04 março, 2012

Indecisão

Convenço-me. Como?
Ando à roda repetidamente
Mas nada de novo aparece...
É suposto ter alguma revelação?

Convenço-me. Mas como?
O meu espírito está dividido,
Rasgado, partido; disputado
Entre duas realidades opostas.
(antagonismo).
Será assim tão doloroso
Se escolher o instinto? Cansaço.
Posso deitar tudo a perder, posso
Estragar algo belo, por fim. Algo bom.

Posso correr, posso andar, posso
Ver, posso até ignorar. Escolho um
Troço, depois o outro. Decido-me,
Volto atrás...Alma quebrada.

Pondero um mundo, de seguida,
O outro e continuo na névoa.
Balanço na linha ténue que marca
A rutura do mundo que existiu e já não
(levemente, de um lado p'ro outro).

Gostaria de dizer que já esqueci a raiva,
Dúvida, incerteza; queria dizer que não
Me lembro de que rancor me fala o coração.
Que medo, vazio, paixão desacelerada...
Gostava de poder dizer que apaguei o fogo,
Que já extingui o ego. Que sou só água pura
(mas não...).
A luta que outrora me pareceu tão sã, tão
Sóbria, tão minha agora contempla-me ao longe.
Acena-me, implora-me para que volte, diz-me
Que tem saudades do que éramos. Do que fomos.
(isso já não me devia interessar).

Tento ficar parada, não me mexer. Talvez se ela
Pensar que estou não-viva, talvez aí ela vá.
Somente assim ela prosseguirá a vida sem mim,
Mais completa, mais simplificada. Mais dela.
(preciso que compreendas; vai!)

Incapaz de dar um passo ou o outro, estagno.
Sem conseguir dar voz à razão ou ao grito
Que corre cá dentro, sem temer ninguém, eu fico.
Fico na linha, até decidir. Indecisão.

1 comentário:

Anónimo disse...

Instinto ou razão?? Tanto um como ao outro pregam rasteiras e nunca se sabe pelo qual optar e se é a escolha acertada ou nao :x Mas no fim, tem de se optar por algum...

Espero ter ajudado com todas as conversas *.*

J's<3