Quem sabe...Eu sei que não.
Pensei que já tivesses morrido há muito, muito tempo.
Porque ninguém deu pela tua falta. Ninguém reparou que desapareceste, de um momento para o outro.
Achaste que iam aperceber-se?
Quem sabe...Eu sei que não.
Surpreendentemente, parece que o teu lugar no mundo é irrelevante, não tem valor.
Ninguém sentiria a tua falta.
Ninguém iria reparar que paraste de aparecer; ninguém ia perguntar por ti.
Achaste que iam pensar em ti?
Quem sabe...Eu sei que não
Nunca se lembraram, sequer.
E eu, enterrada na minha miséria, no meu remorso, apenas me lembrei de ti, por mero acaso.
Porque me lembrei do lugar que costumava estar ocupado.
Lembrei-me da tua presença no meu dia-a-dia. Eu lembrei-me, por mero acaso.
E se não tivesse pensado na mesa vazia atrás de mim, há muitos, muitos anos?
Nunca serias recordado.
Se morresses, será que alguém ia ficar triste?
Será que alguém ficava afectado com isso?
Provavelmente, ninguém ficava com o seu mundo mudado pela tua perda.
Achaste que ias ser relembrado?
Quem sabe...Eu sei que não.
Mas sei que devias! Sei que te esforçaste durante muito, muito tempo para ajudares, para mudares a vida dos que te rodeavam.
Esforçaste-te e devias ser recordado por isso.
Devia ser exposto por todo o lado que tu desapareceste!
Que não apareceste naquele dia!
Para que toda a gente se apercebesse de que faltavas tu!
Tu que sempre te esforçaste para ser visto e ouvido! E devias ter ganho esse direito!
Achaste que eu não ia reparar? Que nunca me ia lembrar?
Quem sabe...Eu sei que sim.
1 comentário:
Um texto muito grande. GRANDE.
Eu sei que sim, com toda a consciência e certeza do mundo.
Gosto deste tipo de textos, e tenho saudades de os fazer. E tu fizeste-o de uma maneira expecional.
Adorei todo o texto, dando relevância, mais uma vez, a um final fechado com chave de ouro.
A realçar:
"Devia ser exposto por todo o lado que tu desapareceste!"
Keep going..
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