Eu empurro de um lado,
Tu puxas do outro,
E andamos neste impasse
Há mais que muito tempo.
Não vês que ainda não
Percebi o que queres de mim?
Andas nessa roda viva, nesse
Cerco febril, sem parar.
Continuamos a criar destes
Espaços vazios, com palavras
Sem som que são (não) ditas.
Constantemente...
Onde vamos parar?
Neste medir de forças,
Neste duelo de caráter,
Nesta falsa competição?
Sou sempre eu que caio primeiro,
Eu desisto mais rapidamente,
Mas logo chegas tu, (outro tu),
Apaziguando o que não chegou a existir.
Chegas e colas os bocados de mim
Que se espalharam à tua frente.
Também tu te desfizeste, silenciosamente,
Quando, de repente, começa
O ruído de fundo.
Inicia-se outro fim, e nunca pára.
Eu empurro de um lado,
Tu puxas do outro,
Até um de nós quebrar (de vez).
22 janeiro, 2012
20 janeiro, 2012
Crash and Burn
You swear today is the last time.
You swear that you'll never walk down that road, that you'll never think about that name again.
You will do whatever it takes to erase that single number from your memory, because until you forget it, you won't be able to control the urge to return to your addiction. Incredible temptation.
You'll begin to think (at first) that it was a mistake. You shouldn't have left. That the mistake was leaving.
That you should've handled all the wounds he caused; all the words that made your world spin out of control...Pity he left you, pity it didn't work out like you wanted (needed). That's life...
How sad...He cursed you, he scared you away, he made you leave and never come back, and here we are. You feel every inch of your body crying for him, aching. "Go there, see him one more time, kiss him one last time" (but it wouldn't work) - your mind tricks you into a world that does not exist.
And what are words? What does it mean, when his mouth says one thing, but his actions another? So his heart skipped a beat when he first saw you...So what? Yours barely kept beating after you left. Is it fair? The pain of despair, the sorrow, the anger, the loneliness...They're for you, he doesn't feel them anymore.
Even in hurt you're alone. He never felt it, he never truly wanted you. It was all a lie you really loved; that's your burden, knowing that after all is said and done, he won't be back. He was never yours, even when you were his.
Maybe the worst part is knowing that despite all this being true, you would still go back. You can't let go, you are stuck on him, for good.
Trying to move on, trying to forget, you close your eyes and you still see his face, his smile. Without great effort you can still hear his voice, calling your name softly. And then yelling, hurting, using that familiar voice to make you come undone.
Once the brightest dream, now the nightmare you can't wake from; the sweetness turned into something deeply bitter and suddenly you can no longer breathe. It's twisted, dangerous and sick, but you miss him anyway. You somehow remember the good moments.
You re-open the wounds, the scars, the bruises, to feel his touch - trying desperatly to hold on to his last remains - it won't be over.
Not soon...Not soon enough.
You swear that you'll never walk down that road, that you'll never think about that name again.
You will do whatever it takes to erase that single number from your memory, because until you forget it, you won't be able to control the urge to return to your addiction. Incredible temptation.
You'll begin to think (at first) that it was a mistake. You shouldn't have left. That the mistake was leaving.
That you should've handled all the wounds he caused; all the words that made your world spin out of control...Pity he left you, pity it didn't work out like you wanted (needed). That's life...
How sad...He cursed you, he scared you away, he made you leave and never come back, and here we are. You feel every inch of your body crying for him, aching. "Go there, see him one more time, kiss him one last time" (but it wouldn't work) - your mind tricks you into a world that does not exist.
And what are words? What does it mean, when his mouth says one thing, but his actions another? So his heart skipped a beat when he first saw you...So what? Yours barely kept beating after you left. Is it fair? The pain of despair, the sorrow, the anger, the loneliness...They're for you, he doesn't feel them anymore.
Even in hurt you're alone. He never felt it, he never truly wanted you. It was all a lie you really loved; that's your burden, knowing that after all is said and done, he won't be back. He was never yours, even when you were his.
Maybe the worst part is knowing that despite all this being true, you would still go back. You can't let go, you are stuck on him, for good.
Trying to move on, trying to forget, you close your eyes and you still see his face, his smile. Without great effort you can still hear his voice, calling your name softly. And then yelling, hurting, using that familiar voice to make you come undone.
Once the brightest dream, now the nightmare you can't wake from; the sweetness turned into something deeply bitter and suddenly you can no longer breathe. It's twisted, dangerous and sick, but you miss him anyway. You somehow remember the good moments.
You re-open the wounds, the scars, the bruises, to feel his touch - trying desperatly to hold on to his last remains - it won't be over.
Not soon...Not soon enough.
14 janeiro, 2012
Ceremonials
«I was dead when I woke up this morning and I'll be dead before the day is done»
A constatação da realidade pode ser, por vezes, um alívio. Um começo.
O cordão que nos agarra ao outrora pode assumir um peso terrível, que nos vai afundando rapidamente até já não vermos a superfície. A tarefa de nadar na ilusão pode ser um fardo tão pesado como talvez o de carregar o mundo nos nossos ombros, infinitamente.
Se me avistar ao longe percebo claramente o que falta, o que não está cá; o espectro ganhou a forma do que costumava haver e segue o meu caminho, por mim. A aparição surgiu e ficou por aqui, pairando sempre que eu baixava a minha defesa, querendo tomar o meu lugar. As sombras ganharam...
No último quarto crescente da lua, mergulhada na escuridão tão apreciada da noite, o vento calou-se, o mundo parou de girar e eu encontrei talvez uma aguardada saída. Eu compreendi algo que até ontem não tinha sido possível apreender. Saí do meu corpo e fiquei a ver-me. Durante um momento, no meio do ruído, eu contei os danos visíveis; os que não se vêem são irreparáveis, para já.
Não creiam já que com esta verificação do que falta eu pretendo já a reparação tão necessária. Não...pelo contrário. Esse momento, bem como este texto, servem apenas para a minha quase-libertação, para o inalar preso há tanto tempo (e nem me tinha apercebido que estava a conter a respiração!). Agora uma nova parte pode começar, pode haver um novo caminho, já que o antigo foi tantas vezes perdido e encontrado que já não tem qualquer valor.
Recuso a absolvição da minha alma, não procuro o perdão por toda a negligência, pela falta de interesse. Eu sei que tudo isso foi culpa minha, eu sei que isso não passou de um mecanismo para sobreviver ao deserto onde desembarquei. Mas agora sei o caminho, nem que seja pelo menos o seu princípio...Eu sei, agora, que não tem mal enterrar uma parte de nós que, momentaneamente, está morta. Sei, neste segundo, que o mal foi não querer aceitar isso.
A loucura estava em querer agarrar-me a esse fantasma do que foi; tenho-me agarrado tanto àquilo que fui, que me esqueci de perceber quem sou agora. Há espaço para recriar, há espaço para explorar finalmente. Posso sair da forca já desenlaçada à qual ainda tentava estar presa, pelo passado.
Um ciclo acaba, porque outro tem obrigatoriamente de começar: aqui está o ritual de passagem que tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde. Agora sou livre (novo capítulo).
Aqui jaz Joana Henriques, pessoa que tinha o dom de nunca perder a esperança, que tinha a capacidade de sonhar, que gostava de acreditar no melhor das pessoas, independentemente do que estas faziam para lhe provar o contrário. A sua alegria constante e a capacidade de ver o próximo dia como um melhor do que o presente eram das suas melhores qualidades.
Agora surge outra...Uma que não tenha de passar os dias a olhar para trás, sabendo o que se perdeu (primeiro pedaço de verdadeira esperança que me apareceu em meses). Uma que esteja viva.
O cordão que nos agarra ao outrora pode assumir um peso terrível, que nos vai afundando rapidamente até já não vermos a superfície. A tarefa de nadar na ilusão pode ser um fardo tão pesado como talvez o de carregar o mundo nos nossos ombros, infinitamente.
Se me avistar ao longe percebo claramente o que falta, o que não está cá; o espectro ganhou a forma do que costumava haver e segue o meu caminho, por mim. A aparição surgiu e ficou por aqui, pairando sempre que eu baixava a minha defesa, querendo tomar o meu lugar. As sombras ganharam...
No último quarto crescente da lua, mergulhada na escuridão tão apreciada da noite, o vento calou-se, o mundo parou de girar e eu encontrei talvez uma aguardada saída. Eu compreendi algo que até ontem não tinha sido possível apreender. Saí do meu corpo e fiquei a ver-me. Durante um momento, no meio do ruído, eu contei os danos visíveis; os que não se vêem são irreparáveis, para já.
Não creiam já que com esta verificação do que falta eu pretendo já a reparação tão necessária. Não...pelo contrário. Esse momento, bem como este texto, servem apenas para a minha quase-libertação, para o inalar preso há tanto tempo (e nem me tinha apercebido que estava a conter a respiração!). Agora uma nova parte pode começar, pode haver um novo caminho, já que o antigo foi tantas vezes perdido e encontrado que já não tem qualquer valor.
Recuso a absolvição da minha alma, não procuro o perdão por toda a negligência, pela falta de interesse. Eu sei que tudo isso foi culpa minha, eu sei que isso não passou de um mecanismo para sobreviver ao deserto onde desembarquei. Mas agora sei o caminho, nem que seja pelo menos o seu princípio...Eu sei, agora, que não tem mal enterrar uma parte de nós que, momentaneamente, está morta. Sei, neste segundo, que o mal foi não querer aceitar isso.
A loucura estava em querer agarrar-me a esse fantasma do que foi; tenho-me agarrado tanto àquilo que fui, que me esqueci de perceber quem sou agora. Há espaço para recriar, há espaço para explorar finalmente. Posso sair da forca já desenlaçada à qual ainda tentava estar presa, pelo passado.
Um ciclo acaba, porque outro tem obrigatoriamente de começar: aqui está o ritual de passagem que tinha de acontecer mais cedo ou mais tarde. Agora sou livre (novo capítulo).
Aqui jaz Joana Henriques, pessoa que tinha o dom de nunca perder a esperança, que tinha a capacidade de sonhar, que gostava de acreditar no melhor das pessoas, independentemente do que estas faziam para lhe provar o contrário. A sua alegria constante e a capacidade de ver o próximo dia como um melhor do que o presente eram das suas melhores qualidades.
Agora surge outra...Uma que não tenha de passar os dias a olhar para trás, sabendo o que se perdeu (primeiro pedaço de verdadeira esperança que me apareceu em meses). Uma que esteja viva.
«Oh my love don't forsake me, I let the water take me...»
10 janeiro, 2012
Refúgio
«Podemos fugir de tudo, não de nós próprios»
Não é o silêncio que eu procuro.
Não é o vazio literal.
Aqueles momentos em que respiro
Finalmente não são o fim,
São apenas um início.
Tento freneticamente alcançar
Essa oportunidade; parar o
Tempo nesses instantes. Impossível.
Percebi que nesses escassos segundos
Consigo acumular a calma de que tanto
Corro atrás. Entendi, finalmente, que
Não é a ausência de som.
No silêncio vejo possibilidades,
Hipóteses. No silêncio há uma
Chance de tudo; também há o possível
Confronto. A realidade.
No espaço sem nada eu posso
Ter de pensar, reagir.
Sem abstrações, fico reduzida ao
Branco. À verdade; não é isso que procuro:
Não é a falta de humanidade,
Não é a vontade de esquecer por inteiro
Não...É a paz aguardada.
É a calma sólida que advém da dor
Penetrante (permanente), quando menos
Espero. Quero aprisioná-la de tal maneira,
Que me escorre por entre os dedos.
Não é o silêncio, ele já não me chega.
Não é o vazio literal.
Aqueles momentos em que respiro
Finalmente não são o fim,
São apenas um início.
Tento freneticamente alcançar
Essa oportunidade; parar o
Tempo nesses instantes. Impossível.
Percebi que nesses escassos segundos
Consigo acumular a calma de que tanto
Corro atrás. Entendi, finalmente, que
Não é a ausência de som.
No silêncio vejo possibilidades,
Hipóteses. No silêncio há uma
Chance de tudo; também há o possível
Confronto. A realidade.
No espaço sem nada eu posso
Ter de pensar, reagir.
Sem abstrações, fico reduzida ao
Branco. À verdade; não é isso que procuro:
Não é a falta de humanidade,
Não é a vontade de esquecer por inteiro
(sono profundo)
Não é a capacidade de me esconder do mundo.Não...É a paz aguardada.
É a calma sólida que advém da dor
Penetrante (permanente), quando menos
Espero. Quero aprisioná-la de tal maneira,
Que me escorre por entre os dedos.
Não é o silêncio, ele já não me chega.
25 dezembro, 2011
Never Let Me Go

«Deliver me»
Fecho os olhos e imagino-me aí. Imagino-te comigo, nesse lugar que já existe na minha cabeça.
Enquanto não vir nada, o tempo está parado. Dá-me um momento para fingir que não estou aqui, sozinha. Dá-me um pretexto para fugir ao assunto da distância, do tempo, do vento...Não estou de facto aqui até o sol chegar e me afogar na sua luz cristalina; até o sol me despertar para a realidade - estou presa e não posso sair, por agora.
O choque do contacto com a água fria acorda-me deste torpor imaginado (não estou lá nem cá, não estou viva nem morta), desta fantasia verdadeira que me deixa a meio caminho por qualquer direção que escolha. Não sou bem-vinda, não sou aceite, mas se tento em vão mudar o meu rumo, lá estão elas, as mãos que me prendem, as garras que me ferem até sangrar, impedindo-me de andar.
Capricho ou vontade firme. Ir ou voltar. Sempre em roda viva, giro em volta destas escolhas, à tua mercê, à espera que seja feita a tua vontade (apenas na terra). Mudo de opinião, mudo de escolha, mudo de pensamentos, mudo de papel, mudo de corpo. Acho que mudo por inteiro, dou voltas e voltas ao mundo, e quando finalmente paro para repousar, encontro-me no sítio onde estava. Sem saber. Sem agir. Sem me mover. Sem fala, por fim. Se consigo, por acaso, libertar-me e começar o caminho de volta, de novo me vejo rodeada pelas vossas sombras, pelos vossos olhares que me atormentam, que me incitam a voltar ao meu lugar. Que me assombram com recordações, palavras ou gestos, com promessas por cumprir...Aprisionada por uma eternidade, porque sim.
Observo os feixes de luz e pó que entram pela janela, que caminham pela abertura da alma: aqui a luz ocupa todo o ar que respiro, faz o tempo silenciar-se, leva tudo o que de mau há no mundo; não há outra vontade que comande a não ser a do sol, não há outra verdade que não a do momento. Aqui, neste momento, este é o futuro. Isto é tudo o que importa, tudo o que me deve interessar, é tudo o que há. Perco-me nos labirintos dos raios e imagino uma infinidade de opções, de riscos que não tomei, de riscos que podia ter tomado. Vejo as lágrimas que ficaram por chorar, vejo os risos que ainda estão por vir, vejo a esperança que será eventualmente recuperada. A escuridão nunca é eterna, nunca é definitiva, nunca será total, mesmo quando tudo parece perdido.
Eu não quero ficar aqui. Já não, pelo menos...Deixem-me ir, de uma vez; imploro-vos, rogo-vos que me ouçam...Eu não quero ficar. Deixem-me ir.
15 dezembro, 2011
Back to Black
«Mesmo enquanto lutava para manter a mortalha cinzenta em meu redor, [...] era como agarrar-me a pedaços de nuvens, que se esvaíam em névoa por entre os meus dedos. Eu podia sentir a luz a vir na minha direção...»
Vejo esta queimadura na minha mão e as lágrimas cessam. Estas marcas exteriores representam a história da minha vida, acompanham o que se passa no meu núcleo.
A luz intermitente e fraca brilha na escuridão do universo; ela já não representa o ideal de esperança que habitava em mim, ela já não encarna o que há de bom no mundo - a felicidade, a ingenuidade, o sonho, a magia. Os restos disso ficaram no corpo antigo.
O que me interessa por agora é o escuro que ilumina o meu caminho há algum tempo...o preto nem sempre é luto, nem sempre é dor. E isto, à semelhança da cor, não é tristeza nem tão pouco mágoa. É o vazio constante, é a dormência iminente que está sempre à espreita, decidida a instalar-se. As lágrimas afagam o ego, dão-lhe espaço para respirar; trazem alívio temporário que se converte numa paz exausta, cansada.
Mortifico a alma para que o corpo finja arrepender-se, revivo a agonia da lembrança só pelo facto de ter essa necessidade de sentir; afasto a luz esporádica que surge, tento manter a distância suave do calor, da alegria, dos que importam, porque sei que facilmente me tirariam deste poço onde me encontro, levando consigo a noite constante, dissipando-se.
Tenho de agarrar-me às trevas com todo o meu ser, devo permanecer neste inferno pessoal durante mais algum tempo, até já não ter essa vontade. É algo inato, indiferentemente útil e preciso para mim. É o que me mantém a salvo.
Os cortes, as feridas, as queimaduras...elas só representam a mudança forçada que me encheu - tiraram-me tudo o que tinha de melhor, a minha essência preciosa, o que me enchia de luz. O que valia a pena em mim. Não restou nada, roubaram o que não havia, o possível e o impossível. O puro, o são desapareceu, já não anda por aqui.
Chegaram as trevas, a luz apagou-se.
[Frase destacada: José Saramago]
02 dezembro, 2011
V Império (prólogo)
«Ó Portugal, hoje és nevoeiro...»
Ao ler os gloriosos feitos, ao reviver a História criada, eu acredito.
Ao redescobrir as minhas raízes e o meu orgulho extinto, eu acredito.
Ao imaginar como um dia este sítio foi uma nação de gente forte, eu suspiro de alívio...
Afinal, ainda nos corre no sangue o que em tempos guiou Portugal para o caminho certo, afinal ainda há esperança para o que se encontra desesperado; eu sei, no fundo da minha alma lusitana, que um dia voltarei a sorrir quando pronuncio o nome do meu berço; eu sei que um dia eu voltarei a orgulhar-me ao dizer que nasci no pequeno retângulo que acolheu heróis durante milénios.
Sinto, por vezes no ar, alguma névoa dos tempos áureos, dos tempos em que o tempo passava magnanimamente devagar, só para que os feitos dos meus egrégios avós pudessem ser enaltecidos. Para que pudessem ser falados para todo o sempre, de boca em boca, de geração em geração.
A essência ainda habita em mim. A certeza ainda me toma com um brilho nos olhos e esperança no gesto, de que um dia esse império renasça das cinzas; ele irá chegar...Aguardo.
To be continued...
Subscrever:
Mensagens (Atom)