23 maio, 2011

Blind

Fecho os olhos mas ainda vejo.
Quem me dera não ver.
O toque perdura, o cheiro fica.
O ardor não vai embora, nunca.

Esta violação do meu ser
Deixou a carne dilacerada,
Levou tudo com a sua passagem.
Já passou...

Se pudesse, engolia-o.
Engolia todo o cancro
Que te corrompe. Por ti,
Engolia todo o negro que te consome.

Como é que é possível?
Como posso eu amar-te ao ponto
De não aguentar, mas odiar-te de
Tal maneira, que morro por dentro?

O meu corpo expele este mal,
Mas o desejo só me leva a ti,
À tua tuberculose da alma.
À morte, à pestilência. Ao que não vive.

Fecho os olhos e ainda vejo.
Quem me dera não ver...

2 comentários:

Anónimo disse...

adorei Joana, como eu te disse, tens um dom !!! <3
adoro você @

Estes , estão perfeitos :

"Como é que é possível?
Como posso eu amar-te ao ponto
De não aguentar, mas odiar-te de
Tal maneira, que morro por dentro?

O meu corpo expele este mal,
Mas o desejo só me leva a ti,
...
Fecho os olhos e ainda vejo.
Quem me dera não ver... "

Rita

Diogo Garcia disse...

Está muito bom. Desde o título ao texto.
Começa lindamente: 'Fecho os olhos mas ainda vejo." E as pessoas conseguem de facto continuar a ver, e isso só demonstra ligação, intensidade - no pior dos casos obsessão.
"Por ti,
Engolia todo o negro que te consome." Excelente.