«Round my hometown, memories are fresh»
Olhos tristes...Olhos tão profundamente tristes.
Olhos de avelã, que contêm muita mágoa afogada, refletida nesses dois lagos sombrios que fitam a lua, agora.
A ver as folhas graciosas a caírem até ao chão, a ver o vento ganhar vida para arrasar o medo e a solidão. O frio percorre-a como uma pequena lâmina que perfurou o coração há muito. O frio não cessa, por muito que ela se esconda.
As luzes velhas e gélidas da cidade presenciam o seu sofrimento esquecido, afundado com o que restou do seu sorriso. Elas não contam a ninguém, e ela sabe-o. Está a salvo.
Os espasmos de vazio esmagam-na, mas é a assustadora incapacidade de ajuda que lhe impede a respiração; que a destrói aos poucos.
É incrivelmente assustador como ninguém pode abafar o sentimento de tormento, ninguém pode acalmá-la, embalando-a num suave estado de paz. Ninguém, digam o que disserem. Só resta esperar, só resta pedir aos céus por algum calor, algo sólido para se agarrar.
Cinge-se com os abraços, tentando esquecer essa onda de pânico que a atinge como a morte - os sonhos para onde foram? A verdade destruída jaz aos seus pés, cansada de fingir ser algo que nunca poderá ser. O conforto interior que existia quando via uma tempestade iminente ainda se mantém, mas trémulo.
O piano soa bem perto. Traz consigo uma quase esperança que ajuda a passar o choque do momento, mas não dura uma lua cheia. Não dura o suficiente, nada é o suficiente. Reza com alento para que ele chegue, mas sabe-o melhor que ninguém...Ele não vem.
À luz frágil e sóbria dos candeeiros, ela chora e espera que o vento venha e leve os pequenos restos de sal para longe.
1 comentário:
A Adele sabe fazer sentido em tantas circustâncias.
Gostei muito! *
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