02 fevereiro, 2012

Careful Confessions

«And I see you standing there, wanting more from me and all I can do is try»

Anonimato. Invisível no meio da multidão, capacidade de não me verem quando não há sequer espaço para respirar - esta não sou eu. Mas costumava ser. Gosto de acreditar que isso já não acontece, não pela mudança do mundo, mas porque eu deixei de me importar.

Estava a afogar-me neste mar já conhecido (tão bem!), nesta água mais antiga que a vida, quando subitamente tudo parou e eu deixei de ter de lutar para respirar: o oxigénio era abundante e havia espaço para viver.

Esta mudança não foi como qualquer outra anterior. Temia repetir-me infinitamente quando senti o impulso crescente de escrever, dentro de mim; contudo lembrei-me a tempo que isto é inédito. Nunca em tanto tempo de existência tal sucedeu. A situação inverteu-se.

Num meio de qualquer algo, resta o que há e o que tenta haver, mas jamais o que não existe, o que havia (renovação); pela primeira vez, estou a facilitar a vida, estou a simplificá-la. O passado sempre teve um enorme, um gigante, um colossal peso, de maneira que lhe fechei a porta. Quando o vento da tristeza ameaça abri-la, eu passo algum tempo a fitar essa parte morta (contemplação), mas sigo em frente, encerrando-a.

Confissão de hoje - decidi importar-me com a vida, decidi parar de deixar o quotidiano governá-la. Nada acontecia e eu não queria que algo acontecesse. Cansei-me de estar sentada a um canto na desarrumação onde ela andava a habitar; estava na altura de me levantar e começar a apanhar os destroços, os estilhaços, os escombros de mim. Estava na altura de me importar, de rir verdadeiramente, sem aquele peso terrível em cima. Estava na altura.

Ando a tentar.