Transponho o limiar da porta.
Aproximo-me da mesa, ao centro.
Vejo a encomenda. Toco-lhe.
Levanto-a e desejo metê-la no bolso.
Tu dizes-me que tem um preço.
Eu digo que sim. Digo que compreendo.
Estou pronta a mentir-te para obter aquilo
De que vim à procura. Estou pronta a enganar,
Roubar para obter o que é meu.
Meu, meu, meu....
Eu sou mais esperta do que julgas. Só quero
Aquilo de que vim à procura, depois não
Quero ficar mais um segundo aqui.
Sorrio. Bato com os dedos na mesa. Impacientemente.
Só a quero ter na minha posse e sair daí.
Dá-ma simplesmente. Dá-ma!
Acalmo-me. Respiro fundo. Olho para ti. Mas só vejo
Um par de olhos vazios. Baços. Aos quais toda a felicidade
E vida foram sugadas. Engulo em seco. Toda a ânsia de a receber,
Está a consumir-me por dentro. Gotas de suor escorrem-me
Pelo pescoço abaixo. Bato com o pé ao de leve no chão.
Não consigo controlar o monstro de impaciência que se gera dentro de mim.
Minto, roubo, engano, só para obter o que me pertence.
O que é meu, meu!
Fazes me esperar, com que fim? Dá-te prazer? Gostas de me torturar?
Não consigo aguentar durante muito mais tempo.
Olho para ti. Sorrio. Empurro a caixa na tua direcção.
Vou-me embora. Não vale a pena submeter-me a isso.
Só para obter o que pensava ser meu. Estava enganada.
Durante todo esse tempo, estava apenas a submeter-me
Ao teu teste.
Parabéns. Ela pertence-te
1 comentário:
Tinhas razão, gostei muito do poema. Aproveito para felicitar o novo estilo do blog (acho que está muito melhor) e mais importante ainda felicitar a tua evolução na escrita, estás a tornar-te muito maior.
Gostei do poema todo, mas adorei mesmo a forma como dás a volta no final.
Cinco estrelas. Parabéns e continua a crescer.
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