Consegues ouvi-lo na minha voz?
Consegues lê-lo nos meus olhos?
Ao percorrer o corredor, engano o mundo inteiro.
Caminho confiantemente e ostento um ar
De imensa segurança.
Reparo nas pessoas à minha volta, enquanto caminho.
Elas observam a minha passagem. Atiram-me olhares
Críticos, de excrutínio. Olhares de dúvida.
Eu não desvio o olhar e ergo a cabeça, bem alto.
Com todo o orgulho que tenho.
Mas assim que o corredor acaba, a outra parte de mim
Toma lugar e assume o controlo.
Consegues ouvi-lo na minha voz?
Já não sei o que ando a fazer.
O que me terá acontecido?
Passas por mim, e quero chegar-te.
Quero alcançar-te, mas a voz esmorece, dentro de mim.
Olhas para trás como que a pedir-me uma razão para ficares.
Não é óbvio?
Não consegues lê-lo nos meus olhos? Será que todo o mundo
Sabe, menos tu?
Se soubesse ao menos explicar-te. Se pudesse ao menos explicar-te...
Entras no corredor. Para te seguir, vou ter de enfrentá-los, outra vez.
Acredito que vale a pena. Vou atrás de ti.
Desta vez, entro a correr.
Eles olham, apontam o dedo e riem. Julgam-me, tecem comentários.
Façam o que quiserem! Eu já não me importo.
Sigo-te e consigo finalmente chegar ao pé de ti. Que é tudo o que importa.
Olho para ti. Tu olhas para mim.
Sorris e agradeces-me. Por te ter dado o teu motivo.
Não era tão óbvio?
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