Sei que sim. Sei que as palavras de ódio ou raiva são as que fluem mais rapidamente da caneta. Mas não te dou esse prazer. Isso, há muito que correu e escou por mim como água em folha de árvore.
Tão grata! Tão agradecida! Foste uma lição a juntar a todas as outras.
Tão preciosa, valiosa lição!
Estou mais do que curiosa para saber o que tu ganhaste com tudo isto.
Da minha parte não tens mais nada a receber. Nada que possas identificar, pelo menos.
E não é o rancor que me move. Não. É talvez a vontade de justiça.
A vontade de finalizar tudo, de uma vez por todas.
Assisto francamente ansiosa pelos teus nobres actos.
Não por me interessarem, mas para ver até onde te leva a tua miséria. De espírito. Porque cada passo teu, só me alimenta o sarcasmo.
Mas sim, tu tens razão. Sei o que me dirias, se pudesses.
Que foi pelo melhor. Que as coisas tinham de ser assim.
Não vale a pena perder tempo com as pessoas que o vão tornar em tempo perdido!
Dizer mais, para quê? Guardas-as, guarda as tuas palavras.
Palavras que me enchem a alma de mal. Que a transformam numa aura negra.
Portanto, antes de desperdiçares mais do meu precioso tempo, vou-me embora. Afasto-me.
Nunca mais me irás ver.
Nunca mais me irás falar.
Espero que nunca mais penses em mim.
Abri a caixa de horrores e soltei-te, de vez. Não te tentes agarrar ao que claramente foi um erro, ao tempo perdido. Não tentes ficar!
Só o fazes para me destruires.
Mas eu, não te permito.
Sou superior a ti, e olho-te de cima para baixo.
Não tentes ficar, não tentes agarrar-te ao que já passou.
Já nem eu faço isso.
Libertei-te. Por isso vai, sem olhar para trás, de uma vez por todas!
Vai, e por favor, não voltes!
Não é a revolta que me move.
É a necessidade de saber que para mim, morreste.
Nunca mais me irás ver.
Nunca mais me irás falar.
E espero que nunca mais penses em mim.
Eu sei que em ti, não vou desperdiçar mais tempo.
Em ti, nunca mais vou pensar.
1 comentário:
Sei que parece uma inicio de comment meio idiota, mas espero nunca assistir ao teu verdadeiro ponto final na escrita.
Realço a tua força literária e a tua força na escrita. O que mais me alegra e comove é que aquilo que leio, és mesmo tu, como és. Por isso ler-te é apenas mais uma bela maneira de te ver (para quem já te conhece - o prazer é todo meu).
A sublinhar:
"E não é o rancor que me move. Não. É talvez a vontade de justiça."
"Porque cada passo teu, só me alimenta o sarcasmo."
Entre outras frases.
Continua.
Orgulhas-me todos os dias, sem exepção.
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