22 maio, 2011

Águas Passadas

A dor das lembranças é muita.
Se ficar aqui parada, ouço-as a voar.
Se insistir em não partir, se insistir
Em permanecer neste lugar, acabo.

O piano há muito que está silencioso.
As notas pararam de surgir quando
O nosso amor acabou. O som morreu.
A felicidade também. Já não há aqui nada.

Neste jardim onde já fui tua, vejo agora
O que podia ser o futuro. Vejo o fantasma
Do que já foi nosso. Do que ainda podia ser.
Vislumbro de passagem um reflexo passado.

Esta dor acutilante que trago no coração,
Será a prova de que o que vivemos não
Foi em vão? Será que valeu a pena termos
Quebrado as regras e os limites impostos?

Talvez tudo seja uma bela ilusão que criei,
Algo que só existiu na minha imaginação.
E de que me serve sofrer agora, em vão?
De que me vale esta tristeza sem fim?

De que me vale este ardor que trago no peito,
A toda a hora, a todo o instante, se não te
Posso ter? Se nunca mais te poderei dizer
Aquilo que sinto, numa noite cheia de luar.

Basta de recordações. Levem-me daqui.
Não tinham o direito de me despertar.
Não perturbem as águas...Elas estão calmas,
Agora.

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