«No amount of remembering the better things will make the bad ones go away...»
Será isto demasiado difícil? Serei eu muito frágil?
Estarei a impor um preço demasiado alto?
Não posso...Se começar a questionar a minha decisão,
Nunca conseguirei levar isto até ao fim. Desintoxicação.
Há momentos decisivos, há escolhas cruciais.
Se não pusesse fim a isto, agora, teria de o fazer
Mais tarde. Possivelmente tarde demais.
A coragem foi imensa agora e não vacilo.
Sei-o com toda a certeza, embora doa.
Sei que apesar de me custar felicidade pura,
É preciso matar o que resta, de uma vez só.
Temos de parar, temos de deixar o vento afastar-nos.
Outrora havia uma jovem rapariga - vou falar-te dela.
Vivia enclausurada em solidão, em tristeza.
Condenada à raiva perpétua, à revolta crónica.
Mas ainda sonhava. Ousava ir mais longe.
E depois, após um sonho iluminador, um trovão,
Uma descarga de chuva súbita e intensa, a vida mudou.
Ela encontrou um ponto de abrigo, um farol (tu)
Que a guiou através do desespero enevoado.
No entanto, passado um tempo, o farol apagou-se.
Tornou-se numa fonte de rancor, dúvida, incerteza.
O bom já não compensava o mal. A escuridão instalou-se.
Não posso mentir...Não seria justo.
Os motivos não são somente altruístas,
Eu não sou assim tão pouco humana. As razões estão lá,
Também para mim. Podem ser ténues, ridículas, miseráveis,
Mas estão lá.
Não...Já nem faz sequer sentido (eu quero tanto que faça!).
Ambos sabemos, ambos o vemos, todos os dias, quando
Se forma o silêncio em redor de nós. O silêncio carregado
De significado, o que não faz bem a ninguém.
Estou muito feliz por nos termos cruzado, tornei-me
Melhor por ver um vislumbre do teu mundo.
Estou contente pelas palavras, pelos momentos silenciosos (os bons),
Nem que tenha sido falso, imposto. Uma mentira.
Está tudo tão nítido hoje, como se tivesse andado adormecida.
Nítido como a água, límpido como cristal. Eu apareci no teu
Caminho e forcei-te a ficar.
Agora és livre...
1 comentário:
Gostei do texto. É tristemente nítido; fala alto através da velha máxima: let go. Não sei sobre quem é mas magoa à mesma.
A reter:
"Se não pusesse fim a isto, agora, teria de o fazer
Mais tarde. Possivelmente tarde demais."
"É preciso matar o que resta, de uma vez só."
"Ela encontrou um ponto de abrigo, um farol (tu)
Que a guiou através do desespero enevoado."
"O bom já não compensava o mal. A escuridão instalou-se." (perfeito)
Maldita consciência, maldita balança.
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