
Embalada por cada solavanco, por cada curva acentuada, por cada subida íngreme que teima em contrariar a gravidade, eu aprecio o rumor silencioso que o vento espalha à minha volta.
Olho em redor e a luminosidade faz com que um sorriso aterre nos meus lábios, propagando-se rapidamente para os meus olhos; todas estas pedras da calçada escondem centenas de segredos, todas estas fachadas obsoletas contam montanhas de histórias, paixões. Escondem-se lendas e lágrimas debaixo de cada arco, ponte, torre. Aqui não há propriamente silêncio, mas a energia não é de todo permanente, elétrica; há simplesmente uma quietude subtil que inspira o mais complexo sonhador a sentir algo diferente (outro mundo), a criar universos inéditos. A calmaria não é total, pois ainda corre uma leve brisa do irrequieto, mas há também um sentimento de paz eterna conseguida através de séculos de história, determinação e glória.
As noites são a melhor parte - mágicas, místicas, assombrosamente cheias de significado. Testemunhá-la à luz dos candeeiros disfarçados de estrelas é a sensação mais soberba, reconfortante e doce que posso ter. A lua realça o melhor que há nela, a beleza natural, a crueza da emoção escondida, reprimida; a imperfeição do espírito.
Afagada pelo rio, ela é a fonte de cobiça de muitos, pois é um tesouro real, uma safira de cores, de realidades...Eclética. Conta enredos infinitos, já que é mais antiga do que o tempo.
Dizem-na rebelde, inquieta. Dizem-na corrompida, gasta. Não...Nada disso. Ela apenas se ergue do pó do passado, das cinzas da experiência e prepara-se para viver algo novo. Algo nunca antes visto pelas almas que aqui passaram, que passam e que continuarão a passar; algo fantástico.
As ruas largas e direitas, ainda que tortas (pela sua indecisão tola de menina) cortam-me a respiração e só consigo imaginar o triunfo que se sente no ar; cansadas de serem calcorreadas por pés impetuosos e exigentes, enfadadas pela melodia que a água corrente chora, deixam ainda ouvir os murmúrios que o vento escolheu guardar.
A minha Lisboa nasceu do mito, mas viveu em tempos áureos e hoje é imortal. A cidade eterna que difere de todas as outras, marcando a sua diferença pelo simples facto de que tudo o que ela é - tudo o que representa - foi construído passo a passo, século a século, devido ás coisas pequenas, às vidas que nasceram e morreram no seu coração. Todos os que passaram por cá fizeram uma pequena diferença, criando esta fortaleza multicolorida, íntima, inacabada.
Fazes parte de mim, oh Lisboa revisitada, como o sangue que me corre nas veias ou o coração que bate fortemente de cada vez que reparo na tua imponência, na tua altivez com um fundo de cinzento chuvoso, de cada vez que percorro essas ruas abaladas pela própria terra. De cada vez que inspiro o ar que deu vida aos grandes feitos dos meus antepassados. O peito arde com a chama do orgulho e do amor, inflamado de felicidade por me teres visto crescer.
O teu coração bate hoje num ritmo incerto, lento, mas o sangue ainda por aí passa: estás desperta, atenta. Vives.
Olho em redor e a luminosidade faz com que um sorriso aterre nos meus lábios, propagando-se rapidamente para os meus olhos; todas estas pedras da calçada escondem centenas de segredos, todas estas fachadas obsoletas contam montanhas de histórias, paixões. Escondem-se lendas e lágrimas debaixo de cada arco, ponte, torre. Aqui não há propriamente silêncio, mas a energia não é de todo permanente, elétrica; há simplesmente uma quietude subtil que inspira o mais complexo sonhador a sentir algo diferente (outro mundo), a criar universos inéditos. A calmaria não é total, pois ainda corre uma leve brisa do irrequieto, mas há também um sentimento de paz eterna conseguida através de séculos de história, determinação e glória.
As noites são a melhor parte - mágicas, místicas, assombrosamente cheias de significado. Testemunhá-la à luz dos candeeiros disfarçados de estrelas é a sensação mais soberba, reconfortante e doce que posso ter. A lua realça o melhor que há nela, a beleza natural, a crueza da emoção escondida, reprimida; a imperfeição do espírito.
Afagada pelo rio, ela é a fonte de cobiça de muitos, pois é um tesouro real, uma safira de cores, de realidades...Eclética. Conta enredos infinitos, já que é mais antiga do que o tempo.
Dizem-na rebelde, inquieta. Dizem-na corrompida, gasta. Não...Nada disso. Ela apenas se ergue do pó do passado, das cinzas da experiência e prepara-se para viver algo novo. Algo nunca antes visto pelas almas que aqui passaram, que passam e que continuarão a passar; algo fantástico.
As ruas largas e direitas, ainda que tortas (pela sua indecisão tola de menina) cortam-me a respiração e só consigo imaginar o triunfo que se sente no ar; cansadas de serem calcorreadas por pés impetuosos e exigentes, enfadadas pela melodia que a água corrente chora, deixam ainda ouvir os murmúrios que o vento escolheu guardar.
A minha Lisboa nasceu do mito, mas viveu em tempos áureos e hoje é imortal. A cidade eterna que difere de todas as outras, marcando a sua diferença pelo simples facto de que tudo o que ela é - tudo o que representa - foi construído passo a passo, século a século, devido ás coisas pequenas, às vidas que nasceram e morreram no seu coração. Todos os que passaram por cá fizeram uma pequena diferença, criando esta fortaleza multicolorida, íntima, inacabada.
Fazes parte de mim, oh Lisboa revisitada, como o sangue que me corre nas veias ou o coração que bate fortemente de cada vez que reparo na tua imponência, na tua altivez com um fundo de cinzento chuvoso, de cada vez que percorro essas ruas abaladas pela própria terra. De cada vez que inspiro o ar que deu vida aos grandes feitos dos meus antepassados. O peito arde com a chama do orgulho e do amor, inflamado de felicidade por me teres visto crescer.
O teu coração bate hoje num ritmo incerto, lento, mas o sangue ainda por aí passa: estás desperta, atenta. Vives.
«É a hora!...»
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