18 maio, 2011

Contrariedades

Mesmo depois da chuva ter passado,
Mesmo após ter sido abençoada neste dia,
Mesmo além desta paz que senti hoje,
Consegues infiltrar-te lentamente aqui.

Depois de tudo o que pensei alcançar,
Mesmo depois de tudo o que achei conseguir,
Sei agora que não passou de um breve delírio.
Ilusão que quis trazer à vida; pura esperança.

Sei agora que não vai ser possível. Não.
Não vai ser assim tão fácil expulsar-te de mim.
Nem sequer tenho a certeza de que quero fazê-lo.
Devia, não era? Mas não. Ainda não...

Num minuto convenço-me a não o fazer.
A não voltar com a minha decisão atrás.
Mas se preciso, num batimento estou lá,
Nesse sítio, à espera eternamente. A desejar.

E mesmo quando não chego, mesmo quando
Resisto à tentação que me enche a todas as horas,
Há algo dentro de mim que suspira por mais.
Que grita, que faz de tudo para te ver. Só mais uma vez.

E se prometo a mim mesma que é a última, de facto,
Isso serve de pouco mais que nada. Nada.
Porque sei que rapidamente o dessassosego regressa
Para me atormentar. Para pedir mais do mesmo.
Para o exigir. E não pára até o alcançar. Até eu ceder.

Mesmo depois da chuva ter passado,
Mesmo após ter sido abençoada neste dia,
Mesmo além desta paz que senti hoje,
Mesmo assim, ocupaste um pedaço.
Agora quero-o de volta.

Sem comentários: