11 novembro, 2009

Ponto Final

Sei que sim. Sei que as palavras de ódio ou raiva são as que fluem mais rapidamente da caneta. Mas não te dou esse prazer. Isso, há muito que correu e escou por mim como água em folha de árvore.
Tão grata! Tão agradecida! Foste uma lição a juntar a todas as outras.
Tão preciosa, valiosa lição!
Estou mais do que curiosa para saber o que tu ganhaste com tudo isto.
Da minha parte não tens mais nada a receber. Nada que possas identificar, pelo menos.
E não é o rancor que me move. Não. É talvez a vontade de justiça.
A vontade de finalizar tudo, de uma vez por todas.
Assisto francamente ansiosa pelos teus nobres actos.
Não por me interessarem, mas para ver até onde te leva a tua miséria. De espírito. Porque cada passo teu, só me alimenta o sarcasmo.
Mas sim, tu tens razão. Sei o que me dirias, se pudesses.
Que foi pelo melhor. Que as coisas tinham de ser assim.
Não vale a pena perder tempo com as pessoas que o vão tornar em tempo perdido!
Dizer mais, para quê? Guardas-as, guarda as tuas palavras.
Palavras que me enchem a alma de mal. Que a transformam numa aura negra.
Portanto, antes de desperdiçares mais do meu precioso tempo, vou-me embora. Afasto-me.
Nunca mais me irás ver.
Nunca mais me irás falar.
Espero que nunca mais penses em mim.
Abri a caixa de horrores e soltei-te, de vez. Não te tentes agarrar ao que claramente foi um erro, ao tempo perdido. Não tentes ficar!
Só o fazes para me destruires.
Mas eu, não te permito.
Sou superior a ti, e olho-te de cima para baixo.
Não tentes ficar, não tentes agarrar-te ao que já passou.
Já nem eu faço isso.
Libertei-te. Por isso vai, sem olhar para trás, de uma vez por todas!
Vai, e por favor, não voltes!
Não é a revolta que me move.
É a necessidade de saber que para mim, morreste.
Nunca mais me irás ver.
Nunca mais me irás falar.
E espero que nunca mais penses em mim.
Eu sei que em ti, não vou desperdiçar mais tempo.
Em ti, nunca mais vou pensar.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Sei que parece uma inicio de comment meio idiota, mas espero nunca assistir ao teu verdadeiro ponto final na escrita.
Realço a tua força literária e a tua força na escrita. O que mais me alegra e comove é que aquilo que leio, és mesmo tu, como és. Por isso ler-te é apenas mais uma bela maneira de te ver (para quem já te conhece - o prazer é todo meu).
A sublinhar:
"E não é o rancor que me move. Não. É talvez a vontade de justiça."
"Porque cada passo teu, só me alimenta o sarcasmo."
Entre outras frases.
Continua.
Orgulhas-me todos os dias, sem exepção.