08 maio, 2011

Desassossego

O cheiro do fumo da vela ainda aqui ficou
A pairar no ar.
Esta maneira espectacular de como fazem
O saxofone sofrer melancolicamente,
Enche-me de paz. Por fim.

O céu em tons que não se definem está indeciso.
Se espreitar pela janela, vejo que hoje o mundo parou.
Todos se mexem, mas devagar, sem saberem o seu
Destino. Todos continuam a caminhar.

Levanto-me e respiro fundo; se estiver sentada
Vou acabar por fazer o que não quero.
Se ficar confinada a este frenético espaço,
Muito em breve morro de solidão.

O vento sussurra até mim pelas árvores;
Ele já não quer saber de mim. Anda por aí...
Por todo o lado, anda até pelos sítios onde a
A minha mente vagueia, longe...

À minha frente vejo o veneno no copo,
Sei que o tenho de beber para terminar.
Vejo a chama acesa da vela que arde agora
Pela vontade de viver, e lentamente, tento
Não perturbar o enredo. Tenho não respirar.
Adeus mundo! Adeus desassossego.

3 comentários:

Diogo Garcia disse...

Está um grande poema, cheio de magia melancólica, que nos obriga, mesmo sem querer-mos, a viajar.
Não concordo com algumas ideias, e penso que momentos descritos como a primeira ou até a segunda estrofe devem ser mais que fortes para conter uma alma...No entanto a ressalvar:
"Anda por aí...
Por todo o lado, anda até pelos sítios onde a
A minha mente vagueia, longe..."
"Adeus mundo! Adeus desassossego."

KeEp gOing spiral out!

Anónimo disse...

adoro :D
ly @

Anónimo disse...

adoro :D
ly @