20 março, 2012

Lado a Lado

«I can't tell you what it really is, I can only tell you what is feels like...»

Primeiro vem o sorriso óbvio, habitual.
Depois a dor agonizante, rápida, inesperada.
O sorriso apaga-se, é a vez das lágrimas;
Vêm, uma por uma, pintar o meu mundo.

Será ódio, raiva, incompreensão?
Será mera frustração, rancor, desespero?
Já não sei conviver com esta figura de silêncio
Gelado que se instalou. A sombra do passado
Que paira por aqui, sempre...

Não consigo fingir que não vejo o que falta,
Já não aguento assistir a este teatro grotesco,
A esta farsa, tentativa de negar o inegável, inevitável.
Para que fingimos que isto não é o fim? Instalado.

Devo gostar da maneira como dói, como arde,
Como me tortura; devo gostar de saber tudo
Isto como uma mentira horrível, como um falso
Pedaço de vida. Miserável vivência que não foi real.

Sorrio, não porque ignoro o que não é,
Mas porque sei precisamente que isto não é nada.
As questões que assombram os meus sonhos são
Demasiado perturbadoras, não quero pensar nelas.

Evito imaginar nestas possibilidades porque elas só
Servirão para enterrar algo que me ajudou a viver,
Mesmo quando era eu que estava enterrada. Morta.
Pareceu iluminado durante uns tempos - não durou.

Agora seguimos em frente, sabendo o que não-foi;
Os caminhos prováveis, as hipóteses que nunca serão.
Seguimos e fingimos que ainda existe, que o que
Resta não é só mágoa, dor dilacerante...Fingimos que não
Vemos o fim, para que ele não nos veja a nós.

Escapámos?

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