19 setembro, 2009

Insanidade Temporária


Não te preocupes. Eu ouço-te a chamar-me.
Eu estou a ir. O mais depressa que consigo.
Mas tens de ter calma. Tu chamas-me, sem cessar.
E eu estou a ir! Não me apresses.
Tu és apenas uma das muitas vozes na minha cabeça.
E eu tenho de chegar a todas elas.
Portanto, não te preocupes. Eu ouço-te a chamar-me.
Esta insanidade temporária está a arruinar-me tudo.
Como posso fazer o que quer que seja se já não tenho
Noção daquilo que faço? Do que digo.
O tempo agora é extremamente relativo. Ora passa a
Correr, ou demora uma eternidade a passar.
Já não como, já não durmo. Já não faço nada com a lógica
Do meu lado, como antigamente. Quando éramos velhas amigas.
Só respiro, porque não sou eu que tenho de insuflar os pulmões.
Eles que se arranjem! Não tenho tempo para isto.
Sim, tempo é coisa que aparentemente não tenho.
Tenho de chegar a todas as vozes! Mas por qual hei de começar?
Há tantas possibilidades...
Este eco na minha cabeça começa a levar-me à exaustão.
Se as vozes cessassem por uns minutos, eu agradecer-lhes-ia,
E muito! Muito, estão a ouvir? Parem! Por favor, parem simplesmente!
Eu estou a ir, o mais rápido que posso. Se ao menos conseguisse dormir!...
Só quero que esta insanidade temporária passe. Ouviram?

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Como todos os textos, gostei muito deste. A surpreender:
"Como posso fazer o que quer que seja se já não tenho
Noção daquilo que faço? Do que digo."
Voltei a gostar do ritmo, deste monólogo especial.

Quem ao tempo tempo tira, com quanto tempo costuma ficar?

Adoro-te. Continua.