Fecho os olhos mas ainda vejo.
Quem me dera não ver.
O toque perdura, o cheiro fica.
O ardor não vai embora, nunca.
Esta violação do meu ser
Deixou a carne dilacerada,
Levou tudo com a sua passagem.
Já passou...
Se pudesse, engolia-o.
Engolia todo o cancro
Que te corrompe. Por ti,
Engolia todo o negro que te consome.
Como é que é possível?
Como posso eu amar-te ao ponto
De não aguentar, mas odiar-te de
Tal maneira, que morro por dentro?
O meu corpo expele este mal,
Mas o desejo só me leva a ti,
À tua tuberculose da alma.
À morte, à pestilência. Ao que não vive.
Fecho os olhos e ainda vejo.
Quem me dera não ver...
2 comentários:
adorei Joana, como eu te disse, tens um dom !!! <3
adoro você @
Estes , estão perfeitos :
"Como é que é possível?
Como posso eu amar-te ao ponto
De não aguentar, mas odiar-te de
Tal maneira, que morro por dentro?
O meu corpo expele este mal,
Mas o desejo só me leva a ti,
...
Fecho os olhos e ainda vejo.
Quem me dera não ver... "
Rita
Está muito bom. Desde o título ao texto.
Começa lindamente: 'Fecho os olhos mas ainda vejo." E as pessoas conseguem de facto continuar a ver, e isso só demonstra ligação, intensidade - no pior dos casos obsessão.
"Por ti,
Engolia todo o negro que te consome." Excelente.
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