Eu empurro de um lado,
Tu puxas do outro,
E andamos neste impasse
Há mais que muito tempo.
Não vês que ainda não
Percebi o que queres de mim?
Andas nessa roda viva, nesse
Cerco febril, sem parar.
Continuamos a criar destes
Espaços vazios, com palavras
Sem som que são (não) ditas.
Constantemente...
Onde vamos parar?
Neste medir de forças,
Neste duelo de caráter,
Nesta falsa competição?
Sou sempre eu que caio primeiro,
Eu desisto mais rapidamente,
Mas logo chegas tu, (outro tu),
Apaziguando o que não chegou a existir.
Chegas e colas os bocados de mim
Que se espalharam à tua frente.
Também tu te desfizeste, silenciosamente,
Quando, de repente, começa
O ruído de fundo.
Inicia-se outro fim, e nunca pára.
Eu empurro de um lado,
Tu puxas do outro,
Até um de nós quebrar (de vez).
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