03 outubro, 2011

Rise, Rose

-Está escuro aqui; tomara que amanheça.

-Com que sol? O nosso morreu.



Só quero. Só peço.
Nada me traz paz,
Nada me conforta.
Tudo fica igual e já
Não sou capaz de fingir.

Só queria que o mundo
Parasse; que o tempo não
Corresse mais.
A agonia não cessa e nada.
Nada me conforta.

Desisto de esquecer; páro de
Ignorar. A realidade magoa, mas
Ao menos destrói logo tudo.
Já não há vazio. Já não sobra
Espaço: foi tudo consumido.

Se rezar, nada acontece.
Se pedir, outra e outra vez, nada
Muda. Se implorar, o milagre não
Surge. O sonho morre. Nada.
Nada me conforta. Tormento.

Só quero, só peço...
Mas nada mudará.

1 comentário:

Diogo Garcia disse...

Eu ADOREI este texto! (Mais uma vez não compreendi a tua falta de entusiasmo depois de escrito... -.+)

Apesar da impotência triste das nossas vidas (..), descrito perfeitamente por ti, gostei dele. É triste mas realista - demasiado realista. O sonho morre...e depois sobra o quê afinal? Arranjar outros sonhos? Não me parece. E mastigar pedaços não me parece muito melhor. Basta estar-se vivo não é?
A reter:
"...já não sou capaz de fingir."
"Nada me conforta."
"A realidade magoa, mas ao menos destrói logo tudo." (perfeito)
"O sonho morre. Nada.Nada me conforta."