanto que podes fazer! Melhora a tua vida, e depois melhora a de muitas pessoas. Não sejas dessas pessoas que desistem de viver. Que não fazem nada, que ficam de braços cruzados a ver os outros a combater, a lutar. A vida é uma grande batalha. Ganhas algumas lutas, perdes outras, mas só acaba, quando parares de lutar. Não tenhas pressa, há muito para fazeres, ainda. E um dia encontras o descanso eterno, porque todos nós vamos morrer.
«What’s your rush, everyone will have his day to die»
1 comentário:
Este texto, talvez mais do que qualquer outro merece a minha atenção total. Por isso fugi tanto tempo ao seu comentário. Não é apenas um poema, não é apenas prosa.
Em termos de "informação útil" (Como a tem o Mr.Tyler) foi o teu melhor texto, sem dúvida nenhuma. Consegues juntar ao mesmo tempo uma linguagem cuidada (outras vezes não) mas num texto deste estilo, onde só nos apetece escrever a revolta interior (sem pensar na maneira correcta de os dizer) foi um texto intenso mas controlado, nisso também estás de parabéns.
Em segundo lugar, talvez o mais importante, e não minto quando digo isto, mesmo que depois me vá esquecendo aos poucos com tempo (dado que sou humano e secalhar ainda não quero mudar realmente esta podridão toda mundial e injusta) quando li o texto fiquei de facto a pensar em tudo o que tu disseste. E este seria um texto que merecia estar também ele espalhado pelas ruas, devia ser um texto para se ler todos os dias em espaços públicos. Acho um texto magnifico, digno de aplausos. Consegues pôr o dedo na ferida, em várias feridas aliás.
Quase não tenho palavras. Está um texto articulado, bem escrito e bem argumentado com as citações.
Não sei que dizer mais. Adorei e espero que mais do que o escreveres consigas de facto mudar o mundo e abrir os horinzontes a mim e aos outros.
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