Estive a ler as tuas cartas.
As cartas que me enviaste.
Aquelas, tantas cartas, que me escreveste.
Não sei porque é que as li.
Não queria realmente fazê-lo.
Só queria rasgá-las, queimá-las e enterrá-las.
Bem longe daqui.
Ao fim destes anos ainda tentas ter o dom de me
Atormentar desta maneira. De me meter o dedo
Directamente na ferida. Sabes bem qual é o meu
Calcanhar de aquiles, não é assim?
Está descansado, já não me consegues atingir.
Toda a tua dúvida só consegue tornar-me mais forte.
Eu estive no meu casulo. Selei todas as paredes à
Minha volta, com muito cuidado. Aproveitei para sarar
As minhas marcas de guerra.
Quando saí de lá, estava transformada.
E agora já não me podes afectar!
Estive a ler as tuas cartas.
Velhas cartas que me escreveste.
Que me enviaste.
Desde Paris até Roma. De Berlim até Estocolmo.
Londres, Atenas, Dublin.
Acompanhei-te nessa viagem, mas será que estive
No teu pensamento? O tempo todo?
Estas dúvidas já não me assombram.
Pensei muito em rasgar as cartas que me escreveste.
Queimá-las até.
Mas decidi guardá-las. Para te recordar.
Para saber que já não me causas transtorno.
Nunca mais.
1 comentário:
Não entendo porque pensaste que não iria gostar deste poema, quanda na realidade o VENEREI. Está ao nível mais soberbo. Excelente. Faz parte do meus favorios sem dúvida. Adorei, amei, venerei a revolta inicial e centra. Gostei da evolução. E o final foi, emocionante.
É daqueles poemas que ao ler realmente o sujeito poético vejo-te a ti.
Parabéns (outra vez)!
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